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“Eu me salvei porque descobri ainda no início”, conta Mariene Andrade que enfrentou e venceu o câncer de mama

O Sindilegis traz histórias de verdadeiras guerreiras que enfrentaram a doença e seguem na vida servindo de exemplo e alerta para outras pessoas

Receber o diagnóstico de uma grave doença pode significar o início de uma vida cheia de aflições e tristezas. Mas não para Mariene de Andrade, que ao ter a notícia de um grave câncer de mama optou pelo sorriso no rosto e pela vontade de viver. Aos 38 anos, e com três filhos ainda pequenos, ela foi surpreendida por um tumor agressivo e maligno, mas não se deixou abater e sempre que podia trocava a cama de um hospital por uma boa roda de samba.

“Eu nunca perdi a vontade de viver. Foi sim um período difícil, mas tentei levar com alto astral. Nunca quis fazer quimioterapia na sexta-feira para não perder meu fim de semana. Fazia em um dia que pudesse estar bem para aproveitar o samba”, disse Mariene, com o mesmo sorriso com que enfrentou o período mais conturbado da sua vida.

Vivendo um bom momento, como mãe e servidora da Câmara dos Deputados, foi acometida pelo medo ao ouvir o médico proferir a frase: “Não sou portador de boas notícias”. Naquele instante, não era mesmo. Com os resultados dos exames da paciente em mãos, não restavam dúvidas. Começava ali a corrida de Mariene pela cura. Ao longo de um ano, foram 32 sessões de radioterapia, 6 sessões da mais severa quimioterapia e a cirurgia para retirada dos gânglios linfáticos.

O tratamento para combater o câncer é penoso e a paciente sofre com os efeitos colaterais. Para a mulher, naturalmente vaidosa, a perda de cabelo é a concretização do estado frágil de saúde e um revés na autoestima. Para não viver a triste experiência da queda massiva dos fios, Mariene procurou um salão de beleza. Em frente ao espelho, enquanto as lágrimas caíam incessantes, ela viu os seus belos cabelos longos serem raspados.

“A perda de cabelo é um processo triste. Depois de 15 dias de tratamento começou a cair. Para não ver meu cabelo indo embora fio a fio, fui ao salão. Nesse dia chorei muito. A minha autoestima acabou. Mas depois consegui levar numa boa. Fiz uma tatuagem de hena na cabeça e recebia muitas cantadas”, lembrou Mariene.

Enfrentar a perda de cabelo foi um dos momentos mais difíceis desde que teve o diagnóstico do câncer, mas a preocupação com a família também a deixou apreensiva. Além dos três filhos ainda pequenos, não queria ver a mãe sofrer, pois já havia passado pela mesma angústia quando o segundo filho teve leucemia. “No início, a minha família era minha maior preocupação. Mas ao longo do tratamento foi a minha força. É muito importante ter as pessoas que amamos ao nosso lado”, garantiu.

O simbolismo de contar a história de vida no mês dedicado à campanha de conscientização para a prevenção e diagnóstico precoce do câncer de mama deixou Mariene envaidecida. Com a propriedade de quem já sofreu as angústias trazidas pela doença, alertou para a necessidade da prevenção: “As mulheres precisam realizar os exames de prevenção. Eu me salvei porque descobri ainda no início. Caso contrário, não estaria aqui contando a minha história. É importante estar atenta e buscar informações, sempre”.

Hoje, aos 60 anos, com os belos cabelos longos de volta, o sorriso e a alegria de sempre, Mariene de Andrade é contundente: “Eu não tinha outra alternativa. Enfrentar a doença com alta astral deixou o fardo mais leve. O sorriso e a vontade de viver foram a minha cura”.

 

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