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#FicaaDica, #FicaEmCasa: confira obras-primas escritas exclusivamente por mulheres

Aproveite o lockdown e confira dez autoras que se destacam no mercado literário

Com a aproximação do feriado de Páscoa e do número crescente de casos e óbitos pelo coronavírus, o lockdown tem se estendido a cada semana para tentar frear a contaminação pela Covid-19. Pensando em trazer novas oportunidades para o isolamento, o Sindilegis preparou uma curadoria com dez mulheres autoras de livros que se destacam pela originalidade, trama e qualidade. Confira!

1) Chimamanda Ngozi Adichie

Obras: Americanah, Meio Sol Amarelo, Hibisco Roxo

Adichie cresceu em um campus nigeriano. Aos 7 anos, escreveu sua primeira história e, aos 26, publicaria o romance Hibisco Roxo, seguido de Meio Sol Amarelo. Ambos têm como plano de fundo seu país, Nigéria. Aos 19 anos, mudou-se para os Estados Unidos, onde se formou em comunicação e ciências políticas. Também é autora do premiado Americanah, um romance atual e sensível que gira em torno de identificação pessoal.

2) Maya Angelou

Obras: Eu sei por que o pássaro canta na gaiola, A vida não me assusta

A autora Maya Angelou nasceu em Missouri, nos Estados Unidos, e publicou diversas coletâneas de poemas. Seu livro mais famoso, uma coletânea de memórias, foi escrito em 1969, intitulado “I Know Why the Caged Bird Sing” (Eu Sei por que o Pássaro Canta na Gaiola). A história conta suas percepções de uma infância no sul racista de seu país natal, quando sofreu um estupro, aos 8 anos, pelo namorado de sua mãe. A violência foi tamanha que a deixou muda durante anos. O livro se tornou o primeiro best-seller de não ficção escrito por uma afro-americana.

3) Elisa Lucinda

Obras: Parem de falar da rotina, O semelhante, A menina transparente

Natural de Vitória, Espírito Santo, Elisa é considerada uma das artistas mais expressivas da atualidade no Brasil. Em 2010, escreveu um dos seus livros mais conhecidos: “Parem de falar mal da rotina”, inspirado na peça de mesmo nome. O livro traz 56 personagens que expressam situações e emoções do dia a dia, onde se mistura amor, dor e o óbvio, com histórias que todos podem se identificar. O ato propõe uma divertida reflexão e utiliza versos e conversas despojadas sobre a rotina, uma espécie de espelho capaz de projetar mil possibilidades, provocando verdadeiras transformações nas relações humanas.

4) Carolina Maria de Jesus

Obras: Quarto de despejo, O diário de Bitita, Casa de Alvenaria

Nascida em Minas Gerais, Carolina se tornou um fenômeno ao escrever, em 1960, a obra “Quarto de Despejo”. Nele, o leitor é convidado a conhecer a realidade de uma mulher negra e favelada que, por meio da escrita, tenta sair da invisibilidade social em que se encontrava sua família. Filha de uma família pobre, Carolina estudou apenas dois anos. Em 1937, mudou-se para São Paulo para trabalhar como empregada doméstica. Era mãe de três filhos e, para sustentá-los, trabalhou como catadora de papéis e outros materiais para reciclagem.

5) Isabel Allende

Obras: Uma ilha sob o mar, Longa pétala do mar

Considerada uma das principais revelações da literatura latino-americana, a obra de Isabel é marcada pela dura ditadura chilena. Em um de seus livros mais conhecidos, “A ilha sob o mar, o palco para a história”, o palco para o desenrolar da história é Sant-Domingue – onde fica hoje o Haiti. O romance narra a vida de Zarité, a escrava que foi vendida aos nove anos de idade para o francês Toulouse Valmorain, dono de uma das maiores plantações de cana-de-açúcar nas Antilhas. Como escrava doméstica, ela não padeceu as dores e as humilhações de seus iguais, mas conheceu as misérias de seus patrões, os brancos.

6) Lionel Shriver

Obras: Precisamos falar sobre Kevin, Tempo é dinheiro, Dupla falta

A jornalista e escritora norte-americana é fruto de uma família extremamente religiosa; seu pai era pastor presbiteriano. Aos 15, mudou seu nome de Margaret Ann para Lionel. Antes de escrever o best-seller “Precisamos falar sobre Kevin”, Shriver já havia publicado seis romances. Seu livro mais famoso é considerado uma leitura obrigatória, tendo sido transformado em longa-metragem em 2012, com Ezra Miller como Kevin e Tilda Swinton como a mãe, Eva. O livro narra as angústias de uma mãe para tentar compreender o que levou o filho a cometer um crime que mudou a vida de uma cidadezinha para sempre.

7) Nana Queiroz

Obras: Presos que menstruam, Eu, travesti: memórias de Luísa Marilac

Nana é uma escritora paulista e foi uma das convidadas do Café com Política: edição “Xô Machismo” do Sindilegis. Jornalista, escreveu a obra-prima “Presos que menstruam”, que conta a realidade de mulheres encarceradas por prisões em todo o país. Nele, Nana dá voz e alma às presas: revela a diferenciação de tratamento das prisões masculinas para femininas e que nem o básico é ofertado às presas, que precisam usar miolo de pão como absorvente, caso a própria família não forneça os materiais a elas. Nana também é escritora do portal “Az Minas”, que busca dar voz e empoderamento às mulheres.

8) Clarice Lispector

Obras: Hora da estrela, A paixão segundo G.H, Água viva, A vida íntima de Laura

Nasceu Chaya Pinkhasovna Lispector, na Ucrânia, mas renasceu no Brasil como Clarice Lispector. É considerada uma das maiores autoras brasileiras, com seu inconfundível estilo intimista. “A Hora da Estrela”, último romance de Clarice, conta a história de Macabéa, uma mulher pobre, que possui um corpo franzino, é solitária e de poucas palavras. À medida que a história é contada, vamos conhecendo um pouco mais sobre Macabéa, seus relacionamentos, prazeres e, ao final, destino.

9) Jane Austen

Obras: Orgulho e Preconceito, Persuasão, Razão e Sensibilidade

A autora inglesa é considerada uma das maiores romancistas da literatura inglesa e suas obras são apreciadas até os dias atuais, sendo a maioria delas transformadas em longas-metragens. “Orgulho e preconceito” é considerada sua obra mais famosa, em que conta a história da família Bennet, composta por cinco irmãs. A protagonista, Elizabeth, enfrenta uma enorme pressão dos pais para se casar, porém rejeita, pois busca o amor de forma natural e sincera. Tudo muda quando conhece o Sr. Darcy, um homem reservado e extremamente ponderado.

10) Anne Frank

Obra: O diário de Anne Frank

A autora mais nova desse top 10 também carrega uma das histórias mais tristes já contadas. Annelies Marie Frank foi uma adolescente alemã de origem judaica, que foi obrigada a viver com a família em um anexo dentro de um armário por anos para escapar do Holocausto. Todos os dias, Anne escrevia sua rotina, memórias e percepções em um diário pessoal. Contudo, após uma denúncia anônima, a família foi encontrada pela Gestapo e enviada ao Campo de Concentração. Anne morreu na câmara de gás. Seu pai, Otto, encontrou seu diário nos escombros do anexo em que viviam e decidiu publicá-lo, transformando-o em uma das principais obras literárias do mundo.