Sindilegis reconhece os talentos de servidores filiados

(Por Milena Abrahão)

Há três anos, com o intuito de se divertir, tomar uma cerveja e celebrar a amizade, servidores do TCU que apreciam estilos como o rock and roll e o heavy metal se reuniram em um estúdio na Asa Norte para fazer um som. E, dessa descontraída e despretensiosa brincadeira, surgiu a banda Catacumbas, composta por guitarristas (Renato Baleia e Sérgio Lubambo); bateristas (Jordão Poletto e Fernando Leite); vocalistas (Bruno Loureiro e Dani Shams) e baixista (Badaró). Em determinados momentos, no entanto,  Rodrigo Schafauser (bateria), Vinícius Guimarães e Marcelo Chaves(guitarra) unem-se ao grupo para dar uma canjinha. 


Filiado à Associação dos Servidores dos Tribunais de Contas da União (ASTCU) e ao Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis), Jordão Poletto concedeu entrevista às entidades para contar sua história na Catacumbas e inteirar o leitor da trajetória da banda. 

Segundo ele, tudo começou quando, em setembro de 2016, um amigo de trabalho o convidou para assistir a um ensaio. Naquele dia, Poletto tocou bateria timidamente, mas admitiu ter se divertido. Desde então, resolveu investir parte do seu tempo para aprender a tocar esse instrumento e, hoje, os encontros musicais com o grupo transformaram-se em hobby.   

Lotado no Serviço de Informação de Fiscalização de Obras (Siob), subordinado à Coinfra, tomou posse no TCU em 1º de dezembro de 2009 e relatou que, em meio à intensa  rotina dos trabalhos, as reuniões da banda funcionam como uma espécie de catarse: “Tá tenso? Vai tocar bateria que depois de uma hora você sai um amor de pessoa.” Para ele, a frase proferida por um cantor e multi-instrumentista traduz a sensação experimentada por um músico ao término de um ensaio.


Segue entrevista:  

Como a banda se originou?

Ela surgiu oficialmente em 2015 quando cerca de oito pessoas se reuniram em um estúdio e tocaram por mais de cinco horas ininterruptas. Esse foi o marco fundador da banda que, inclusive, está registrado em foto. Tocaram mais de 35 músicas sem repeti-las. Se errassem a letra ou a melodia, continuavam a tocar. A atitude e a integração são o mais importante para a banda.  

Quais as principais influências da Catacumbas?

Sem sombra de dúvidas, o rock and roll em sua essência, migrando para o heavy metal. Em consonância, os colegas curtem o heavy metal progressivo, que é um subgênero. Mas cada integrante tem a sua influência.

O Fernando é fã do Dream Theater. Já o Bruno curte muito o som dos anos 70, como Led Zepellin e The Doors. O Baleia e a Dani (sua esposa) curtem heavy metal no geral. Por sua vez, o Badaró curte rap, rock and roll, psicodelia, hardcore e ragga. Ele é o mais “farofeiro” do grupo (risos)! E eu sou fã do Ozzy Osbourne.

Como é a rotina dos encontros?

Geralmente, os ensaios acontecem, uma vez por mês, em um estúdio apelidado de “Catacumbas”.  Curiosamente, o espaço tem esse nome porque está localizado no subsolo de um prédio na Asa Norte. Já no clube da ASTCU, nos apresentamos para os amigos. 

Como classifica a iniciativa da ASTCU de abrir as portas para vocês mostrarem seus talentos?

Como associado, avalio que a ação promovida pela ASTCU foi muito importante, pois o clube ofereceu um espaço para que pudéssemos mostrar nosso som. Além disso, a área do bar, administrada pelo Geraldo Benício, tem uma infraestrutura perfeita pelo fato de disponibilizar um palco para eventos musicais. E também não fomos repreendidos pelo som barulhento que fazemos (risos)! Ao contrário, recebemos vários elogios.

Sócio desde 2011, gostaria de frisar que o conforto e a estrutura apresentados pelo clube atualmente não podem ser comparados com os serviços que o espaço oferecia àquela época.

O estilo das músicas tem a ver com o estilo de vida de vocês?

Sem dúvidas! Com muitas “horas de voo” ao guidão, o Bruno, que participa de um moto clube, está sempre escutando um som pesado quando acelera sua máquina. O Renato e o Sérgio colecionam guitarras. E eu e o Fernando participamos frequentemente de workshops de bateria.  

Os integrantes não perdem um show internacional na capital quando se trata de bandas do gênero. Alguns, inclusive, frequentam o “Toinha Rock Pub” e o “Zepelim” do Guará assiduamente. 

O mosh pit (dança cujos participantes fazem movimentos bruscos como cotoveladas e joelhadas, pulam, correm, empurram e colidem entre si dentro de uma área circular delimitada) e o headbanging (movimento em que a cabeça é agitada para cima e para baixo no ritmo da música) não são mais praticados pelos integrantes pelo simples fato de a idade não permitir mais esses tipos de estripulias (risos)!

Qual o repertório executado?

Atualmente, contamos com um repertório de cerca de 30 músicas. E tocamos cover das bandas AC/DC, Black Sabbath, Deep Purple, Dio, Iron Maiden, Judas Priest, Kiss, Led Zeppelin, Pink Floyd, Metallica, Ozzy Osbourne, Rainbow, Scorpions, Steppenwolf, Twisted Sister, Megadeth, System of A Down e Van Halen. 

Quais são os músicos mais experientes?

Sem dúvidas o Sérgio, que tocou durante dez anos na cena rock de Recife, e o Baleia, que é ex- membro da banda Deja-vu, banda de heavy/thrash metal de Brasília nos anos 80/90. Os outros integrantes começaram ou voltaram a tocar há 3 anos. 

Quais os braços do metal vocês tocam?

Para o gênero heavy metal, existem diversos subgêneros, conforme apresentado no documentário A Headbanger’s Journey (Uma Jornada pelo Mundo do Heavy Metal),  dirigido pelo antropólogo Sam Dunn. Pode-se dizer que a banda Catacumbas toca músicas desses diversos subgêneros, tais como new wave of british heavy metal (N.W.O.B.H.M), progressive metal, power metal, thrash metal, glam metal e outros.

Vocês acreditam que o trabalho intelectual e estressante deve ser compensado com o lazer? No caso de vocês, com a música?

Não tenho dúvidas! Quando nos reunimos para tocar, é como se nos desligássemos da realidade. Voltamos a ter aquela energia adolescente tocando as músicas das nossas bandas favoritas. Adrenalina pura!

Vocês têm alguma atividade profissional junto à cena do heavy metal de Brasília?

Atualmente apenas o Renato possui outros projetos com outras bandas do gênero na cena candanga, como o Van Halen Cover, Queensrÿche Cover e o Judas Priest Cover.

Mencione um aprendizado proporcionado pela música que vocês trouxeram para o cotidiano dos integrantes

O fato de os participantes do coletivo trabalharem no mesmo órgão propiciou o fortalecimento da amizade. Mas, sem dúvidas, o gosto em comum pela música e pelo gênero musical fez com que esses laços de amizade fossem se solidificando. A música tem um grande potencial agregador. Esse é o maior e o mais importante aprendizado. 

O gênero metal não tem a ver com a moda ou com as tendências. A autenticidade talvez seja uma marca registrada, pois há a liberdade de se escutar o que se gosta e de vestir-se de acordo com suas preferências, por exemplo. Não há aquela preocupação com a opinião de críticos no que diz respeito ao estilo ou às músicas. As pessoas podem até presenciar os fãs de heavy metal irem trabalhar de terno. No entanto, tenha certeza de que em suas cabeças devem estar murmurando músicas do Iron Maiden.




Tags: ASTCU, Banda Catacumbas, TCU, Tribunal de Contas da União, Heay Metal, Rock and Roll,



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