De acordo com o presidente Petrus Elesbão, o Sindicato continuará a promover iniciativas como essa, que são fundamentais para articular lutas e ações contra a crise atual


A fim de lançar luz sobre os mecanismos econômicos utilizados no Brasil capazes de gerar dívida pública, dificultar arrecadação e facilitar desvios do setor financeiro ocorreu, nesta quarta-feira (8), o Seminário Internacional de Esquema Financeiro Fraudulento e Sistema da Dívida. 

Intitulado “Criação de Estatais não Dependentes para securitizar Dívida Ativa e lesar a sociedade”, o evento, apoiado pelo Sindilegis, contou com a presença de grandes especialistas como a economista Maria Lucia Fatorelli. Promovida pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC) entre os dias 7 e 9 de novembro, a palestra reuniu especialistas de áreas correlatas que debateram o sistema brasileiro de dívida. 

De acordo com o presidente do Sindilegis, Petrus Elesbão, o Sindicato continuará a promover iniciativas como essa, que são fundamentais para articular lutas e ações contra a crise atual: “Temos hoje uma série de mecanismos financeiros que facilitam operações fraudulentas e impõe uma agenda que sacrifica a população brasileira. Isso impede que investimentos necessários sejam feitos no nosso País. Estamos batalhando para auditar essa dívida com urgência”.

O seminário priorizou a análise do esquema financeiro que vem sendo implementado em diversos estados e municípios brasileiros, sob o termo “securitização de créditos” recebíveis, tributários e não tributários. A prática consiste em transferir dívidas, em forma de crédito, a investidores. Especialistas nacionais e internacionais que participaram do evento apontaram que essa prática pode culminar em desvio de arrecadação, dentre outros esquemas fraudulentos.

“A dívida não é pública, mas financeira”

Para Maria Lucia Fattorelli, especialista em administração tributária, o sistema de dívida brasileiro “amarra” o modelo econômico e não permite novos tipos de mecanismos. “Em vez de termos modelos que priorizem emprego e desenvolvimento socioeconômico, temos um modelo que prioriza metas de inflação e se utilizm de instrumentos que não funcionam para controlar essas metas, como juros elevadíssimos e operações compromissadas”, explicou.

Fattorelli afirmou que a corrupção está intrínseca ao sistema brasileiro: “Essa dívida não deveria ser chamada de pública, porque não corresponde ao gasto público, mas deveria ser chamada de dívida financeira, pois foi gerada por quem lucrou com esses juros”.

É necessário se unir

Zoe Konstantopoulou, política grega responsável por criar uma comissão para realizar a auditoria da dívida da Grécia, elucidou sobre os principais pontos da crise financeira grega, e defendeu a necessidade de se unir contra qualquer tipo de culpabilização do povo brasileiro: “Em 2010, nos vimos obrigados a pagar uma dívida que não fizemos, mas essa realidade foi introduzida a nós de uma maneira perversa. A mídia nos bombardeava com a ideia de que se as pessoas não pagassem a dívida, o país se afundaria. Logo as pessoas criaram um grande movimento que basicamente dizia que o povo não pagaria por uma dívida não feita por eles”.



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