Realizado pela Procuradoria Especial da Mulher do Senado, o bate-papo aprofundou o debate sobre o “Cotidiano da Fotografia: Gênero e Memória”


A fotografia ganhou foco na segunda-feira (21), no auditório do Instituto Legislativo Brasileiro (ILB), durante o bate-papo que delineou técnica, estilos, abordagens e a perspectiva da mulher como fotógrafa profissional. O tema “Cotidiano da Fotografia: Gênero e Memória” foi o pontapé para o evento realizado pela Procuradoria Especial da Mulher do Senado Federal, pelo Programa Pró-Equidade de Gênero e Raça e pelo ILB, com apoio do Sindilegis. Participaram da mesa de debate os fotógrafos do Senado João Rios e Geraldo Magela, a professora da UnB Sinara Bertholdo e a fotógrafa Elizete Bomfim, com mediação da jornalista Ramila Moura. No último dia 19 de agosto, foi celebrado o Dia Mundial da Fotografia. 

A professora Sinara Bertholdo engrandeceu a discussão pautando a pequena participação das mulheres no mundo profissional da fotografia. “A fotografia ainda é um universo muito masculino”, afirma Sinara. Segundo a pesquisa da World Press Photo, de 2016, 85% dos fotógrafos profissionais são homens. Além da participação, o reconhecimento para fotógrafas como Dorothea Lange e Carol Guzy (única jornalista a receber o Prêmio Pulitzer quatro vezes e a primeira a receber o prêmio Newspaper Photographer of the Year) ainda é pequeno e quase inexistente. 

Acerca dessa realidade, a socióloga Eli Torres, que participou do evento, acredita que o problema está no inconsciente cultural da sociedade, onde ainda se acredita haver profissões para homens ou mulheres. “Partir do princípio do não lugar da mulher na fotografia e produzir esses questionamentos já é um grande avanço. Ninguém trouxe uma resposta pronta, mas isso gerou uma problematização. [...] As profissões e as remunerações ainda estão relacionadas às questões de gênero”. 


Quando o assunto é memória, a fotógrafa Elizete Bomfim emocionou os participantes ao mostrar seu trabalho, o livro “1062 – Sou assim, de vivências, de memórias e de recordações”. Uma curiosidade é que “1.062” é a soma da idade de todos os fotografados por Bomfim. Ela percorreu mais de 20 mil km no Brasil para registrar parentes idosos de sua família e, por fim, publicou o livro do projeto. 

Os profissionais também tiveram a oportunidade de apresentar seus projetos, como “Os jardins do Senado Federal: o passeio do dia a dia”, de João Rios, que documenta especialmente as ocorrências na área verde da Casa. Magela, por sua vez, trouxe à discussão o fotojornalismo, com fotografias marcantes de momentos políticos ocorridos no Congresso Nacional. 

O servidor do Senado, Gabriel Costa, também participou do evento e elogiou a ação: “É um tema que não costumamos ver [em debate] no Senado e desta vez foi abordado de forma ampla. Pudemos perceber, até mesmo nos corredores do Senado e nos jardins, coisas que não costumamos observar apesar de estarem presentes no nosso cotidiano. Sem dúvida, foi um prazer estar aqui nesta tarde”. 



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