Deputado que teve sua campanha financiada por bancos privados não se sentiu constrandigo em ser relator da PEC 287/16. Quando indagado em CPI, culpou servidores públicos e demonstrou pouca preocupação com os grandes devedores e sonegadores


O relator da Reforma da Previdência na Comissão Especial da Câmara, Deputado Arthur Maia (PPS-BA), desconsiderou todos os argumentos e as pesquisas realizadas por servidores especialistas na área previdenciária, na audiência da CPI da Previdência no Senado Federal, nesta terça-feira (29). 

Enquanto o relator da CPI, Senador Hélio José (PMDB-DF), lia as informações produzidas até então pela Comissão, que apontam para um diagnóstico sobre as contas da Previdência bastante diferente daquele propagado pelo Governo, Maia menosprezava os tópicos afirmando que os levantamentos eram advindos de servidores públicos ou de entidades de classe.

Diante dessa atitude, o presidente do Sindilegis, Petrus Elesbão, reafirmou que todas as ações para enfraquecer o servidor público só servem a um propósito: debilitar o serviço voltado para a sociedade. “O Deputado ignora o alto índice de qualificação dos servidores e especialistas que se dedicam à área da Previdência, apenas para fortalecer a ambição do Governo”, afirmou Elesbão, complementando que a esperança está no fato de que a sociedade já começou a questionar o real interesse dos que usam desta tática. 

O Deputado Arthur Maia afirmou que o problema do Brasil está no fato do Legislativo ser influenciado pelo corporativismo “dessas entidades” e, assim, protestou todas as perguntas enviadas por esses representantes, desmerecendo a opinião de muitos especialistas, professores de renomadas Universidades Federais e o exaustivo trabalho continuado realizado por entidades como o próprio Sindilegis e a Anfip (Associação Nacional dos Auditores-Fiscais da Receita Federal). 

Ao citar os servidores públicos, Maia tratou a categoria como “uma casta privilegiada” e deixou clara a visão que tem em relação aos seus direitos. 

O Senador Hélio José indagou o Deputado, afirmando que a PEC 287/16 já começou errada, pois não priorizou o debate social: “Não foi discutida com os conselhos, não tem amparo da sociedade e abruptamente foi trazida pela bancada do PMDB, onde há diversos Deputados que não votarão pela aprovação dessa PEC de forma alguma”.


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