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Aldo Rebelo pede crescimento, igualdade e democracia

Ex-ministro destaca a desigualdade social como um dos principais fatores para dividir o país

 

Crescimento econômico, a diminuição da desigualdade e o fortalecimento da democracia. Esses são os desafios para próximo presidente, de acordo com o ex-ministro Aldo Rebelo (PDT). Ele fez as primeiras falas do congresso PENSAR BRASIL – diálogo sobre trabalho, desenvolvimento e futuro. O evento acontece nos dias 12 e 13 de maio, no Museu do Amanhã (RJ), e tem transmissão online em www.pensarbrasil.com.br.

 

Aldo Rebelo considera que o Brasil vive um dos momentos mais difíceis da sua história e será necessário um esforço de reconstrução nacional: “Falta rumo e objetivo no país. Há uma desorientação geral. Precisamos voltar a ter objetivos nacionais permanentes. Objetivos que figuram acima das convicções e que proporcionam coesão nacional”, comentou. O Brasil, segundo o político, já foi dividido politicamente em outros momentos de sua trajetória, como na época da independência, da abolição da escravidão, ou da Proclamação da República. “Mas antes, eram grandes objetivos nacionais. Agora, discutimos a guerra cultural.”

 

Outro dos temas preferidos da atualidade, a estabilidade democrática do país, é, para o ex-ministro, outra maneira de desviar de pautas verdadeiramente importantes. “Não tem ameaça à democracia no Brasil hoje”, vaticinou, lembrando as diferenças entre o momento atual e o que aconteceu às vésperas da instauração da ditadura militar. “Em 1964, o golpe tinha apoio da CNBB, da grande imprensa, do empresariado de São Paulo, dos EUA e dos militares, que entraram por último.”

 

Ex-ministro no governo Lula e Dilma, Rebelo propõe que a Copa do Mundo foi um dos eventos mais sabotados dos últimos anos (ele era o ministro dos Esportes, no período). Dataria de 2014, portanto, segundo ele, o início da atual polarização extrema: “Hoje o debate presidencial trabalha na rejeição dos candidatos. O resultado prático é o aumento da rejeição de ambos.”

 

Rebelo fez muitas críticas ao setor financeiro – que, para ele, é um dos grandes responsáveis pela falta de crescimento econômico no país. “Tem que investir em industrialização, ciência tecnologia e inovação. Aproveitar a nossa fronteira agrícola e mineral”. Ele também lembrou da manobra legislativa que tirou Dilma Rousseff do poder, em 2016. “Em nome da luta política, se golpeou quem estava no poder, tudo bem – contra a Dilma valia.”

 

A desigualdade social, de acordo com Rebelo, é um dos fatores que contribui para dividir o país. E deve-se combater tal desigualdade não apenas na ponta, mas também no início, na educação. “A fila do posto de gasolina é a mesma, não importa se for eleitor do Lula ou de Bolsonaro. A fila do arroz, do posto de saúde para se vacinar contra o Covid. Isso unifica o país. Temos que encontrar uma solução para esse país aí, que é único. E a solução é voltar a crescer.”

 

*Sobre o PENSAR BRASIL*

O evento PENSAR BRASIL – Diálogo sobre trabalho, desenvolvimento e futuro, conjunto de debates e palestras que vai proporcionar até a sexta-feira (13) um diálogo aprofundado sobre as relações trabalhistas, o crescimento econômico e os desafios que o país enfrenta e enfrentará para crescer. A convenção tem entre seus convidados os pré-candidatos à Presidência da República Ciro Gomes (PDT), André Janones (Avante), Pablo Marçal (Pros) e Santos Cruz (Podemos), assim como nomes com larga experiência quando o assunto é o mercado de trabalho ou áreas correlatas, como a Justiça do Trabalho.

 

O evento foi criado pelo Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis), pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário e do MPU no DF (Sindjus), pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ) e pela Federação dos Comerciários do Estado de São Paulo (Fecomerciário-SP).