Perder um filho é, sem dúvida, uma das experiências mais dolorosas que alguém pode viver. Para a jornalista Rafaela Feliciano da Costa, filha de Ricardo Leal da Costa, servidor aposentado do Senado e filiado ao Sindilegis, essa dor se transformou em força, solidariedade e propósito. Após a morte da filha mais nova, Alice, em junho do ano passado, Rafaela criou o projeto “Alicerce do Bem”, uma iniciativa social que vem crescendo no Distrito Federal e inspirando outras mães e voluntários a também transformarem a dor em amor.
A origem do Alicerce do Bem
O projeto nasceu de uma perda devastadora. Alice faleceu em decorrência de uma miocardite aguda viral, uma rara e grave sequela da influenza. Quinze dias após apresentar um quadro gripal, sofreu uma parada cardíaca. O impacto dessa perda foi, nas palavras de Rafaela, um “chão que se abriu”.
“No momento da perda da Alice, meu chão se abriu, né? A perda dela foi, ainda é, e eu acho que vai ser, para sempre, uma das maiores dores da minha vida. No entanto, para tentar continuar a minha vida e continuar tendo algum propósito para conseguir levantar da cama e, enfim, seguir, porque eu tenho uma filha mais velha, eu tenho meus pais e a minha família, eu comecei a pensar no que eu poderia fazer para transformar toda aquela dor que eu estava sentindo em amor”, relata.
O nome surgiu em um sonho e logo tomou forma. “Alicerçar”, para Rafaela, significa sustentar — e também construir uma corrente do bem. A primeira ação do projeto ocorreu em 24 de novembro, data do aniversário de Alice. Foram entregues 60 marmitas de macarronada com suco de uva — os pratos preferidos de Alice — para crianças em situação de vulnerabilidade em Sobradinho 2.
Do gesto simbólico ao movimento crescente
A repercussão e a necessidade identificada foram tão grandes que o ‘Alicerce’ não parou. Rafaela e amigos passaram a organizar campanhas digitais no Instagram, arrecadando alimentos, brinquedos, cestas básicas, roupas e outros itens essenciais. No final do ano, as 60 marmitas se multiplicaram, e a ação atendeu 200 crianças.
Desde então, o projeto realiza ações sazonais: apoio a idosos, campanhas de arrecadação de fraldas geriátricas e infantis, e distribuição de suprimentos a escolas rurais. Uma das mais recentes ocorreu no Lago Oeste, beneficiando alunos de uma escola rural.
“E é isso que eu tenho tentado fazer, junto com outros voluntários, junto com outras mães que também perderam seus filhos e que também sentem a mesma dor que eu: tenho tentado unir forças e transformar toda essa dor em amor”, diz Rafaela.
Caridade como sobrevivência emocional: Rafaela é categórica: a caridade é seu modo de continuar vivendo. Em sua fala emocionada, ela revela como esse trabalho é, ao mesmo tempo, uma homenagem à filha e um caminho de cura.
“Quando você olha, vê que assim como a sua, existem outras dores que também fazem parte desse mundo. Você entende que todo o amor que uma mãe consegue sentir pelo filho, ele é capaz de ser compartilhado. E não é justo que isso tudo se torne dor, porque aquele filho não faz mais parte desse plano físico. Eu entendo que toda mãe carrega dentro de si, a partir daquele momento que ela se torna mãe, um amor multiplicado por dois. E nenhuma dor é capaz de apagar isso. Seria injusto da minha parte não dividir esse amor.”
Família como base do projeto
Outro pilar fundamental do Alicerce do Bem é o envolvimento familiar. A filha mais velha de Rafaela, Luiza, é presença constante nas redes sociais do projeto e participa ativamente das ações. Os pais, irmãs, tios — todos colocam a mão na massa, literalmente. São eles que cozinham, montam marmitas e organizam as entregas.
“A partida da Alice foi sentida não só por mim, mas por todos nós. Todos aqueles que estavam juntos com ela todos os dias, todos aqueles que faziam parte da vida dela. De certa forma, todo mundo sofre.”, afirma Rafaela.
O futuro do projeto: uma ONG itinerante: Com apenas sete meses de existência, o Alicerce do Bem já se prepara para um novo passo: transformar-se em uma ONG itinerante. A ideia é levar ajuda diretamente às comunidades do Distrito Federal que mais precisam, com o suporte de parceiros jurídicos que estão ajudando a formalizar a instituição. “Nós já temos alguns parceiros que são voluntários também na área do direito, na área jurídica, que já estão nos ajudando a tornar a nossa instituição uma ONG, porque o nosso objetivo é fazer com que o Alicerce seja um projeto itinerante que saia pelo Distrito Federal, levando a alimentação e levando todo o material necessário de sobrevivência às famílias vulneráveis”, explica Rafaela.
Além disso, o projeto já prepara novas ações, como uma campanha de doação de tênis para estudantes de uma escola rural no segundo semestre.
Como ajudar
O Alicerce do Bem se mantém por meio de doações e da força de voluntários. A principal plataforma de mobilização é o Instagram, onde são divulgadas as campanhas em andamento e as necessidades mais urgentes.
“O meu maior pedido é que sigam as redes sociais do Alicerce do Bem! Nós temos hoje uma base de mais ou menos dois mil seguidores e nós estamos sempre lá com alguma campanha” convida Rafaela.
Redes Sociais:
📱 Instagram do projeto: @alicerce_do_bem
👩💻 Instagram da fundadora: @rafafeliciano





