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Contlac debate desafios antidemocráticos nas Américas e resistência em tempos de crise

Na tarde desta quinta-feira (24), o auditório do Interlegis sediou o quinto painel do congresso que marca os 10 anos da Confederação de Trabalhadores Legislativos das Américas e do Caribe (Contlac). O debate focou no tema “Trabalhadores legislativos frente aos movimentos antidemocráticos nas Américas e no Caribe: Brasil, Trump, Milei, Canal do Panamá”. O presidente do Sindilegis, Alison Souza, foi um dos debatedores da conversa que analisou acontecimentos históricos, a influência da tecnologia e das redes sociais na narrativa propagada e a necessidade de reinvenção do movimento sindical global.

Durante o painel, Luís Alarcon, representante da delegação da Guatemala, apontou a corrupção e a impunidade como alguns dos principais desafios a serem superados para o desenvolvimento dos países da América Latina e do Caribe. O dirigente guatemalteco traçou um panorama sobre como a interferência estadunidense na política do país, culminando no golpe de 1954, foi motivada por uma combinação de interesses econômicos e temores da Guerra Fria.

Segundo Luís, as consequências foram profundas e duradouras, marcando a história do país com violência e instabilidade em governos de direita e de esquerda. Alarcon alertou sobre a importância da atuação dos sindicatos e dos servidores públicos na preservação da autonomia das instituições: “A classe política é detentora do poder para o bem e para o mal. Na Guatemala, os últimos quatro governos foram marcados por problemas de corrupção.” O painelista também reforçou a necessidade de dialogar com as novas gerações sobre esse histórico de luta. “É preciso denunciar e combater todos os esforços que impedem o desenvolvimento da América Latina”, concluiu.

Nicolás Vera apresentou o panorama argentino, explicando um cenário complexo com anos de corrupção, marcados por investigações de alto perfil envolvendo figuras políticas e empresariais proeminentes, incluindo casos relacionados a governos de esquerda e de direita. Para Nico, como é conhecido pelos colegas sindicalistas, na Argentina, a complexa realidade da violência financeira, que dita as condições de subsistência dos trabalhadores, não pode ser simplificada pela falsa dicotomia ideológica que polariza o mundo entre os “Estados Unidos como intrinsecamente maus e a China como inerentemente boa”. Para o dirigente sindical, diante dessa guerra ideológica e da pressão econômica, “a capacidade de um sindicato isolado em defender os direitos e as necessidades da classe trabalhadora argentina torna-se limitada, reforçando a urgência de uma escuta atenta e abrangente das diversas demandas que emanam da sociedade para construir soluções eficazes e justas”.

Karina Connell, da delegação panamenha, discorreu sobre o contexto específico de seu país em relação à recente crise envolvendo Estados Unidos e Panamá. Sob a perspectiva do povo panamenho, evoca memórias dolorosas de intervenções passadas e gera profunda preocupação com a soberania nacional. Segundo ela, a proposta do Secretário de Defesa dos EUA de restabelecer bases militares no Panamá e o tom de “retomar” o Canal do Panamá por parte do presidente estadunidense Donald Trump ressoam negativamente em um país que lutou arduamente para obter o controle total de seu território e do Canal do Panamá. Para Karina, “o respeito, a formação e a educação” são as melhores armas para garantir o desenvolvimento da região.

O presidente do Sindilegis, Alison Souza, refletiu sobre como Donald Trump implementou políticas que levaram a cortes significativos em programas federais, afetando áreas como proteção ambiental, saúde e assistência social. Alison também ressaltou como o presidente estadunidense tem buscado reduzir o tamanho do governo federal, promovendo a desregulamentação e a privatização de serviços públicos. Alison encerrou a discussão informando que, ao término do congresso da Contlac, a confederação deve encaminhar uma carta a entidades representativas de trabalhadores do parlamento americano, colocando a entidade à disposição para colaborar em propostas para reagir a esses movimentos antidemocráticos. “Torço para que consigamos, depois desse encontro, colocar tudo aquilo que nós estamos aqui debatendo em caminhos práticos e ações concretas para que o crescimento de todas as nossas instituições e entidades e que consigamos dar nossa contribuição ao mundo naquilo que nos cabe contribuir.”

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