O programa ‘Papos que Transformam’ realizou, nesta quinta-feira (28), um bate-papo virtual sobre os desafios da paternidade e a ampliação da licença-paternidade. Participaram da conversa Emerson Gonçalves, pai adotivo e ex-diretor da Associação Brasileira de Famílias Homoafetivas e Diego Silva, educador parental e fundador do projeto Parentalidade Preta. O encontro foi mediado pelo diretor de assuntos parlamentares do Sindilegis, Allan Castro.
O primeiro bloco do programa debateu o atual cenário da licença-paternidade no Brasil, hoje restrita a cinco dias para a maioria dos trabalhadores. No argumento por mais dias com o recém-nascido, Allan destacou evidências científicas que reforçam a importância do contato nos primeiros dias de vida, que inclusive facilita a formação de vínculos. “A criança ganha mais uma referência de afeto, mais segurança, e isso ajuda toda a família que está se formando”, disse.
Ele também comentou propostas em análise no Congresso Nacional que buscam ampliar a licença para 60 dias (os PLs 3773/2023, 139/2022, ambos tramitando no Senado, e o PL 6216/2023, tramitando na Câmara), com custo estimado em R$ 13 bilhões ao ano para a Previdência Social. Segundo ele, o valor deve ser visto como investimento. “A Previdência existe para repor renda em momentos em que não é possível trabalhar. A paternidade precisa ser reconhecida nesse sentido” afirmou.
Já Diego Silva afirmou que a presença ativa do pai impacta não apenas a família, mas também a sociedade e o ambiente de trabalho. “Um pai que cuida é um bom gestor. Tenho relatos de pessoas que melhoraram no trabalho e nas relações depois de viver a paternidade de forma ativa”, falou. Para ele, discutir a ampliação da licença é urgente. “Cada vez mais homens querem participar da vida da família. Esse tempo precisa existir para que isso seja real”, disse.
Diego ainda apresentou no debate o dado de que seis a cada dez pessoas no Brasil não têm o registro de pai em seus documentos. Além disso, criticou o estereótipo do pai por meio de uma perspectiva machista: “Ser pai não é ser rígido nem distante, isso nunca deu certo. Precisamos entender que o cuidado é humano, não de um gênero”, falou.
Já Emerson Gonçalves compartilhou sua experiência como pai adotivo e também compartilhou sua alegria na experiência da paternidade, que é necessária a intencionalidade. “O que transforma um pai é a busca por recursos e informação. A presença e o cuidado não vêm prontos, precisam ser construídos”, falou.
O ‘Papos que Transformam’ é uma série do Sindilegis que promove diálogos sobre etarismo, racismo, machismo e mais temas que são cada vez mais importantes na sociedade contemporânea. Os episódios estão disponíveis nos canais do sindicato. Fique ligado para acompanhar as novas edições.
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