O Sindilegis contatou a redação do jornal Folha de S. Paulo para solicitar espaço em que pudesse rebater as afirmações do texto que apontava que o corte salarial dos servidores públicos seria uma opção viável em meio à crise causada pela pandemia do coronavírus, argumentando que os gastos com folha de pessoal poderiam ser “não prioritários ou excessivos”. O presidente do Sindilegis, em carta resposta publicada hoje pelo jornal, refutou os dados e afirmou que o inchaço do Estado é uma fantasia sustentada em teses que já foram derrubadas. Petrus defendeu a manutenção dos salários de todos os trabalhadores e argumentou que tão importante quanto injetar dinheiro público para salvar empresas ou bancos é proteger a renda das pessoas: “Em tempo: alguém questionou a ajuda de R$ 1,2 trilhão aos bancos? Realmente esse montante era necessário?”.
Leia o texto na íntegra abaixo ou acesse o este link para a publicação no site da Folha:
Recursos preciosos” são as pessoas. O centro da economia é o ser humano
O editorial da Folha de S. Paulo publicado nesta segunda-feira, 30/03, sob o título “Recursos Preciosos” possivelmente levará o leitor a acreditar que o grande responsável pelo desiquilíbrio das contas públicas frente à crise causada pelo novo coronavírus é a folha de pagamento de pessoal do serviço público e que, em algum momento, todos terão que arcar com sua parcela de sacrifício diante do quadro de emergência. Nos preocupa muito essa linha de raciocínio que, além de colocar a manutenção do serviço público, voltado à população, como “não prioritários ou excessivos”, quer se sustentar em teses que já foram derrubadas, como as que supõem que o estado está inchado e que o gasto com o pagamento de servidores está entre os maiores do mundo.
Tomando por referência países europeus, EUA e Japão, o núcleo da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontou em estudo recente que, mesmo em meio ao declínio das políticas do Estado de Bem-Estar Social praticadas nas décadas anteriores, o Estado brasileiro tributa e emprega menos do que a média internacional: em 2015, a carga tributária bruta no Brasil, nos três níveis de governo, chegou a 35,6% do PIB contra 42,4% da média da OCDE; enquanto isso, os empregados no setor público brasileiro, novamente nos três níveis da federação, somaram 12,1% da população ocupada contra uma média de 21,3% na OCDE.
Quando se fala de gastos da União com servidores, chega-se à conclusão de que o gasto recente, medido em proporção do PIB, está próximo da média histórica sem apresentar tendência alguma à explosão ou descontrole. Em 2018 as despesas com pessoal e encargos na União somaram 4,4% do PIB, o mesmo percentual de duas décadas atrás e menor do que a cifra média alcançada nos anos de 2000 a 2009. O percentual da folha em relação ao PIB caiu para 3,8% em 2014, voltando a subir no período recente em razão: a) do fraco desempenho do PIB entre 2015 e 2018; e b) da recomposição parcial de remunerações entre 2016 e 2019. E, mesmo depois de 2014, já em um cenário de estagnação econômica e perda de receitas, não houve explosão de gastos com ativos relativamente ao PIB ou à receita corrente líquida.
A categoria não se exime de dar sua cota de sacrifício, até porque servir à sociedade é seu motivo de ser, mas teme ser transformada em bode expiatório numa situação tão sensível quanto esta, com propostas que fragilizam o serviço público, amplificam a retirada de direitos dos trabalhadores e diminuem o fôlego da própria economia. É crucial lembrar que os trabalhadores, tanto do serviço público quanto do privado, são consumidores e que as empresas precisarão vender seus serviços e produtos.
Somos favoráveis à manutenção de salários de TODOS os trabalhadores. Tão importante quanto injetar dinheiro público ou conseguir crédito barato para salvar empresas, por exemplo, é proteger a renda das pessoas, consumidores em última instância, para evitar um colapso econômico e convulsão social. Em tempo: alguém questionou a ajuda de R$ 1,3 trilhões aos bancos? Realmente esse montante era necessário?
Petrus Elesbão, Presidente do Sindilegis



Gostei muito da sua carta, nós não somos os violões da história, eles tem sim que parar as roubalheiras e todas as empresas deste país pagar os seu impostos, assim como nos funcionários públicos, parabéns a você e equipe.
Perfeito Petrus, muito boa e oportuna sua resposta à reportagem da Folha de São Paulo.
Parabéns, você nos representa muito bem!
Abraços!
Lênia Maia Pacheco
[email protected]
Sindicato sério e de verdade é o que se preocupa e defende seus filiados, estamos muito bem representados, grato
Parabéns Petrus pela defesa dos salários dos trabalhadores. É inaceitável que em momento de crise alguns políticos queiram aproveitar-se da situação p reduzir os salários dos servidores públicos e fazer média junto ao seu eleitorado.