Nesta semana, 11 delegações latino-americanas e caribenhas desembarcaram em Brasília para o Congresso da Confederação dos Trabalhadores Legislativos das Américas e do Caribe (Contlac), que acontece pela primeira vez no Brasil, realizada pelo Sindilegis.
A programação teve início na terça-feira (22), com a realização do Encontro da Rede de Mulheres Legislativas Sindicalistas das Américas e do Caribe. O evento destacou a importância da Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que trata do enfrentamento à violência e ao assédio no ambiente de trabalho. Durante o encontro, os participantes reforçaram a urgência de institucionalizar a pauta de gênero na Contlac, propondo a criação de uma secretaria específica para essa finalidade. A definição da estrutura e da missão desse novo órgão será debatida ao longo do ano, com a votação oficial prevista para o próximo congresso, em 2026.
Segundo Federico Davila, da delegação argentina, o encontro foi fundamental para garantir que a gestão assegure a inclusão real das mulheres e da juventude no movimento sindical. Ele ainda prestou homenagem ao Papa Francisco, ressaltando seu papel na defesa dos excluídos e na promoção da inclusão social.
Representando o Brasil, estiveram presentes as diretoras Fátima Mosqueira, Magda Helena, Mônica Ramos e Érica Ceolin. A delegação brasileira também apresentou e fez a entrega dos livros ‘Como Não Ser um Babaca’ e ‘Como Não Ser Racista’, produzidos pelo Sindilegis.
Nesta quinta-feira (24), o congresso deu início à discussão com a mesa “Interseccionalidade e Equidade Trabalhista: 1º Congresso de Trabalhadores Afro na América Latina e no Caribe”. O painel reuniu representantes do Brasil e da Argentina: Cristina Aguiar Ferreira, Tamara Barbará, João Domingos, Luis André, Mônica Ramos e Federico Davila.
A diretora social e esportiva Mônica Ramos apresentou o livro “Como Não Ser Racista”, uma obra que convida todos a revisar atitudes, práticas e conceitos profundamente enraizados em uma sociedade ainda marcada pela exclusão, promovendo o letramento e a autocrítica.
Durante a apresentação, Ramos também discutiu o racismo estrutural e destacou o papel fundamental de cada indivíduo na luta antirracista. O livro está disponível gratuitamente em formato digital no site naosejaumracista.com.br. Vale a pena conferir!
O debate abordou a integração das comunidades afrodescendentes, indígenas e asiáticas na construção de uma identidade latinoamericana mais inclusiva e plural. A professora Cristina Aguiar chamou a atenção para a discrepância salarial entre homens brancos e mulheres negras no serviço público, citando dados do Ipea de 2021: “Enquanto um homem branco recebe cerca de R$ 17 mil por mês, uma mulher preta recebe, em média, R$ 9 mil”. Ela também destacou a importância dos recortes interseccionais de gênero e raça na formulação de políticas públicas: “A virada de chave dos trabalhadores ocorrerá pelas mulheres negras”.
Tamara Barbará, da delegação da Argentina e presidente da Comissão Afrodescendente da Associação de Pessoal Legislativo (APL), defendeu o fortalecimento de um sindicalismo antirracista e cobrou maior respaldo internacional à pauta. Luís André, da União Internacional Sindical do Serviço Público, mencionou os limites da representatividade nos cargos de liderança e a importância de iniciativas como a Lei de Cotas.
O presidente da Confederação dos Servidores Públicos (CSPB) João Domingos, por sua vez, anunciou a realização do 1º Congresso Internacional de Trabalhadores e Trabalhadoras Afrodescendentes este ano, com apoio da Contlac. O evento será voltado não apenas a pessoas negras, mas também a quem estuda e se engaja com a pauta.
Barbará resumiu o encontro: “A informação é uma ferramenta poderosa para combater o preconceito e fortalecer nossas lutas”.
Confira as fotos do segundo dia do Congresso da Contlac aqui.





