Mais do que trabalho, paixão!

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Foi o que ouvi certa vez: se conhecê-la, vai se apaixonar. Vai querer vê-la todos os dias. E haverá dias em que você duvidará dela. Irá questioná-la, achá-la retrógrada, mas, na maior parte do tempo, vai lutar para que ela continue sendo a direção dos nossos rumos, da sua e das nossas vidas, e a de todos os que dela precisam.

Lembro-me do dia em que me apaixonei por ela. Desconfiado, sentei-me numa carteira escolar e ouvi, pela primeira vez, o professor falar sobre a Constituição Federal. Começou a articular numa língua estrangeira que, inesperadamente, passei a entender. Numa conexão humana e quase mágica, a comunicação havia acontecido.

Ele falava das leis, eu imaginava o mundo. Não o mundo distante e grandioso demais para tocar, mas aquele que me abraça todos os dias. Foi então que meu rumo foi definido. E, a partir dali, minha luta começou. Quem nunca virou uma noite dedicando-se às leis que atire o primeiro Vade Mecum. Elas, que norteiam nossa sociedade, fazem hoje parte do que sou.

Mal amanhece e já consigo observá-la no caminho que trilho até o trabalho: no local em que estaciono, na minha filha, que já aprendeu a fazer o sinal na faixa de pedestre, na cidade, que funciona como uma engrenagem. No meu trabalho, então, nos encontramos intensamente: no processo que chega, nas folhas e arquivos que ocupam todo os meus pensamentos, no intervalo para o café em que penso sobre os desafios que se multiplicam, na conversa entre os amigos que fiz e que partilham comigo das lutas diárias. Chega o fim do dia e, ainda que com as vistas cansadas, posso observá-la em todos os lugares.

O que nunca deixo de pensar é em como ela muda as nossas vidas. Como mudou a minha, mas também em como transforma a vida de pessoas que não conheço, nunca abracei e muito menos sei o nome. João, Maria, Fábio, Alice e o Bento, que acabou de nascer. Todos eles darão passos norteados pelas leis, ainda que demorem a entender isso.

Um dia, o Bento, filho da minha prima, vai se sentar numa carteira escolar e vai ouvir falar sobre ela. Assim como aconteceu comigo. Naquele dia, talvez, ele se apaixonará por essa norteadora da sociedade. Ou não. Mas ele saberá: ela existe. Existe por mim, por ele, pela mãe dele, e por todos nós. E mais do que isso, o Bento entenderá que há pessoas que trabalham diariamente mergulhados nessa língua quase estrangeira para garantir que ele seja tratado com igualdade, respeito e humanidade.

Por isso, a definição do servidor público preguiçoso nunca me atinge. Porque sou eu, que ao acordar todos os dias, vivo minha paixão e a transformo em melhoria para milhões de brasileiros. Porque é pra isso que o meu trabalho existe e é por isso que me esforço diariamente. Para que pessoas como o Bento possam viver bem. E é quando penso no Bento, e na minha filha fazendo o sinal da vida na faixa de pedestre, que toda luta e conquistas fazem sentido.

Não importam o quão diferentes foram os caminhos que nos trouxeram até aqui, mas chegamos ao mesmo ponto. A um encontro em que as nossas ações diárias se multiplicam como o efeito de um empurrar da primeira peça da fileira de dominó. Um acerto, muitos acertos. Um erro, muitos erros. Uma grande responsabilidade para um pequeno homem e uma pequena mulher, que, um dia, foram apenas mais um sentados numa carteira aprendendo a engrenagem da sociedade.

A você, servidor, que escolheu fazer das leis o seu trabalho: o Sindilegis só tem a agradecer e desejar um feliz e merecido Dia do Trabalhador.

*Autora: Luísa Dantas – Jornalista do Sindilegis 

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