“O Brasil vive uma estagnação secular”

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Especialistas debateram o momento de desindustrialização e de crise enfrentado pela economia brasileira durante o congresso PENSAR BRASIL

O Brasil vive um momento de estagnação, de desindustrialização, de crise, enfim, quando o tema é a economia brasileira. Foi tentando propor novos caminhos que dois professores de economia participaram da segunda mesa da manhã desta sexta-feira (13 de maio) no evento Pensar Brasil – Diálogo sobre trabalho. Marina Szapiro, professora do Instituto de Economia da UFRJ, e Fernando Ferrari Filho, e professor titular aposentado do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFRS, foram unânimes em dizer que os caminhos percorridos pelo Brasil atualmente parecem apenas indicar que a crise não vai passar tão cedo.

Ferrari Filho sugere que, desde 2015 o Brasil vive uma estagnação secular, expressão do ex-presidente do FED (uma espécie de Banco Central norte-americano), Larry Summers. Quer dizer que os aumentos da taxa de juros, comumente vistos como incentivadores do crescimento econômico, não funcionampara nos alavancar ou atrair investimentos suficientes.


Ele elencou oito motivos para o país estar nessa situação:
políticas fiscais e monetárias ortodoxas, com o reforço tripé macroeconômico; a operação Lavajato, que atingiu principalmente o investimento público e a Petrobras; o impeachment da presidenta Dilma Rousseff, que aumentou a crise política institucional; a aprovação de novo regime fiscal, que engessa o orçamento; as reformas liberais – trabalhista (2017) e previdência (2019); a Lei de liberdade econômica; a independência do Banco Central em 2019; e a covid 19, o único fator sem influência direta do governo e das políticas econômicas. “O resultado? Desindustrialização e dependência de commodities”, comentou.

Conclusão similar à chegada pela professora Marina Szapiro. Para ela, houve um crescimento dos protecionismos por parte dos países ricos, com subsídios a empresas domésticas. “Houve aumento da política de controle de capital estrangeiro em setores estratégicos. Uma proteção de setores e empresas nacionais que viraram alvo de empresas estrangeiras, para fusão e aquisição. Ente os principais setores estão a saúde, com biotecnologia e infraestrutura de saúde.”

Marina mencionou também as ‘políticas de reshoring, uma reconfiguração das cadeias globais de valor, trazendo de volta para casa etapas do processo produtivo. Tal processo afeta diretamente a capacidade brasileira de se inserir, como até pouco atuava, no sistema econômico internacional, já que o Brasil atuava exatamente dentro desse processo de internacionalização da produção industrial. Para não parecer que não há saída, Szapiro sugeriu o fortalecimento do sistema saúde universal, atitude que, segundo ela, ficou ainda mais urgente após a pandemia. “Precisamos de uma base produtiva funcionando. Além disso, precisamos investir em mobilidade urbana, em educação e em sustentabilidade. Não podemos concorrer com a Alemanha em tecnologia de ponta, mas devemos saber como nos inserir no processo.”

Ferrari Filho também apontou caminhos para nos movermos, caminhos que ele sugere que sejam adotados pelo próximo presidente. “Precisamos elaborar uma agenda econômica propositiva em que haja sinergia entre Estado, mercado e instituições. E precisamos de um pacto social com políticas programáticas”, concluiu, lembrando que é preciso ainda de um Estado indutor do crescimento, regulador, mitigue as falhas do mercado e estabilizador da dinâmica econômica.

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