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Pesquisa aponta que 47% dos brasileiros evitam falar sobre voto em casa para evitar conflitos

Uma pesquisa inédita da Hibou Pesquisas e Insights investigou como questões de gênero e comportamentos associados à misoginia influenciam as relações dos brasileiros com o voto e as escolhas políticas. O levantamento foi realizado para a plataforma Red é de Sangue, apoiada pelo Sindilegis, e ouviu 1.449 eleitores brasileiros, entre 1º e 4 de setembro de 2026. Os resultados mostram que 47% dos brasileiros já deixaram de comentar sobre política ou declarar o próprio voto para evitar conflitos em casa.

A pesquisa também aponta que 22% dos homens consideram aceitável que o parceiro tente convencer insistentemente a companheira a mudar o voto. Entre as mulheres, o índice é de 10%. Além disso, 25% dos homens concordam, total ou parcialmente, que “homens são mais centrados e votam melhor do que mulheres”. Já 20% concordam que “mulheres são mais emocionais e isso pode atrapalhar suas decisões políticas”.

Outro dado mostra que 67% dos brasileiros já ouviram alguém dizer que uma mulher “não sabe votar” ou “vota com o coração”. Já 47% acreditam que existe atualmente um movimento que tenta desestimular ou deslegitimar o voto das mulheres.

O voto da mulher ainda é assunto de casal

73% dos brasileiros consideram que cônjuges ou parceiros não devem votar sempre no mesmo candidato. Outros 18% dizem que isso depende da situação e 9% entendem que o casal deve votar no mesmo candidato.

Quando questionados sobre quem deve ter mais peso na decisão de voto dentro de um casal, 79% apontam que a própria pessoa deve decidir. O índice é de 84% entre os homens e 75% entre as mulheres.

Contradições na percepção sobre homens e mulheres

Apesar de 98% dos homens afirmarem que homens e mulheres tem a mesma capacidade de avaliar candidatos e propostas políticas, 70% dos brasileiros reconhecem que uma mulher que expressa uma opinião política forte é mais chamada de “histérica”, “emocional” ou “desequilibrada” do que um homem na mesma situação. Nas redes sociais, 47% dos brasileiros afirmam já ter visto conteúdos dizendo que mulheres não deveriam votar ou são facilmente manipuláveis.

As falas e posições machistas dos candidatos também pesam de forma diferente para homens e mulheres. 80% das mulheres afirmam levar esse aspecto em consideração na hora de votar, enquanto entre os homens o índice é de 63%. Outros 11% das mulheres e 14% dos homens dizem considerar o comportamento machista do candidato às vezes.

Para efeito de comparação, 96% dos brasileiros afirmam que deixariam de votar em um candidato com histórico de corrupção. No caso de um candidato com histórico de violência contra a mulher, o índice é de 89%.

“É a misoginia do voto, um conjunto de crenças enraizadas e normalizadas que permeiam movimentos contra o voto feminino nas redes sociais, encabeçados por influenciadores Red Pill”, afirma Ligia Mello, CSO da Hibou e coordenadora da pesquisa.

Red é de Sangue

A plataforma “Red é de Sangue” reúne conteúdos educativos, tutorial para denúncia de ódio online e acesso a grupos de reflexão.

“A misoginia não vive só nas redes. Ela está na forma como o voto da mulher ainda é tratado como assunto coletivo, como algo a ser negociado ou convencido. Comunicação é nossa ferramenta de enfrentamento, e esses dados mostram por que ela ainda é urgente”, afirmou Ana Beatriz Schauff, CEO da Fresh PR e idealizadora da plataforma.

Os dados são da pesquisa realizada pela Hibou exclusivamente para a Red é de Sangue, com apoio da HeForShe, movimento global da ONU Mulheres que engaja homens e meninos pela igualdade de gênero, Sindilegis e Grupo MEMOH.

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