Sindilegis Indica: conheça os cordéis do servidor do TCU Marcos Valério Araújo

Neste mês de outubro, quando se celebra em 8 de outubro o Dia do Nordestino, o Sindicato abre o ‘Sindilegis’ Indica com uma recomendação especial: mergulhar nos cordéis de Marcos Valério Araújo.

Natural de Natal (RN) e residente em Campinas (SP), Marcos construiu uma trajetória marcada pela pluralidade. Servidor aposentado do TCU, ele também é escritor e compositor, transitando por diferentes gêneros literários e musicais.

Entre seus trabalhos publicados, estão obras que exploram a poesia popular nordestina. Destacam-se títulos como ‘Cordel dos Dedos’, ‘O Congresso das Aves’, ‘Entre a Cruz’ e o ‘Esquadro e Romance de Velocidade’.

Em Cordel dos Dedos, por exemplo, ele convida o leitor a interagir, sugerindo temas que ganham vida em rimas organizadas em septilhas.

Na última edição do Sarau Sindilegis, o autor participou e também compartilhou um de seus cordéis: O Julgamento de Sócrates. Confira a seguir:

O Julgamento de Sócrates
(Cordel universitário)

Marcos Valério de Araújo

POR ENFRENTAR PODEROSOS
SÓCRATES FOI CONDENADO
A UM PORRE DE SICUTA
Foi Ânito quem presidiu
O nefasto tribunal
Logo ele, general
De temerária conduta,
Conduziu a acusação
Por caminhos tortuosos
Meleto, reles poeta
De deslustrada poesia
Apontou pedofilia
Sem prova absoluta
E acusou por pura inveja
Com libelos enganosos
POR ENFRENTAR PODEROSOS
SÓCRATES FOI CONDENADO
A UM PORRE DE SICUTA
Aristófanes, no palco
De seu teatro bufão
Fez de Sócrates charlatão
Atiçando a disputa
Fazendo dos achincalhes
Estilhaços amargosos
Surgiu também o Licão
Um orador da elite
À mercê da “juizite”
Propôs uma pena bruta
Pro sábio, só por ter outros
Princípios religiosos
POR ENFRENTAR PODEROSOS
SÓCRATES FOI CONDENADO
A UM PORRE DE SICUTA
Alcebíades, intrujão
Que amava uma lapada
Fez por pura presepada
Uma acusação biruta
Empurrando nosso sábio
Pra desfechos escabrosos
Quando terminou a farra
Da injusta decisão
No Banquete de Platão
Prosseguiram na labuta
Lá os vis acusadores
Festejaram asquerosos
POR ENFRENTAR PODEROSOS
SÓCRATES FOI CONDENADO
A UM PORRE DE SICUTA

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