Um dos autores do aclamado livro “Como as Democracias Morrem”, Steven Levitsky participou nesta terça-feira (12) do seminário “Democracia em Perspectiva na América Latina e no Brasil”, no Auditório Petrônio Portella do Senado Federal. Levitsky apresentou a fragilização e o fortalecimento de democracias no continente, tendo como pano de fundo os desafios dos tempos atuais.
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Estiveram presentes no evento parlamentares, autoridades representantes dos Três Poderes e diplomatas de diversos países. O vice-presidente do Senado, Humberto Costa (PT-PE), o senador e presidente do Conselho Editorial do Senado, Randolfe Rodrigues (PT-AP), e a deputada e ex-aluna de Levitsky em Harvard, Tabata Amaral (PSB-SP), abriram o seminário, que contou ainda com a presença da diretora-geral da Casa, Ilana Trombka; e o secretário-geral da Mesa, Danilo Aguiar, entre outros. O Sindilegis, representado pelo presidente Alison Souza, também marcou presença no evento.
De acordo com o autor, o Brasil atualmente possui instituições mais fortes e democráticas do que as dos Estados Unidos. Segundo ele, isso se deve a uma memória coletiva brasileira do autoritarismo, algo que os americanos nunca vivenciaram.
Levitsky apontou em sua fala que os autocratas populistas têm ameaçado as democracias, visto suas imposições sobre as instituições quando estão no poder. Argumentou que há maneiras de os Estados se defenderem da ameaça autocrática, começando pelas barreiras que devem ser postas pelas instituições e, em último caso, pela própria sociedade. “Se as instituições não impedirem os populistas de integrarem as eleições, se os políticos não impedirem, a sociedade civil, os artistas, a igreja precisam defender normas democráticas”, falou.
Segundo o autor, a força democrática do Brasil seria mais forte que a americana por conta da memória coletiva brasileira de períodos antidemocráticos. “Os Estados Unidos não têm memória coletiva de autoritarismo, nunca tivemos uma ditadura. A maioria dos americanos não entendem a ameaça que estamos enfrentando, eles não acreditam que o autoritarismo pode acontecer por lá, enquanto os brasileiros não têm essa ilusão. Isso pode explicar porque o poder político respondeu de uma forma muito mais séria a essa ameaça”, disse. “Até as democracias mais bem estabelecidas podem morrer. Essa é a lição que nós americanos estamos aprendendo agora, e isso é o que os brasileiros nunca devem esquecer”, concluiu.
O evento também marcou o lançamento da coletânea Democracia Ontem, Hoje e Sempre, composta de quatro livros reeditados pelo Conselho Editorial do Senado que revisitam momentos marcantes da história política brasileira: análises e documentos sobre o golpe de 1964, a crise democrática e a polarização política, o movimento das Diretas Já e um álbum fotográfico inédito com imagens da radicalização e dos bastidores que levaram à deposição de João Goulart.
O Sindilegis parabeniza o Senado e todos os servidores envolvidos na realização de um evento que lança luz ao fortalecimento democrático, tema tão caro para o Sindicato e para a sociedade brasileira.





