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Atuação dos servidores do Senado e da Câmara no dia 8 /1 é relembrada um ano após ataques

No aniversário de um ano dos ataques às sedes dos Poderes brasileiros, um ato marcou a tarde desta segunda-feira, 8 de janeiro: o “Democracia Inabalada”. O evento teve como propósito relembrar os momentos críticos vividos há exatamente um ano, naquele 8 de janeiro de 2023, e destacar a força e a importância dos servidores do Senado Federal e da Câmara dos Deputados durante o dia das invasões.

A atuação corajosa dos servidores das Casas foi lembrada e enaltecida por diversas autoridades presentes no evento, incluindo o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Em seu discurso, Lula enalteceu o trabalho das polícias Legislativas da Câmara e do Senado. “Aproveito para as policiais legislativas da Câmara e do Senado que, mesmo em minoria, recusaram-se a admitir golpe e arriscaram suas vidas no cumprimento do seu dever”.

A mesa solene contou com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, o presidente do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, o ministro e presidente do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barroso, a ministra aposentada e presidente do STF na época dos ataques, Rosa Weber, o ex-presidente José Sarney, o ministro do STF, Alexandre de Morais, e a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra. Governadores de Estado, deputados e senadores também estiveram presentes, demonstrando a importância do evento para a democracia brasileira.

O Sindilegis, representado pelo presidente Alison Souza e pelo secretário-geral, André Galvão, esteve presente no solenidade, que aconteceu no mesmo local onde a Entidade, junto com servidores das Casas Legislativas, liderou o ato “O caminho inverso: Ato pela democracia” um mês após os ataques.

Durante o evento, o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), juntamente com Alison Souza e André Galvão, cumprimentou todos os servidores do Senado e da Câmara. Randolfe destacou a atuação heroica dos policiais legislativos: “Eu testemunhei a atuação heroica dos policiais legislativos da Câmara e do Senado. Se não tivessem impedido os algozes da democracia, o estrago teria sido maior”.

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Representantes norte-americanos endossam ato democrático no Congresso Nacional

O ato realizado ontem (8), no Congresso Nacional, um mês após as invasões das sedes do três poderes, contou com o apoio, também, de autoridades e representantes estrangeiros, que se solidarizaram com os servidores e com os cidadãos brasileiros, após a democracia do país ser ameaçada. Por meio de vídeos enviados para serem exibidos durante o ato “O caminho inverso”, realizado no salão negro do Congresso Nacional, diversas autoridades internacionais demonstraram apoio aos brasileiros e ao Estado democrático de Direito.

Além da ex-servidora do congresso americano e membro do Capitol Strong, Marcis Harris, que esteve presencialmente no evento, mandaram suas homenagens por vídeo: o Secretário Geral das Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro; Brian Baird e Jim Gerlach, ex-membros do Congresso dos EUA; e Mark Stooder, predidente da XCential Tecnologias Legislativas.

Brian e Jim Gerlach vieram de partidos diferentes, mas juntos, demonstraram pesar pelos ataques ao Congresso e se solidarizaram com os servidores. “meu nome é Brian Baird e eu sou um ex-membro do Congresso dos EUA. “Jim e eu viemos de partidos políticos diferentes, mas gostaríamos que vocês soubessem que nos solidarizamos absolutamente com o povo brasileiro. Nosso suporte e sentimentos estão com o membros do Congresso, com os servidores, com as polícias legislativas e todos aqueles que servem ao Governo e ao povo do Brasil”, disse Brian.

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Mark Stooder, presidente da XCential Tecnologias Legislativas, falou sobre o processo de superação dos estadunidenses, dois anos após os ataques ao Capitólio. “Aqui nos EUA, enquanto os prédios do nosso Congresso foram rapidamente reformados, estamos começando o nosso terceiro ano de investigações, análises, debates e processos daqueles que violaram a lei no ataque. Eu acredito que vocês vão seguir o mesmo caminho. Também tivemos dois anos para lidar com o trauma emocional do dia. Para muitos que estavam nos prédios do Congresso no dia 6 de janeiro, esse tem sido o maior desafio.”

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Secretário-Geral das Organização dos Estados Americanos (OEA), Luis Almagro também prestou solidariedade e falou sobre a necessidade de estarmos sempre alertas para que forças antidemocráticas não atuem”. Forças antidemocráticas atuam em nosso hemisfério e devemos estar alertas. Alertas às manifestações de ódio, de pensamentos contrários. Alertas à manifestações ultranacionalistas que se apropriam dos símbolos pátrios como se pertencessem apenas a eles. Alertas às campanhas de manipulação através de notícias falsas. Alertas e atuando para promover e defender as instituições democráticas. E a melhor forma de fazê-lo é a partir das próprias instituições, como hoje, desde o Congresso Nacional”.

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No gramado do Congresso Nacional, servidores dão as mãos em volta de bandeira com a palavra democracia

O que tentaram destruir no dia 8 de janeiro, com as invasões as sedes dos três poderes, os servidores reconstruíram, com trabalho e resiliência. É por essas pessoas, por Instituições fortes e por um Estado democrático de Direito inquebrantável que, neste dia emblemático, após um mês dos ataques, o Sindilegis se uniu aos servidores das Casas Legislativas e realizou, na tarde desta quarta-feira (8), um ato em defesa da democracia, que começou no Salão Negro e terminou no gramado do Congresso Nacional, com um abraço coletivo em volta de uma bandeira gigante com a palavra democracia.

O sol forte e um belo céu azul em nada lembravam aquele dia 8 de janeiro, sombrio e tenebroso, e estabeleceu uma conexão perfeita com a ideia do ato: “O caminho inverso: ato pela democracia”. Organizado pelo Sindilegis, o ato simbólico tinha o objetivo de repudiar a depredação das sedes dos poderes. Em seu discurso, o presidente do Sindicato, Alison Souza, prestou homenagem aos servidores das Casas Legislativas pelo trabalho realizado para fazer com que o Congresso Nacional pudesse retomar suas atividades o mais rápido possível após as invasões. “Estar aqui hoje é um dever cívico. Este ato, organizado pelos servidores e entidades que os representam, ficará marcado para a história da democracia brasileira. A todos os servidores do Congresso e TCU, temos muito orgulho de representá-los. Pela bravura e, sobretudo, pelo espírito democrático”, disse.

O trabalho dos servidores na reconstrução dos espaços, das obras de arte, na segurança e limpeza foram lembrados também por parlamentares que estiveram presentes. Senadores e Deputados renderam homenagens aos trabalhadores que, com plena dedicação, mantiveram a democracia de pé. Assim como o presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), que no plenário do Senado Federal elogiou a iniciativa do ato e também agradeceu os servidores. “Hoje os servidores do Congresso Nacional fizeram um ato pela democracia e pelo Brasil. Um grande encontro organizado pelo Sindilegis, que representa os servidores de ambas as casas do Legislativo, a quem essa Presidência rende homenagens. Nós, senadores, agradecemos o apoio e a dedicação de todos. Quero dizer às brasileiras e brasileiros, a todos que respeitam as nossas instituições que a nossa democracia está de pé e sai, ainda mais forte, desse lamentável acontecimento.”

Todos que participaram do ato se reuniram no salão negro, local simbólico por ter sido o primeiro espaço invadido. Logo no início do evento, foi feito um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do terremoto na Turquia e na Síria. Mais adiante, uma salva de palmas homenageou os funcionários da limpeza, que encontraram um prédio devastado e, em pouco tempo, o deixaram novamente habitável.

Diretor de Segurança da Câmara, Adilson da Paz

A atuação dos policiais legislativos, que agiram com bravura, também foi lembrada. O coordenador-Geral da Secretaria de Polícia do Senado Federal, Gilvan Viana Xavier, e o diretor de Segurança da Câmara, Adilson da Paz, falaram aos presentes sobre o que viveram e as consequências disso. Adilson mostrou-se orgulhoso com os homens e mulheres que comandou no dia da invasão e que jamais imaginou que algo tão hostil pudesse acontecer. “Sinto-me bastante orgulhoso dos homens e mulheres que atuaram naquele dia, com coragem e destemidos. Sem saber se voltariam para casa. Jamais poderia imaginar o que aconteceu no dia 8 de janeiro, mas os ataques serviram para fortalecer as instituições do país”. E finalizou traduzindo o sentimento não só dos policiais legislativos, mas de todos os servidores da Casa e de todo cidadão brasileiro que refuta atos de violência e contra o Estado democrático de Direito. “Agradeço por esse momento de estar, não comemorando a invasão, mas a democracia. Unidos somos mais fortes”, finalizou.

Representantes de entidades norte-americanas participam de ato pela democracia

Marci Harris em seu discurso no ato pela democracia

No dia 6 de janeiro de 2021, os servidores do Congresso americano e o mundo foram surpreendidos com a invasão do Capitólio, dias antes do presidente Joe Biden tomar posse. Após os ataques ao Congresso brasileiro, aqueles que sentiram na pele a mesma angústia estenderam a mão. Marci Harris, ex-servidora do Congresso americano e uma das fundadores do grupo Capitol Strong, veio ao Brasil para compartilhar experiência e prestar solidariedade. “Aqui estamos em solidariedade. Ficamos honrados em estarmos aqui, de receber o convite de compartilhar as nossas lições desde o dia 6 de janeiro de 2021, quando também fomos invadidos. Hoje completa 30 dias desta jornada terrível que passaram, no caminho da recuperação. Vocês não estão sozinhos. Honramos suas forças e resiliência. Estamos juntos, vocês e o Capitol Strong”, disse Harris.

O Capitol Strong é uma coalização que reúne diversas organizações da sociedade civil norte-americana e foi criado após os ataques ao Capitólio com o objetivo de fortalecer a democracia, a instituição do Congresso americano e os servidores. O Capitol Strong atua como um canal informal de informações sobre as necessidades e experiências daqueles que foram afetados pelo ataque. Além disso, trabalha em conjunto para fornecer recursos para funcionários do Congresso em todos os níveis, ao mesmo tempo em que realiza diálogo significativo sobre como o país pode começar a se recuperar do ataque à democracia norte-americana.