A Frente Parlamentar da Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação (FPC&TPI) realizou, nessa quarta-feira (27), uma sessão especial no Senado Federal em homenagem às mulheres na ciência e à liderança feminina no serviço público. O encontro aconteceu no Plenário 6 da Ala Senador Nilo Coelho e reuniu pesquisadores, representantes de instituições de inovação, parlamentares e convidados.
A solenidade foi conduzida pelo deputado federal Carlos Henrique Gaguim (União-TO) e destacou a trajetória da professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, biofármaco derivado da laminina projetado para estimular a regeneração de neurônios e promover a reconexão nervosa em casos de lesão grave da medula espinhal.
A pesquisa liderada por Tatiana representa um avanço promissor na medicina regenerativa. Lesões medulares graves estão entre as principais causas de perda permanente de movimentos e sensibilidade, afetando milhares de pessoas no Brasil e no mundo. A polilaminina surge como uma alternativa inovadora ao buscar estimular a recuperação neural e ampliar perspectivas terapêuticas para pacientes que hoje possuem opções limitadas de tratamento.
Durante a sessão, foi reforçado o papel do serviço público como motor da ciência e da inovação no Brasil. A homenagem à pesquisadora destacou a relevância das universidades públicas e dos institutos de pesquisa na produção científica nacional, além da necessidade de ampliar investimentos em ciência, tecnologia e inovação.
Em entrevista concedida ao Sindilegis durante o evento, Tatiana Sampaio destacou: “O mundo que a gente vive foi construído pelos homens. A gente não precisa só de espaço no mundo, a gente precisa mudar o mundo”, declarou.
Mulheres que transformam a ciência brasileira
O protagonismo feminino na ciência brasileira ganhou destaque durante a homenagem à pesquisadora Tatiana Sampaio no Senado Federal. Em um cenário historicamente marcado pela predominância masculina, cientistas brasileiras têm ocupado espaços estratégicos na produção de conhecimento, no desenvolvimento tecnológico e na liderança de pesquisas de impacto social.
A trajetória de Tatiana se soma à de outras mulheres que ajudaram a transformar a ciência nacional, como a geneticista Iris Ferrari, falecida em 2021. Vanguardista, a professora da Universidade de Brasília (UnB) trabalhou na instituição até os 89 anos e foi responsável pela criação do primeiro serviço de Genética Clínica do Distrito Federal, que já realizou atendimento gratuito a mais de seis mil famílias.
Iris também participou do desenvolvimento de técnicas utilizadas até hoje no diagnóstico de doenças hematológicas, como o mieloma múltiplo, além de atuar na implantação do serviço de transplante de medula óssea em Brasília. Sua atuação se tornou referência nacional na área biomédica e contribuiu diretamente para ampliar o acesso da população a tratamentos e diagnósticos especializados.
A homenagem promovida pela Frente Parlamentar reforçou ainda a importância das universidades públicas e dos institutos de pesquisa para a formação de mulheres cientistas e para o fortalecimento da produção científica brasileira.


