O presidente do Sindilegis, Alison Souza, participou nesta sexta-feira (13) de uma conversa com o presidente da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, João Domingos, na TV Sindireta. O debate focou na importância do serviço público para o desenvolvimento do país, tendo como pano de fundo a proposta da Reforma Administrativa pelo Grupo de Trabalho da Câmara dos Deputados.
Durante a conversa, Alison pontuou que, embora o serviço público no Brasil demande reformulação, esta discussão não pode ser iniciada e concluída em 45 dias. Além disso, o presidente do Sindilegis destacou que a ideia de Estado mínimo é uma falácia, visto que a maioria dos brasileiros precisam de um Estado presente. “80% dos jovens estudam em escolas públicas; três a cada quatro brasileiros não têm plano de saúde. O Estado mínimo afetaria essa população”, falou.
Alison disse ainda que a classe sindical não é contra a Reforma Administrativa, mas que essa reforma não pode ser vista apenas pelo ângulo do gasto público. “Mais uma vez estamos cometendo o erro de tratar a Reforma sobre ajuste fiscal, isso está errado, porque serviço público não é gasto, é investimento”, disse. “O que vai dar certo é a gente se unir e fazer uma boa discussão sobre o serviço público que gera desenvolvimento social e econômico”.
Outro ponto levantado pelo presidente do Sindilegis foi a flexibilização das contratações temporárias no setor público. Segundo ele, um em cada quatro servidores já é temporário e não há evidências de que esse modelo tenha melhorado a qualidade dos serviços prestados à população. “O que melhorou para a população? Houve avanço na saúde, na educação? Não existem esses números. Estão tomando decisões no achismo”, criticou.
A composição do atual parlamento e como isso afeta a proposta da Reforma também foi discutido pelos presentes. Segundo Alison, o Congresso deve participar das discussões como mediadores entre o serviço público e o setor produtivo.
Por fim, Alison reforçou que o verdadeiro problema do Brasil não está no servidor público, mas sim na falta de gestão eficiente, especialmente nos níveis estadual e municipal. “O serviço público é parte da solução, não do problema”, afirmou. “O problema do país, na verdade, é gestão, que está muito aquém das necessidades da sociedade. O serviço público deve existir para um propósito, atrelado ao planejamento do estado ou do município”, falou.


