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Prevenção ao feminicídio exige rede integrada de proteção, aponta debate no TCU

O Tribunal de Contas da União (TCU) promoveu, nesta quarta-feira (26), o painel “Vidas Interrompidas – A jornada da mulher em busca de proteção do Estado”, que reuniu especialistas para discutir os desafios enfrentados por mulheres em situação de violência e os caminhos para fortalecer a prevenção ao feminicídio. A diretora Social e Esportiva do Sindilegis, Mônica Ramos, participou do encontro representando a entidade.

Na abertura, o presidente do TCU, ministro Vital do Rêgo, destacou que romper com uma relação violenta envolve uma série de medos e obstáculos que podem dificultar a decisão da vítima de buscar ajuda. “Sair de uma relação violenta não é simplesmente ir embora. Existe o medo que a mulher sente ao tomar essa decisão: medo de perder os filhos, o espaço, a autonomia e o sustento. A falta de clareza sobre como será seu futuro pode parecer mais assustadora do que uma situação presente que ela já conhece, por mais sofrida que seja”, afirmou.

O ministro também defendeu o envolvimento de toda a sociedade na prevenção da violência contra a mulher, com atenção especial à participação dos homens. “Nós temos que levar cada vez mais essa campanha para os homens do nosso país. É preciso que a sociedade se engaje cada vez mais. A mulher vítima pode ser sua mãe, sua irmã, sua filha ou sua parente. Nenhum de nós está imune a isso.”

Integração da rede de proteção

Durante as rodas de conversa, os participantes defenderam uma maior integração entre as instituições responsáveis pelo acolhimento e atendimento às mulheres. Sistemas interligados, ações conjuntas, palestras e um diálogo permanente entre os órgãos foram apontados como caminhos para tornar a rede de proteção mais eficiente.

Os especialistas também ressaltaram a importância de soluções sistêmicas e de um acompanhamento contínuo das mulheres, incluindo o fortalecimento do suporte psicológico, apontado como uma das lacunas existentes na rede de atendimento.

Educação como ferramenta de prevenção

A educação foi apontada pelos participantes como uma das principais ferramentas para prevenir a violência a longo prazo. A avaliação é de que investimentos na formação das novas gerações podem contribuir para mudar comportamentos e evitar a naturalização da violência.

Entre as iniciativas citadas esteve o ‘Maria da Penha vai à Escola’, programa que leva informações sobre prevenção à violência contra a mulher e direitos para o ambiente escolar.

Sindilegis presente no debate

A participação no debate promovido pelo TCU dá continuidade a uma atuação que o Sindilegis vem construindo ao longo dos últimos anos em defesa das mulheres e no enfrentamento à violência de gênero. Desde 2018, a entidade promove campanhas de conscientização como “Florzinha é bom, mas direitos iguais é melhor”, “Armas Contra o Machismo” e “A violência contra a mulher não pode imperar”, além de iniciativas como o guia “Como não ser um babaca” e a campanha “Essa história não é minha, mas poderia ser”, realizada em parceria com o Senado e o TCU.

Mais recentemente, em 2026, o Sindicato lançou a campanha “Semente de Mudança”, dedicada à conscientização e à prevenção do feminicídio. Esse histórico reforça que, para o Sindilegis, o enfrentamento à violência contra as mulheres é uma pauta permanente, que passa pela educação, pela mudança de comportamentos, pelo fortalecimento das políticas públicas e pela mobilização conjunta das instituições e da sociedade.

Representando o Sindicato, Mônica Ramos destacou a importância de o movimento sindical participar da discussão sobre a violência contra a mulher e contribuir para o fortalecimento das políticas públicas de proteção. “Fiz questão de participar do evento e fiquei muito emocionada com os relatos das mulheres. São casos chocantes. É de suma importância que o Sindicato abrace essa causa, porque é uma questão social para a qual não podemos fechar os olhos. Precisamos fortalecer as políticas públicas e fazer com que os sindicatos abracem essas causas, como o Sindilegis tem feito.”

O painel integra as ações do TCU relacionadas ao Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio e dialoga com a auditoria “Vidas Interrompidas”, conduzida pela Corte de Contas para acompanhar a atuação do Estado na prevenção ao feminicídio e na proteção de mulheres em situação de violência.

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‘Chá de Ideias’ aborda violência política de gênero e os desafios para a participação feminina na política

O ‘Chá de Ideias’ desta segunda-feira (8) trouxe como tema a violência política de gênero e os desafios enfrentados pelas mulheres nos espaços de poder e tomada de decisão. O programa é conduzido semanalmente pela diretora-geral do Senado Federal, Ilana Trombka.

Durante a conversa, Ilana explicou que a violência política de gênero compreende ações, condutas ou omissões que visam impedir, dificultar ou restringir os direitos políticos das mulheres. Essas práticas podem se manifestar por meio de agressões físicas, psicológicas, morais, sexuais ou econômicas, atingindo candidatas, eleitoras e mulheres que exercem mandatos.

No Brasil, o combate a esse tipo de violência ganhou reforço com a Lei nº 14.192/2021, que tipificou a violência política contra a mulher como crime, prevendo penas de um a quatro anos de prisão, além de multa. Também foram destacadas iniciativas da Justiça Eleitoral para combater fraudes às cotas de gênero e ampliar a participação feminina na política.

Outro ponto abordado foi o crescimento da violência digital, que tem se tornado uma das principais formas de ataque às mulheres na vida pública. Redes sociais e outras plataformas virtuais são frequentemente utilizadas para disseminar mensagens misóginas, racistas e transfóbicas, afetando especialmente mulheres negras, trans e travestis.

O episódio também trouxe uma analogia com o chá verde, conhecido por estimular a energia e acelerar o metabolismo. A comparação remete à força e à determinação necessárias para enfrentar os desafios impostos às mulheres que buscam ocupar espaços de liderança e representação política.

O Chá de Ideias é um espaço de reflexão sobre temas atuais que impactam a sociedade. O episódio completo pode ser assistido no YouTube, no canal de Ilana Trombka. Confira na íntegra aqui.

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Enfrentamento à discriminação e ao assédio no serviço público são debatidos no Sindilegis com entidades latino-americanas

Representantes de entidades sindicais do Brasil e de países da América Latina e do Caribe estiveram reunidos no Sindilegis, na última semana, para dar continuidade aos debates promovidos durante o 2º Congresso Internacional de Enfrentamento ao Assédio e à Discriminação no Serviço Público, realizado pelo Sinditamaraty.

O encontro reuniu integrantes do Sindilegis, do Sinditamaraty e da Frente Sindical Latino-Americana e Caribenha, em uma agenda voltada à construção de estratégias conjuntas para prevenir e erradicar o racismo, a discriminação, a xenofobia e diferentes formas de assédio no serviço público.

À frente da iniciativa no Sindilegis, a diretora Social e Esportiva, Mônica Ramos, destacou a importância da atuação integrada entre as entidades sindicais na promoção de ambientes de trabalho mais seguros, inclusivos e respeitosos.

Durante a reunião, os participantes avançaram na elaboração de um plano de trabalho conjunto entre as entidades representativas. Entre os principais encaminhamentos, está a realização de uma campanha antirracista no mês de julho, em alusão ao Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha, celebrado em 25 de julho, além da criação de um grupo de trabalho formado pela Frente Sindical Estadual, CSPB, Sindilegis e Sinditamaraty.

Também foi apresentada uma plataforma online voltada ao combate ao feminicídio, considerada uma ferramenta importante de conscientização, acolhimento e enfrentamento à violência de gênero.

Outro ponto debatido foi a necessidade de incorporar a perspectiva étnico-racial aos processos de negociação coletiva e aos acordos coletivos de trabalho. A proposta integra uma agenda sindical voltada à promoção da igualdade, do trabalho decente e da justiça social no serviço público.

A reunião reforçou o compromisso das entidades participantes com a construção de políticas permanentes de enfrentamento à discriminação e ao assédio, fortalecendo a cooperação sindical internacional em defesa dos direitos humanos e da valorização dos servidores públicos.

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Sindilegis destaca campanha Semente de Mudança em entrevista à rádio Guará FM

A campanha Semente de Mudança, iniciativa de conscientização e mobilização social contra o feminicídio, foi tema de uma entrevista ao vivo na rádio Guará FM (98.1). A participação ocorreu no programa Brasília Mais e contou com a presença de Érica Ceolin, diretora de Educação e Cultura do Sindilegis.

Durante a entrevista, a diretora explicou os objetivos da campanha, lançada no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher, e destacou que o objetivo é estimular o engajamento da sociedade no combate ao feminicídio e à violência de gênero.

A campanha utiliza como símbolo um lápis com sementes, que pode ser plantado após o uso. A iniciativa convida a sociedade a refletir sobre educação, respeito e prevenção da violência contra a mulher. Cada lápis possui sementes de dipladênia-mandevilla roxa, planta escolhida por representar resiliência e transformação

“A gente quis uma campanha chamando para o engajamento. Queremos plantar essa transformação, essa mudança. Nossa ideia é que as Casas Legislativas façam um jardim em homenagem às vítimas com essas sementes. Se esse lápis floresce e atinge também a consciência das pessoas, alcançamos o nosso objetivo”, afirmou.

Érica também explicou que a identidade visual da campanha foi construída de forma estratégica. A cor roxa foi escolhida por ser tradicionalmente associada ao combate à violência contra a mulher, enquanto a flor representa uma espécie típica do Cerrado, bioma que reúne vegetação caracterizada pela resistência e capacidade de adaptação a situações adversas.

Segundo a diretora, a iniciativa busca ampliar o debate em diferentes espaços da sociedade. Durante a entrevista, foram abordados temas como misoginia, a cultura dos chamados “red pills”, feminicídio e a importância de discutir essas questões com jovens e estudantes.

“Esse não é um problema das mulheres, é um problema da sociedade. Um problema complexo não tem uma resposta simples. Precisamos de conscientização, educação e do engajamento de todos para transformar essa realidade”, destacou.

A campanha tem recebido boa receptividade do público, o que, segundo Érica, reforça a importância de ampliar o diálogo sobre o tema. Para ela, mudanças sociais começam com atitudes simples.

Interessados em conhecer mais sobre a iniciativa ou em participar da mobilização podem acessar o site oficial da campanha.

O site reúne informações sobre a campanha, dados sobre casos de violência contra a mulher, orientações para o plantio do lápis-semente e formas de engajamento da sociedade.

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Arte e protagonismo feminino marcam programação do Dia da Mulher no Centro Cultural TCU

No último domingo (8), o Centro Cultural TCU apresentou uma programação especial em celebração ao Dia Internacional da Mulher, com uma roda de conversa sobre o protagonismo feminino no modernismo brasileiro, seguida de apresentação musical do grupo brasiliense Choro Delas.

O debate teve como ponto de partida a trajetória de Tarsila do Amaral e ampliou a discussão para artistas como Anita Malfatti e Djanira. A conversa contou com a participação de Maria do Carmo Couto, Fran Favero e mediação de Juliana Insua, que abordaram o protagonismo e os desafios enfrentados por mulheres na história da arte, além de refletirem sobre a importância de valorizar essas trajetórias.

Após o encontro, o público acompanhou a apresentação do grupo Choro Delas, formado exclusivamente por instrumentistas mulheres. O repertório percorreu ritmos da música brasileira como choro, samba, baião e maxixe, celebrando a presença feminina também no cenário musical.

A atividade integrou a programação da exposição “Transbordar o mundo: os olhares de Tarsila do Amaral”, em cartaz no Centro Cultural TCU até 10 de maio. A mostra reúne mais de 60 obras originais da artista, além de uma sala imersiva com projeções de pinturas. A visitação é gratuita e ocorre diariamente, das 9h às 18h.

A iniciativa conta com apoio do Sindilegis e patrocínio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e do Banco de Brasília (BRB).

Foto de abertura: Antonio Leal/TCU

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No último dia de Contlac, Congresso debate direitos femininos e inserção da juventude no movimento sindical

Discussões sobre a defesa dos direitos da mulher e reflexões sobre a importância da juventude no futuro do sindicalismo foram as pautas da manhã do terceiro e último dia do Congresso da Confederação dos Trabalhadores Legislativos das Américas e do Caribe (Contlac). O encontro aconteceu nesta sexta-feira (25), no Auditório do Interlegis.

A primeira mesa de debate focou atenções na Convenção 190 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), que busca eliminar violência e assédio no mundo do trabalho. Natalia Gomez, da Argentina, afirmou que a violência de gênero está presente em todas as regiões da América Latina e, tendo em vista esse problema, a Rede de Mulheres da Contlac foi formada para que a unidade feminina resista ao enfraquecimento dos direitos conquistados por esse grupo.

Além disso, a participante Gladys Benitez, também da Argentina, disse que há um compromisso da Contlac em criar para 2026 uma Secretaria da Mulher e uma Secretaria da Juventude, que demonstram a preocupação da entidade sobre essas pautas.

Em relação à Juventude, Maria Fernanda Cifuentes, da Guatemala, disse que os jovens têm muito para agregar com os movimentos sindicais e por isso importa agregar essas pessoas no sindicalismo. Ela também sugeriu que cada país da Contlac indique um representante jovem para formar uma rede, assim como a das mulheres.

O diretor de Integração Regional do Sindilegis, Evaldo Araújo, fez uso da fala e afirmou que ser jovem guarda mais relação com se manter renovado do que com a idade em si. Segundo ele, para que o sindicalismo influencie a sociedade, é fundamental que as novas gerações estejam integradas ao movimento social.

Já o vice-presidente para o Senado Federal do Sindicato, Pedro Mascarenhas, afirmou que para agregar os jovens, os mais velhos devem auxiliar a juventude com a experiência, justamente pelas discrepâncias geracionais.

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Liderança feminina no serviço público: mulheres ocupam cargos de comando no RH da Câmara, do Senado e do TCU

A participação feminina nos postos de chefia no mercado de trabalho ainda é pequena. Apesar dessa realidade estar se transformando aos poucos, sobretudo por serem mais da metade da população brasileira e terem maior escolaridade que os homens, as mulheres ainda enfrentam obstáculos para ocupar posições de comando tanto no setor público quanto no privado. No serviço público, existem iniciativas importantes no nível federal pela equidade de gênero. Na Câmara, no Senado e no Tribunal de Contas da União, por exemplo, os departamentos de pessoal são chefiados por mulheres.

Essas gestoras encontraram suas vocações na Administração Pública. Elas têm dedicado a carreira ao serviço público e ocuparam diversas funções até alcançarem os cargos de direção. Para as servidoras, as mulheres têm ocupado cada vez mais postos de comando, mas ainda existem barreiras para a igualdade no mercado de trabalho e muito a avançar.

Graduação em Administração e especialista na área de recursos humanos, Cristina Cascaes Sabino é servidora da Câmara desde 1992. Hoje, ela é diretora do Departamento de Pessoal da Casa, cargo que ocupa desde julho de 2020. Antes, a servidora foi diretora da Coordenação de Inativos e Pensionistas por 22 anos. Ela acredita que as mulheres vêm conquistando a cada dia mais postos de comando e mostrando que competência independe de gênero. “Apesar de ainda não estarmos em pé de igualdade com os homens, vejo muitas mulheres em posição de destaque, tanto no serviço público quanto no privado, porém ainda temos muito chão pela frente, principalmente numa sociedade machista como a que vivemos”, destacou.

 

Beatriz Balestro Izzo é servidora pública desde 2008. Há dois anos ela é coordenadora de Pessoal do Senado. Embora seja graduada em Fisioterapia, foi no setor público que ela se encontrou. A servidora é pós-graduada em gestão de pessoas e administração pública e atualmente faz MBA em gestão de pessoas. Com passagens em outros órgãos públicos, foi no Senado que Beatriz exerceu o primeiro cargo de chefia no Gabinete Administrativo da Secretaria de Gestão de Pessoas. A servidora avalia que os espaços onde ainda há resistência na ocupação da chefia por mulheres estão se tornando cada vez mais uma minoria. “Não dá para sustentar um discurso discriminatório por gênero nos dias atuais. Porém, ainda temos muito caminho pela frente no sentido da igualdade”, pontuou.

Ela cita que o serviço público traz a vantagem de o salário ser definido em lei, o que impede qualquer diferenciação meramente por gênero. Segundo Beatriz, a posição feminina nos postos de chefia no Senado vem aumentando. “Com relação às oportunidades, no Senado, a ocupação de cargos de chefia por mulheres vem crescendo desde 2016, onde tínhamos apenas 12%. Hoje, esse número está por volta dos 30%”, ressaltou.

Marluce Noronha Barcelos é servidora pública há mais de 20 anos e está no TCU desde 2010. Administradora por formação, hoje ela é secretária de Gestão de Pessoas do Tribunal – cargo que ocupa há três meses. Marluce aponta que o concurso público ajuda a equalizar a questão da disparidade salarial. No entanto, a ascensão a cargos de alta direção ainda é difícil. “O número de cargos em comissão que é ocupado por mulheres é baixo. Nós quase não chegamos aos cargos de alta direção, porque ainda existe uma barreira cultural”, afirmou.

 

De acordo com a servidora, nos últimos anos vêm crescendo os movimentos que lutam pela equidade de gênero no serviço público. O TCU, por exemplo, prevê dentre as suas ações a promoção de igualdade de oportunidades para mulheres no ambiente de trabalho do Tribunal. “Isso é motivo de orgulho e comemoração. Estamos com 30% dos cargos de liderança ocupados por mulheres, maior do que o percentual de mulheres na organização, que é de 26,57%. É um grande avanço, o que não significa que não tenhamos espaço para avançar mais”, avalia.