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CARTA ABERTA: PEC dos Precatórios legaliza calote e prioriza ações eleitoreiras

Foi aprovada em 1° turno na Câmara dos Deputados a Proposta de Emenda à Constituição dos Precatórios (PEC 23/2021). Em linhas gerais, trata-se de um projeto que estabelece um limite anual para o pagamento de precatórios, que são dívidas da União já reconhecidas pela Justiça. Além disso, a proposta traz dispositivos que deixam na mão do governo o poder de interferir no teto de gastos. O Sindilegis considera essa PEC mais uma tentativa de retirar direitos e repudia a aprovação do texto da maneira que está apresentado. Afinal, na prática, é mais uma manobra para encontrar espaço fiscal em ano eleitoral e abrir margem para contornar o teto.

Com a tentativa de abrir um espaço extra no orçamento para financiar um novo programa social, batizado de Auxílio Brasil, o governo, claramente, condiciona o amparo aos mais necessitados à aprovação de uma PEC que furta os direitos adquiridos e legaliza o “calote” nos credores da União. A proposta é nefasta para o país ao possibilitar a abertura de margem bilionária de gastos para o governo federal, que pretende fazer política assistencialista com recursos que não lhe pertencem. Prestes a entrarmos em ano eleitoral, a mudança das regras no pagamento dos precatórios também deve significar mais recursos aos parlamentares para pagamento de emendas e obras de cunho eleitoral. Nós, do Sindilegis, jamais compactuaremos com tentativas de afastar a credibilidade fiscal, tampouco de interferir na segurança jurídica.

Em um país devastado após quase dois anos de uma pandemia que trouxe graves consequências sociais e econômicas, permitir que um Projeto de Emenda à Constituição que aplica calote, compromete a confiança do mercado na política fiscal e nas decisões da justiça, possibilita estouro do teto e abre espaço para prioridades eleitorais seja aprovado é atuar em desfavor do país e contra os brasileiros. Se não bastasse, a educação também fica em risco. Parte dos precatórios devidos pela União é para o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundef) – principal fundo de financiamento da educação básica no país. Mais uma vez o serviço público sofre com as tentativas de desmonte.

Atrasar despesas gerando um espaço no orçamento para que o governo possa fazer gastos visando recuperar a popularidade, com cunho eleitoreiro, tem um nome: lutaremos pela não institucionalização das pedaladas fiscais.

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Sindilegis discute pautas de interesse dos servidores em café da manhã com parlamentares

O presidente do Sindilegis, Alison Souza, participou nesta quarta-feira (6), de café da manhã com parlamentares e entidades. A PEC 32/20 (Reforma Administrativa), a PEC 23/21 (Precatórios) e ações para valorização do serviço público foram as principais pautas do encontro. A reunião contou com a presença do presidente em exercício da Câmara, deputado Marcelo Ramos (PL-AM), que declarou posição contrária à PEC 32.

Na mesma linha, o deputado Capitão Augusto (PL-SP) também declarou ser contra ao projeto. Presidente da bancada de Segurança Pública, o congressista afirmou que vai se empenhar para derrubar a proposta no plenário.

Estiveram presentes os deputados federais Professor Israel Batista (PV-DF); Subtenente Gonzaga PDT-MG; André Figueiredo (PDT-CE); Paulo Ramos (PDT-RJ); Erika Kokay (PT-DF); Bohn Gass (PT-RS); e Rogério Correia (PT-MG); bem como o deputado distrital Fábio Felix (PSOL). O encontro foi realizado na sede da Associação Nacional dos Advogados Públicos Federais.

Precatórios – Após o encontro, a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil) e o Fonacate se reuniram para discutir a PEC dos Precatórios (PEC 23/21). A pauta é acompanhada pela diretoria do Sindilegis, que monitora o assunto a fim de avaliar se o relatório será favorável ou não para que a proposta não se torne a PEC do calote e os servidores com idade mais avançada possam usufruir dos direitos em vida.

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Impasse sobre pagamento dos precatórios está no radar do Sindilegis

Sindicato acompanha desdobramentos do pagamento das dívidas judiciais da União em 2022 no valor de R$ 89,1 bilhões, que pode comprometer reajuste dos servidores

 

O pagamento dos precatórios – dívidas judiciais da União – está na pauta das discussões dos Três Poderes. O governo busca uma solução judicial para desatar o nó do pagamento dos precatórios em 2022, que somam R$ 89,1 bilhões. Nesta terça-feira (31), o Executivo enviou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) de 2022. Como ainda não resolveu o impasse para parcelar os precatórios, o governo incluiu no texto os quase R$ 90 bilhões de despesas previstos pelo Poder Judiciário.

 

Já o novo Bolsa Família – o Auxílio Brasil – foi estimado em R$ 34,7 bilhões, com meta de atendimento a 14,7 milhões de famílias. O teto de gastos, por sua vez, foi estimado em R$ 1,610 trilhão, respeitando os 8,35% de IPCA acumulado em 12 meses até junho, apontado pelo IBGE. O texto também estima insuficiência para cumprimento da regra de ouro de R$ 105,4 bilhões. Na prática, isso exigirá edição de pedidos de abertura de crédito extraordinário por parte do governo federal para não descumprir a norma fiscal. Nesse cenário, não há orçamento para o reajuste dos servidores, promessa anunciada pelo presidente Bolsonaro.

 

Uma das apostas do governo para solucionar esse impasse é a PEC 23/2021, que permite o parcelamento no pagamento de precatórios em dez anos e muda o índice de correção. Segundo o texto, os precatórios de valor superior a R$ 66 milhões poderão ser pagos em dez parcelas, sendo 15% à vista e o restante em parcelas anuais.

 

Outros precatórios poderão ser parcelados se a soma total das dívidas for superior a 2,6% da receita corrente líquida da União. Nesse caso, o critério será pelo parcelamento dos precatórios de maior valor.

 

Para especialistas, a proposta é inconstitucional. No entanto, na última segunda-feira (30), o relator da PEC, deputado Darci de Matos (PSD-SC), apresentou o parecer pela admissibilidade da matéria à Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara.

 

Na avaliação do Sindilegis, a PEC deveria ser rejeitada por três razões: a quantidade de parcelas, uma vez que se prolonga o pagamento da dívida; os novos precatórios passariam a ser corrigidos pela taxa básica de juros, atualmente em 5,25% ao ano, de modo que os credores receberiam menos; e, por último, a regra de ouro poderia ser desrespeitada.

 

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), defenderam ontem (30) outra solução por vias judiciais. Já nesta terça-feira (31), Pacheco e o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se reuniram com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) e do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), ministro Luiz Fux. Segundo Fux, o CNJ está à disposição e pode “chancelar uma solução para esse grave problema”.

 

Saiba mais

 

Precatórios são dívidas da União com pessoas físicas, jurídicas, estados e municípios reconhecidas em decisões judiciais transitadas em julgado, ou seja, definitivas, e que devem ser pagas pelo governo, com previsão anual no Orçamento.

 

Com a PEC 23/2021, o governo visa a compatibilizar essas despesas com o teto de gastos (regra que limita o crescimento da maior parte das despesas à inflação do ano anterior).

 

A “regra de ouro”, prevista na Constituição Federal, é um mecanismo que proíbe o governo de fazer dívidas para pagar despesas correntes, como salários, benefícios de aposentadoria, contas de luz e outros custeios da máquina pública. O objetivo é evitar o aumento do débito público.