WhatsApp Image 2025-08-06 at 11.24.56

Conheça os regimes de previdência no Brasil e entenda o funcionamento de cada um

Para garantir que todos os trabalhadores tenham proteção social em momentos de afastamento ou ao final da vida laboral (como por aposentadoria, invalidez, doença ou maternidade) o Brasil conta com um sistema previdenciário baseado em contribuições mensais obrigatórias para quem exerce atividade remunerada.

Esse sistema é formado por três grandes regimes: o Regime Geral de Previdência Social (RGPS), o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) e o Regime de Previdência Complementar (RPC). Cada um deles possui regras próprias e se aplica a grupos distintos de trabalhadores.

O Regime Geral de Previdência Social (RGPS) é voltado aos trabalhadores da iniciativa privada, além de servidores públicos contratados pelo regime celetista. É administrado pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e opera no modelo de repartição simples, no qual os trabalhadores ativos financiam os benefícios dos atuais aposentados.

O Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) atende exclusivamente aos servidores públicos efetivos, ocupantes de cargos de provimento permanente. Cada ente federativo (União, estados, Distrito Federal e municípios) pode instituir seu próprio regime, com regras específicas para tempo de contribuição, cálculo de proventos e acesso à aposentadoria.

Já o Regime de Previdência Complementar (RPC) é de adesão facultativa e tem como objetivo permitir que trabalhadores, tanto do setor público quanto do privado, complementem a renda da aposentadoria. No caso dos servidores públicos federais, esse regime passou a ser adotado a partir da criação das fundações de previdência complementar, como a Funpresp-Exe (Poder Executivo e Legislativo) e a Funpresp-Jud (Poder Judiciário), que oferecem planos com contribuição definida para os servidores que ingressaram após a sua instituição ou para os que optaram por migrar para o teto do RGPS.

Compreender essas diferenças é fundamental para que cada trabalhador conheça seus direitos e possa planejar seu futuro de forma segura e informada.

Para o Sindilegis, a previdência é uma das principais garantias de dignidade no pós-carreira. O Sindicato atua em defesa do fortalecimento do RPPS, do equilíbrio atuarial e da proteção aos direitos adquiridos, com atenção aos impactos de reformas legislativas e à sustentabilidade do sistema.

Regime Geral de Previdência Social

O RGPS é o regime público e obrigatório que cobre a maioria dos trabalhadores brasileiros. É destinado a pessoas que trabalham no setor privado, ou no setor público, desde que não estejam filiadas a regime próprio (na prática servidores de municípios menores). Também abarca trabalhadores rurais e Microempreendedores Individuais (MEIs).

A contribuição é realizada pelos trabalhadores em idade ativa para pagamento dos benefícios dos atuais aposentados, o que é chamado comumente como regime de repartição simples, e funciona como um pacto entre diferentes gerações.

Além disso, o regime público constitui um seguro social, com a função de compartilhar o risco de seus participantes. Isto é, todos pagam a contribuição, e aqueles que precisam passam por infortúnios recebem o auxílio. Os benefícios previdenciários do RGPS possuem valor limitado ao teto de R$ 8.157,41 em 2025.

Regras de elegibilidade

Para solicitar a aposentadoria, há alguns critérios a serem seguidos. Por exemplo, a regra mais importante é a da idade. Desde 2019, mulheres podem se aposentar com idade mínima de 62 anos e o mínimo de 15 anos de contribuição, e homens com 65 anos de idade e 20 anos de contribuição.

No entanto, para quem já estava no mercado de trabalho, antes da promulgação da Emenda Constitucional nº 103, de 12 de novembro de 2019, o Congresso Nacional criou regras de transição. As normas alteram as exigências a cada ano até 2031, quando mulheres deverão ter 62 anos para pedir aposentadoria; e homens, 65. Para eles, o tempo de contribuição vai de 15 anos para 20 anos.

Vale ressaltar que em uma regra de transição as exigências não vão mudar para a mulher que havia completado mais de 28 anos de tempo de contribuição na época da publicação da nova reforma ou para o homem que tinha completado mais de 33 anos para o mesmo requisito: pedágio de 50% sobre o tempo trabalhado, sem idade mínima.

Regime Próprio de Previdência Social

O RPPS é destinado exclusivamente a servidores públicos efetivos, ou seja, concursados e nomeados em cargo de provimento efetivo, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios – esses, desde que possuam RPPS instituído. Vale o destaque de que servidores comissionados, temporários e celetistas, bem como ocupantes de mandato eletivo, são compulsoriamente filiados ao RGPS, caso não sejam servidores efetivos.

Cada ente federativo deve gerir seu próprio regime, respeitando os parâmetros constitucionais, mediante a contribuição previdenciária de seus servidores públicos.

Hoje, estão aptos a se aposentar por RPPS mulheres de 62 anos, com 25 anos de contribuição, 10 no serviço público e 5 no cargo. O critério é o mesmo para os homens, mas a idade mínima é de 65 anos. A pensão e aposentadoria podem ser integrais ou proporcionais, conforme regras de transição ou permanência nas normas anteriores à Reforma.

Regime de Previdência Complementar

A previdência complementar é um regime adicional de aposentadoria, de natureza privada, e facultativo aos servidores federais que ingressaram no serviço público após 2013, segundo determinação estabelecida pela Lei 12.618/2012. O marco que determina a limitação no valor das aposentadorias e pensões do servidor é o ingresso na administração pública da União após a criação das entidades de previdência complementar, como Funpresp-Exe, previdência exclusiva dos servidores federais do Executivo e do Legislativo.

A adesão ao regime por esses servidores é automática, mas em razão do caráter facultativo da previdência complementar, pode ser revertida pela manifestação feita pelo próprio servidor, e, neste caso, a aposentadoria pelo RPPS passa a ser limitada ao teto do INSS, bem como o valor de eventual pensão aos seus dependentes, o que reforça a importância de uma previdência complementar para garantir uma renda mais compatível com a remuneração do trabalhador.

Já os servidores que entraram antes da criação desses fundos tiveram a opção de adotar o teto do RGPS para seus benefícios de aposentadoria e pensão, podendo ou não, a próprio critério, aderir ao regime complementar em janelas migratórias específicas abertas por lei, entre os anos de 2013 a 2022. Ao fazer essa migração – que tem caráter irrevogável -, o servidor passa a ter direito ao Benefício Especial, valor pago pela União proporcional ao tempo de contribuição anterior à migração, de modo a compensar a eventual perda de benefícios previdenciários decorrentes dessa escolha. É importante ressaltar que o termo “migração” é consagrado pelo uso, mas não reflete precisamente a realidade, pois o servidor permanece vinculado obrigatoriamente ao RPPS da União mesmo se fizer essa opção.

Uma das principais características da previdência complementar é que as contribuições são acumuladas pelo próprio participante em uma conta individual para o futuro, ou seja, não existe solidariedade entre gerações na previdência complementar. Ademais, é possível ajustar em contrato proteção previamente contratada em situações adversas, além da aposentadoria em si.

Fontes: “Módulo 07 – RGPS e RPPS: O que é a Previdência Pública?”, “Módulo 08 RPC: O que é a Previdência Complementar?” e “O que é Previdência Complementar?” do Ministério do Trabalho e Previdência, de 2021.

Consultoria: Alison Souza, presidente do Sindilegis; Pedro Mascarenhas, vice-presidente para o Senado Federal; e Allan Castro, diretor de Assuntos Parlamentares.

Crédito: Agência Câmara/Agência Senado

Eleitos, presidentes Arthur Lira, na Câmara, e Rodrigo Pacheco, no Senado, priorizarão pautas reformistas

Sindilegis visitou os candidatos eleitos na semana anterior à eleição e entregou carta de intenções sobre o futuro do país e do serviço público

Não houve surpresas. Nesta segunda-feira (1º) e beirando a madrugada de terça (2), deputados e senadores se reuniram presencialmente, em Brasília, e elegeram os novos presidentes que comandarão a presidência da Câmara dos Deputados e do Senado Federal pelos próximos dois anos: o deputado Arthur Lira (PP-AL) e o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG).

Ambos os presidentes declararam após o resultado de que já irão pautar as reformas administrativas, como as PECs 186/2019, 187/2019, 188/2019 e 32/2020; bem como a tributária, as PECs 45/2019 e 110/2019.

Na semana anterior à eleição, no dia 28 de janeiro, os dirigentes do Sindilegis entregaram em mãos aos dois parlamentares, que já tinham grande chance de vitória, uma carta de intenções dos servidores do Legislativo e do TCU, os quais o Sindicato representa (veja aqui). Nela, a entidade se colocou à disposição para fomentar o debate acerca de assuntos que terão forte impacto na vida de todos os brasileiros: entre eles, as reformas administrativas e a tributária, além de teletrabalho, avaliação de desempenho do servidor.

Com o resultado das eleições, a diretoria do Sindilegis irá se reunir, nesta quarta-feira (03), para discutir o novo cenário com a eleição dos novos presidentes e deverá agendar em breve novas audiências com os parlamentares eleitos.

Votação

Candidato apoiado pelo Palácio do Planalto e por Davi Alcolumbre (DEM-AP), o senador Rodrigo Pacheco (DEM-MG) venceu a disputa pelo comando do Senado. Pacheco recebeu 57 votos e derrotou a senadora Simone Tebet (MDB-MS), que ficou com 21 votos. O senador mineiro fará agora seu primeiro discurso na condição de presidente da Casa.

Na Câmara, o candidato apoiado pelo presidente Jair Bolsonaro, deputado Arthur Lira (PP-AL) derrotou no primeiro turno Baleia Rossi (MDB-SP), que recebia apoio do então presidente da Câmara Rodrigo Maia (DEM-RJ), por 302 votos a 145.

“É tendo em vista a representatividade deste plenário, que se fosse um país teria 51 milhões de pessoas, que eu coloquei desde o início a questão fundamental de uma nova forma de funcionamento desta instituição: 51 milhões de votos não podem ser funcionários, não podem ser submissos, não podem ser subalternos da vontade de apenas um. Da vontade de um só”, afirmou Lira.

O presidente eleito do Sindilegis para o quadriênio 2021-2025, Alison Souza, deseja um bom mandato aos presidentes eleitos e pontua que o Sindicato tem grandes expectativas em construir uma relação pautada no diálogo e transparência. “O país precisa reencontrar o caminho do desenvolvimento com urgência. Nesse sentido, ajuda muito aprovar uma boa reforma tributária para dar fôlego às empresas e às pessoas mais pobres, por exemplo. Por outro lado, é um retrocesso imenso promover o desmonte do serviço público, como pretendem as PECs 32/2020 e 186/2019”.

Para Petrus Elesbão, presidente atual do Sindicato, o bom relacionamento com o Congresso será mais do que necessário para impedir que pautas retrógradas e punitivas sejam aprovadas a toque de caixa. “O Tesouro já divulgou que os gastos com servidor público tiveram queda de quase 4%. Não somos esse peso que o Governo insiste em afirmar: somos uma categoria que luta por aquele cidadão que está na ponta, que depende de nós para ter o básico”, revela.

WhatsApp Image 2020-11-25 at 20.23.55

“Erguemos um novo Sindilegis”, afirma presidente Elesbão em entrevista ao Correio Braziliense

Além da gestão interna do Sindicato, temas como a reforma administrativa, a estabilidade e o impacto da pandemia foram abordados pela colunista Ana Maria Campos

A coluna “Eixo Capital”, do Correio Braziliense – uma das principais referências editoriais de política do país – divulgou, nesta quinta-feira (26), uma entrevista com o presidente do Sindilegis, Petrus Elesbão, acerca da gestão da entidade e a luta contra a reforma administrativa.

Elesbão demonstrou grande preocupação com a proposta enviada pelo Governo, a PEC 32/2020, que traz uma série de prejuízos ao cidadão: “É um cheque em branco. Nós não podemos aceitar a privatização do Estado; a flexibilização da estabilidade; o ingresso no serviço público sem concurso; a exclusão dos militares, juízes, parlamentares e Ministério Público; e os superpoderes dados ao presidente, que não cabem numa democracia”.

Na entrevista, o presidente também faz um balanço no comando do Sindilegis: “Nós rompemos com as práticas do velho sindicalismo. Nosso trabalho se resumiu em quatro palavras: combate, gestão, transparência e modernidade. A gente inaugurou o mandato criando uma frente contra a reforma da Previdência do Temer. Vencemos. Depois, veio a do Bolsonaro, e a gente batalhou até o último segundo. Seguramos por quase nove meses e conseguimos barrar a capitalização e incluir uma regra de transição para os servidores públicos. Ao mesmo tempo, reestruturamos o Sindilegis, informatizamos a gestão, otimizamos nossos gastos, demos transparências às nossas contas. Erguemos um novo Sindilegis”.

Confira aqui a publicação do Correio Braziliense.

Veja a íntegra abaixo:

À queima roupa

 O que não é aceitável na Reforma Administrativa enviada pelo presidente Bolsonaro ao Congresso?

Há muitos pontos que nos causam grande preocupação na proposta do governo. O que a gente vê é uma reforma fiscalista, genérica, que não contribui para uma melhoria do Estado. É um cheque em branco. Nós não podemos aceitar a privatização do Estado; a flexibilização da estabilidade; o ingresso no serviço público sem concurso; a exclusão dos militares, juízes, parlamentares e Ministério Público; e os superpoderes dados ao presidente, que não cabem numa democracia.

Acredita que o fim da estabilidade para algumas carreiras passa no Congresso?

Acredito que não. Eu trabalhei na Constituinte de 88 e posso assegurar que o princípio da estabilidade não foi instituído por acaso no serviço público. Isso fica muito claro quando a gente vê o que aconteceu com o servidor do Ibama que multou o Bolsonaro. Foi exonerado do cargo de chefia com menos de três meses de governo. Só não foi demitido porque era concursado. Sem a estabilidade, o Brasil voltará a ser um império travestido de democracia.

Não há dúvidas de que o país não suporta mais uma máquina que é um gigante. Não seria hora de cortar benefícios?

Eu acho que há dúvidas, sim. E muitas. O governo ainda mantém em sigilo os documentos sobre a reforma administrativa. Os escassos números que eles compartilham são fruto de um aborto metodológico. Um estudo do consultor Petrônio Portella Filho publicado aqui, no Correio, mostrou que, em 2018, o governo federal gastou 12% da despesa total com funcionalismo, enquanto a média mundial era 22% e a média da América Latina era 29%. A maioria dos servidores atua em serviços essenciais, como saúde, educação e segurança.Vamos cortar isso?

Todo mundo deu uma cota de sacrifício na pandemia. Servidores do Legislativo foram poupados?

Ninguém saiu ileso da pandemia. Se os servidores não sofreram corte nos salários, suas esposas, maridos, filhos, pais e irmãos sofreram. Servidores do Legislativo adoeceram. Servidores do Legislativo morreram. E, alguns adoeceram e morreram para que o Congresso Nacional se mantivesse em funcionamento para aprovar as medidas que o país precisava.

Que balanço você faz da sua gestão à frente do Sindilegis?

Nós rompemos com as práticas do velho sindicalismo. Nosso trabalho se resumiu em quatro palavras: combate, gestão, transparência e modernidade. A gente inaugurou o mandato criando uma frente contra a reforma da Previdência do Temer. Vencemos. Depois, veio a do Bolsonaro, e a gente batalhou até o último segundo. Seguramos por quase nove meses e conseguimos barrar a capitalização e incluir uma regra de transição para os servidores públicos. Ao mesmo tempo, reestruturamos o Sindilegis, informatizamos a gestão, otimizamos nossos gastos, demos transparências às nossas contas. Erguemos um novo Sindilegis.

Alison Souza

Vice-presidente do Sindilegis participa de debate sobre Reforma Administrativa na TV Justiça

Ocorre hoje mais um debate sobre as propostas de mudanças nas regras da Administração Pública

O vice-presidente do Sindilegis para o TCU, Alison Souza, participará nesta segunda-feira, 14/09, de um debate ao vivo na TV Justiça sobre a Reforma Administrativa. Também foram convidados para a discussão o coordenador da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa, deputado Tiago Mitraud (Novo-MG), e o presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, deputado Professor Israel Batista (PV-DF).

O programa “Falando em Justiça” vai ao ar às 19h30. O debate será transmitido também pelo canal da TV Justiça no YouTube.