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“Empenho é uma palavra que traduz bem o que é ser servidor público”, diz Paulo Morum

Conheça um pouco da história do servidor homenageado no “Gente que Inspira” 2020 que foi um dos responsáveis em viabilizar as sessões plenárias virtuais do TCU

Desafio é sinônimo de estímulo e motivação para o servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) Paulo Morum. E se tem uma palavra que pode definir o ano de 2020 em meio à turbulência imposta pela pandemia do novo coronavírus, seria essa: desafio. Em um cenário de isolamento social e teletrabalho, as sessões plenárias do TCU precisavam continuar. A inovação na Corte de Contas foi essencial para que os trabalhos não parassem.

Subsecretário da 1ª Câmara do Tribunal, Paulo se destacou ao chefiar a equipe que proporcionou que as sessões plenárias passassem a ser virtuais: “O desafio de melhoria me estimula. É motivador conseguir aprimorar o que já temos e buscar otimizar o processo de trabalho”, resume.

Além de coordenar e assessorar os ministros durante a realização das sessões, o servidor assumiu, desde 2005, a gestão dos sistemas de informática que são utilizados pelos gabinetes dos ministros, pelo Ministério Público junto ao TCU e pela Secretaria das Sessões: “Gosto muito do que faço. A minha dedicação ao Tribunal vai além da conta”. E completa: “Empenho é uma palavra que traduz bem o que é ser servidor”.

A escolha de Paulo Morum pelo serviço público foi algo natural, explica ele. Formado em Direito pela Universidade de Brasília (UnB), o brasiliense passou a integrar o corpo de técnicos federais de controle externo do TCU em 1994. Nesses 26 anos de Tribunal, Paulo trabalhou no Protocolo, no Instituto Serzedello Corrêa (ISC), na Consultoria Jurídica e no gabinete da Corregedoria do Tribunal.

“No TCU nós lidamos o dia todo com notícias ruins, como desvios de recurso público. Estamos sempre correndo atrás de pessoas que estão gerindo mal esses recursos e isso, de certa forma, traz um peso porque temos que manter a esperança na melhoria das coisas. Por outro lado, isso também nos estimula a nos dedicarmos mais para que as coisas possam melhorar”, pondera.

Para Paulo, o TCU é uma instituição que estimula os servidores a se empenharem para entregarem excelentes resultados. “O corpo técnico é muito empenhado, o quadro é muito oxigenado e o grupo é muito seleto. O trabalho do TCU estimula o empenho das pessoas. Ao atuar na administração do dinheiro público, estamos o tempo todo tentando evitar que recursos sejam desviados”, analisa.

Casado com Luciana há 24 anos e pai de Beatriz, de 21 anos, e Carolina, de 19, Paulo se sente realizado na vida pessoal e profissional. “Estou bem satisfeito. Atuo na unidade que sempre almejei trabalhar e gerencio um sistema que influencia a forma como o trabalho é desenvolvido na Casa. Isso é estimulante e motivador. Quando você gosta do que faz, sempre faz bem. A minha meta agora é sair bem dessa pandemia, viajar e, um dia, poder curtir a minha aposentadoria”, conta.

O servidor elogiou a iniciativa do Sindilegis com o prêmio “Gente que Inspira” e ressaltou a relevância desse tipo de honraria. “Fiquei muito feliz com o reconhecimento. Nós, servidores públicos, não esperamos ou estamos acostumados com essas homenagens”, afirma.

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“Ser servidor público é assumir um compromisso com a sociedade”, conta José Ulisses Vasconcelos

Servidor do TCU é um dos homenageados do “Gente que Inspira” 2020

Compromisso e missão. É assim que José Ulisses Vasconcelos define o que é ser servidor público. Nascido em Teresina, Piauí, no ano de 1961, ele começou a se interessar por concursos públicos na década de 80. Em 1994, tomou posse no Tribunal de Contas da União (TCU). A história de José na área de controle externo é exemplar. O servidor esteve à frente da implementação do e-TCE, sistema informatizado para autuação e processamento de Tomada de Contas Especial, cujo objetivo é tornar mais eficaz o ressarcimento de danos ao erário. Por causa da sua dedicação e do sucesso desse sistema, José foi escolhido para ser um dos homenageados do “Gente que Inspira” 2020.

“Quando eu entrei no serviço público, eu abracei a causa. Ser servidor é assumir um compromisso com a sociedade e com cada cidadão, vai além da dimensão pessoal. Você pode gerar uma transformação na sociedade a partir daquele serviço que você faz”, conta.

A partir da implementação do e-TCE, a instauração da tomada de contas passou a ser realizada diretamente no sistema, independentemente dos envolvidos – unidades instauradoras, autoridade ministerial supervisora, controle interno e controle externo. Todos que atuam em alguma fase da TCE utilizam a mesma plataforma, tornando o trâmite do processo mais célere e objetivo. Com esse sistema, houve um aumento extraordinário em termos de produtividade da equipe e liberação de servidores para outras áreas.

José recebeu a notícia de que seria um dos premiados do “Gente que Inspira” com muita alegria. “Eu fui à festa ano passado e fico feliz com esse reconhecimento. Estou muito alegre e satisfeito”, resumiu.

A proatividade, a capacidade gerencial, o talento para motivar equipes e o foco por resultados são algumas das características mais marcantes de José Ulisses, segundo os colegas do TCU. O servidor também é elogiado por ser um grande amigo, se preocupar com o próximo, se colocar no lugar do outro, ter o dom de aproximar as pessoas e promover harmonia.

Casado há mais de 20 anos com Elisabete, com quem tem dois filhos, o servidor aprecia os momentos em família. Para ele, celebrar a vida ao lado dos familiares é essencial. “Eu sou muito apegado a minha família. Nós somos muito próximos. Nos reunimos para celebrações, churrascos, vamos a restaurantes, visitamos uns aos outros, viajamos”, enumera.

E os planos para o futuro? José Ulisses disse que curtir a aposentadoria é um deles. “Eu estou próximo de me aposentar. Pretendo continuar viajando com minha esposa e celebrando a vida com a minha família”, afirmou.

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O que o futuro reserva para o serviço público brasileiro

Fim da estabilidade, regulamentação da avaliação de desempenho, teletrabalho e assédio institucional nortearam a 6º Conferência das Carreiras de Estado

Como parte das comemorações ao Dia do Servidor, o Fórum Nacional das Carreiras Típicas de Estado (Fonacate) – do qual o Sindilegis faz parte – promoveu, na quarta-feira (28), a 6ª edição da Conferência Nacional das Carreiras de Estado. Com a temática “O Futuro do Serviço Público no Brasil”, o evento contou com a participação de parlamentares, acadêmicos, especialistas e representantes do governo. A tradicional conferência ocorreu em formato virtual em decorrência da pandemia.

Uma homenagem bem-humorada, protagonizada pela Cia de Comédia G7, marcou o início do evento. Os deputados Israel Batista (PV-DF) e Fábio Trad (PSD-MS), coordenadores da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público (Servir Brasil); o presidente de honra do Fórum, Roberto Kupski; e o anfitrião, presidente Rudinei Marques, abriram a Conferência dando um panorama do trabalho desenvolvido pelos servidores, principalmente nesse momento de enfrentamento à pandemia do coronavírus.

Papel do setor público na recuperação econômica e no enfrentamento à pandemia
– Para Marques e Kupski, a solução dos desafios atuais passa, necessariamente, por um serviço público de qualidade. “Precisamos retomar o crescimento econômico e nós, servidores públicos, temos um papel fundamental nesse processo. O futuro do país depende de um serviço público forte”, ponderou o presidente do Fórum.

Essa construção, na opinião do deputado Trad, depende da ampliação do debate em torno da proposta de reforma administrativa, garantindo voz aos servidores. “O serviço público é o próprio Brasil, que serve, que atende, que contribui e, por fim, que resolve”, destacou o parlamentar.

A atuação em defesa do serviço público no Congresso Nacional foi a tônica do discurso do deputado Israel Batista. À frente da Servir Brasil, ele falou sobre a relevância das contribuições técnicas para a discussão sobre a Administração Pública. “Decidimos produzir conhecimento, ao notarmos que os dados usados pelo governo não eram confiáveis. Não há, por exemplo, uma análise do impacto orçamentário da PEC 32/2020”, relembrou.

Desafios e futuro do serviço público – O jurista e professor da PUC-RS, Juarez Freitas, e o senador Antônio Anastasia (PSD-MG) falaram sobre “Governo Digital e o Futuro do Serviço Público”.

Para o professor, a pandemia de Covid-19 provou a necessidade de avançar na digitalização dos serviços ofertados à população. Ressaltou ainda que o processo pode contribuir com a universalização do acesso a serviços básicos e essenciais, como saúde e educação, por exemplo. E, para isso, devemos inscrever o direito à conexão no rol de direitos fundamentais da população brasileira.

O senador Anastasia concordou que as ferramentas tecnológicas ajudam o Estado a cumprir melhor as suas atribuições. O parlamentar defendeu, no entanto, que é preciso dar um passo atrás e reparar deficiências na gestão, com o objetivo de qualificar o servidor público e dar a ele as condições necessárias para essa transição. “Não adianta pensar no que há de mais moderno se a figura humana não estiver qualificada para isso”, afirmou, ao lembrar que muitas vezes o servidor é culpado, injustamente, pela ineficiência do sistema.

Rumos da avaliação de desempenho – O segundo painel discutiu “Gestão Pública e avaliação de desempenho”. O debate teve participações do secretário de Gestão e Desempenho de Pessoal (SGP) do Ministério da Economia, Wagner Lenhart; da professora da Universidade de Brasília Elaine Neiva; e do consultor do Senado Federal Luiz Alberto dos Santos. A moderação ficou a cargo do secretário-geral do Fonacate e presidente da Anafe, Marcelino Rodrigues.

“O espírito da gestão de desempenho no setor público deve ser a identificação de quem faz a diferença”. Em sua intervenção, Lenhart apontou as diretrizes que, segundo afirma, norteiam o trabalho da SGP na busca pela regulamentação da matéria. O secretário defendeu que os mecanismos de avaliação possibilitem um feedback constante, de modo a identificar as virtudes de cada servidor, para um melhor aproveitamento individual.

Ainda de acordo com ele, o processo de análise de desempenho, no que garantiu ser de “menor importância”, também precisa buscar a responsabilização daqueles que não “entregam o esperado”.

O secretário-geral do Fórum observou que o discurso do titular da SGP, no entanto, não é o que sugere o contexto da reforma administrativa do governo federal, em que se parece ter a preferência pelo caráter punitivo. “A mensagem que chega é que não se tem o objetivo de aperfeiçoar o serviço público, mas sim de constranger o servidor”, pontuou, ao destacar, entre outras inconsistências, a primazia do aspecto “fiscalista” da PEC 32/2020.

“Reforçar o que se quer é muito mais efetivo do que punir aquilo que não se quer”, ponderou Elaine Neiva acerca da necessidade de uma prática mais afirmativa na Administração Pública.

Para a especialista, o primeiro passo na implantação de um sistema de avaliação e gestão de desempenho bem-sucedido é a compreensão da abrangência, da “interdependência” das atividades nas unidades de trabalho e de que os resultados, positivos ou negativos, na maioria das vezes, estão relacionados ao conjunto. “Não é a competição que favorece os melhores resultados, mas sim a cooperação”, argumentou Neiva, alertando, da mesma forma, para a fragilidade das ferramentas que estimulam uma avaliação meramente individualizada.

Fatores que fogem ao controle do servidor e interferem diretamente na rotina de trabalho, como o déficit de pessoal em quase que a totalidade dos órgãos do Estado, também precisam ser levados em consideração, quando o tema é a análise das entregas, ressaltou Luiz Alberto dos Santos. “Como exigir que os servidores tenham desempenho satisfatório, se os meios não estiverem disponíveis, se as equipes não forem suficientes, se houver uma sobrecarga de trabalho?”, questionou.


“Estabilidade, Integridade Pública e Assédio Institucional”
– Esse foi o tema do terceiro painel do evento. Mediado por Rodrigo Spada, presidente da Febrafite, e José Celso Cardoso Jr., presidente da Afipea, o último debate do dia contou com a participação da professora da FGV Alketa Peci, e do professor do IESB e da UDF, Amarildo Baesso.

Spada lamentou a imagem distorcida do servidor público. O descompasso, segundo ele, está no fato do cidadão, que reclama da falta de retorno do Estado, não conseguir enxergar o trabalho do servidor nas obras e nos serviços públicos que o cercam. “Isso talvez seja proposital. Seja por interesse da mídia, ou por grupos ideológicos que não veem o serviço público como fundamental para um país com tanta desigualdade”, pontuou.

Alketa Peci propôs reflexões sobre a estabilidade, apoiada em dados de pesquisas empíricas sobre o tema. “Costumo dizer que a estabilidade é o instituto mais importante do Brasil, pós democratização”, afirmou. “No contexto democrático, é por meio da estabilidade e do recrutamento meritocrático – via concurso público – que se garante a prestação de serviço de maneira estável e o desenvolvimento de políticas públicas sem interrupções, independentemente das trocas políticas”.

Já Amarildo Baesso questionou a condução da reforma administrativa pelo governo. “Uma mudança constitucional, ampliando as possibilidades de quebra da estabilidade, teria o condão de resolver a questão da eficiência?”, indagou em referência à PEC 32/2020. Para ele, a proposta “é muito mais uma resposta simbólica para esses atores que têm cobrado a reforma do que propriamente uma discussão séria sobre o assunto”.

Assédio institucional – José Celso Cardoso Jr. explicou o que é assédio institucional de natureza organizacional. “É um processo orquestrado de constrangimento, desqualificação, deslegitimação que parte de figuras localizadas nos altos escalões do governo federal contra não um ou outro servidor público em particular, mas contra as próprias organizações do Estado brasileiro e contra as próprias políticas públicas que estão em processo contínuo de aperfeiçoamento institucional”.

Funai, ICMBIO, Ibama, Capes e IBGE estão entre as organizações que, segundo ele, passaram por esse processo de reconfiguração interna. Para José Celso, trata-se de um fenômeno novo pelo fato de os casos não serem isolados.
No encerramento da conferência, Rudinei Marques, deixou uma mensagem para os quase 12 milhões de servidores públicos que enfrentam com garra, determinação e competência as múltiplas crises que assolam o país. “Quem faz esse enfrentamento é o serviço público, que está na vanguarda e na retaguarda dessas crises. O país vai precisar muito do serviço público no pós-pandemia, por isso precisamos fortalecê-lo e qualificá-lo. Para isso, estamos aqui, por isso, estamos aqui”, finalizou.

Fonte: Fonacate

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Erraram: professor da Unicamp desmonta matéria da Folha sobre Brasil ser o país que mais expandiu gasto público

Publicado originalmente pela Revista Fórum

Para Pedro Rossi, jornal usou gráfico com dados que não mostram o dado correto e recalculou: aumento foi de 7,6%, e não de 10,4% em uma década

O professor da Unicamp Pedro Rossi publicou em seu Twitter que, ao analisar a matéria da Folha de São Paulo levou à manchete da edição de domingo (11), dando conta de que o Brasil foi o país que mais expandiu gastos públicos em uma década, encontrou uma série de erros que anulam a conclusão do enunciado.

 

O primeiro deles, segundo Rossi, é que a reportagem partiu de dados errados. Ele relata que o jornal usou um gráfico do Fundo Monetário Internacional (FMI) que traz os dados de “expense”, que exclui investimentos líquidos, quando deveria ter usado para sua comparação os números de “expenditure”. O economista publicou os gráficos com os dados, reproduzido no início desta matéria.

Embora as duas palavras possam ser livremente traduzidas como “despesas”, os dois conceitos são diferentes em economia e finanças. “Expenditure” significa o pagamento ou desembolso de dinheiro. Já “expense” é toda uma seção de um balanço. Em uma empresa, por exemplo, o conceito de “expense” inclui os custos de fabricação, depreciação, salários, aluguéis e outras despesas que a companhia tem para chegar ao produto final.

Rossi refez o cálculo tendo por base os dados que considerou corretos. Na série usada pela Folha, de “expense”, o aumento do gasto público no Brasil de 2008 a 2018 foi de 10,4%. Já com os números de “expenditure”, o economista calculou que o número seria de 7,6%.


Metodologias diferentes na mesma série

Outro erro encontrado pelo professor da Unicamp foi que, em sua análise, que a Folha não considerou que o FMI junta duas séries históricas do Tesouro Nacional que usam metodologias diferentes. Para explicar seu argumento, ele reproduz publicação do economista Sergio Gobetti no Facebook acerca do mesmo tema. Nela, Gobetti escreve que, depois de 2013, o Tesouro passou a adotar uma metodologia de estimação do gasto público que inclui na conta as chamadas “operações intraorçamentárias e outras meramente contábeis, como contribuições patronais para Previdência, além dos repasses do FGTS”.

Gobetti destaca que essas contas eram totalmente diferentes em 2008, ano usado pela Folha para início de sua análise, e que a série histórica que o Tesouro envia ao FMI não faz “nenhuma ressalva sobre a descontinuidade metodológica, induzindo a confusão”.

Pedro Rossi destaca ainda que, para comparar o tamanho do gasto público entre países, a boa análise econômica precisa levar em conta o que essas nações oferecem em termos de serviços públicos. E afirma: “Não faz sentido comparar o Brasil com países que não têm Previdência Social, SUS, ensino superior gratuito etc.”.

Professora da USP e ex-colunista da Folha, Laura Carvalho retuitou o fio de Pedro Rossi, avalizando-o, e escreveu: “Me parece um caso claro de publicar um Erramos, ainda mais sendo matéria de capa”.

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Decisão do Ministério da Economia de manter em segredo documentos da reforma administrativa causa estranheza, afirma vice-presidente do Sindilegis

“Por que o Ministério da Economia insiste em manter em sigilo documentos sobre a reforma administrativa que deveriam ser públicos?”. Esse é o questionamento do vice-presidente do Sindilegis Alison Souza diante da decisão da pasta de não divulgar os documentos que produziu para elaborar a Proposta de Emenda à Constituição que muda as regras da Administração Pública (PEC 32/2020).

“Os dados usados pelo Ministério para embasar a proposta são falsos? Manipulados? Por que não podem ser apresentados? Por que essa falta de transparência?”, argumentou Alison. “Causa estranheza e preocupação o fato de o Ministério da Economia tratar documentos que deveriam ser públicos dessa forma”, completou.

O Ministério negou o pedido de acesso ao conteúdo feito pelo jornal O Globo com base na Lei de Acesso à Informação alegando que só poderá divulgar os estudos e demais manifestações depois que o Congresso Nacional aprovar a matéria. O posicionamento da pasta da Economia contraria a Controladoria Geral da União (CGU) que estabeleceu que os chamados “documentos preparatórios”, no caso de uma PEC, são públicos a partir do momento que a proposta é enviada ao Legislativo.

De acordo com o jornal, essa não é a primeira vez que o Ministério comandado por Paulo Guedes insiste em manter em sigilo esse tipo de informação. Em abril do ano passado, ao receber pedido semelhante de acesso aos documentos que foram usados para elaborar a PEC da Previdência, a pasta também quis manter os registros em segredo.

“O Sindilegis está estudando maneiras para ter acesso ao estudo que embasou a formulação dessa proposta nefasta de reforma administrativa. Vamos continuar vigilantes em defesa de um serviço público eficiente, moderno e estável”, afirmou o vice-presidente do Sindicato para o TCU.

Reunião com deputados

Diretores do Sindilegis se reúnem com deputados para tratar da reforma administrativa do governo e da Câmara

Dando continuidade ao trabalho de combate à proposta de reforma administrativa do governo, diretores do Sindilegis se reuniram nesta terça-feira (29/09) com o deputado André Figueiredo (PDT-CE), líder da oposição, e o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP). O presidente do Sindicato, Petrus Elesbão, e os vices, Alison Souza e Paulo Cezar, levaram dados e argumentos que apontam o alto risco de precarização do serviço público e de aumento da corrupção. Denunciaram, ainda, que as medidas trazidas na PEC 32/2020 não garantem maior eficiência para o serviço público. “Pelo contrário, a proposta é um atestado de incompetência da equipe econômica. Aliás, está se tornando comum o envio de péssimos projetos. Veja como estão conduzindo a reforma tributária. Fica claro que não entendem absolutamente nada de administração pública”, afirmou Alison Souza, vice-presidente para o TCU.

Petrus Elesbão, Alison Souza e Paulo Cézar Alves em audiência com o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP)

Os dirigentes também trataram da reforma administrativa da Câmara. Defenderam junto aos deputados que o Sindilegis tenha a oportunidade de contribuir efetivamente para a construção da nova estrutura da Casa e que a tabela de padrões e salário de entrada na carreira sejam discutidos com profundidade. “Queremos um prazo para poder debater com os servidores e trazer a nossa contraproposta. Só haverá melhoria, de fato, se houver engajamento dos servidores e, para isso, é preciso haver debate e construção coletiva”, ressaltou Alison.

O Sindicato continuará nas próximas semanas as visitas aos parlamentares, virtual ou presencialmente. Fique atento às comunicações sobre a reforma administrativa!

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“Reforma administrativa do governo não trará melhoria para os serviços públicos”, afirmam especialistas

Painelistas analisaram possíveis impactos das mudanças nas regras da Administração Pública durante live especial do Café com Política

A eficiência no serviço público e os impactos da proposta de reforma administrativa do governo federal foram o fio condutor do primeiro episódio da série especial Café com Política que foi ao ar na noite dessa segunda-feira, 28/09. Para os painelistas convidados, o texto elaborado pelo Executivo é genérico, incompleto, não traz um diagnóstico dos principais problemas do serviço público e não aponta como as mudanças vão impactar na melhoria dos serviços prestados à população. Na opinião dos especialistas, a reforma tende a aumentar as desigualdades e elevar distorções.

Os participantes dessa edição foram Pedro Pontual, presidente da Associação Nacional de Especialistas em Políticas Públicas e Gestão Governamental (Anesp); e Gabriela Lotta, doutora em Políticas Públicas e professora da Fundação Getúlio Vargas. O fórum foi mediado pela jornalista da Câmara dos Deputados Sandra Amaral. O debatedor convidado foi o jornalista e editor-chefe do Jornal de Brasília, Rudolfo Lago. O vice-presidente do Sindilegis Alison Souza também participou da discussão.

Na avaliação de Gabriela Lotta, a proposta do governo é genérica e não aponta para uma melhoria do Estado. “A base para a construção dessa proposta é bastante fiscalista, mas nem na dimensão fiscal fica claro qual vai ser o impacto dessa reforma. Assim como não fica claro o impacto nas outras dimensões”, disse.

Para ela, a reforma deveria abranger mudanças na estrutura organizacional da Administração Pública. A doutora em Políticas Públicas considera o sistema atual disfuncional. “Nós temos uma estrutura muito voltada a caixinhas e feudos que não privilegia a interconexão, a intersetoralidade. Há uma separação muito restrita entre as organizações do governo e os entes federativos. Isso é muito problemático. O que essa reforma pretende é dar plenos poderes para o presidente decidir o que fazer com uma estrutura organizacional, o que obviamente não cabe numa democracia. Então essa reforma não ataca esse problema, na verdade cria um problema adicional para essa questão”, ponderou.

De acordo com Pedro Pontual, a discussão sobre como a reforma vai contribuir para a eficiência do serviço público está muito mal colocada. Segundo ele, o governo não tem um diagnóstico claro e não diz qual é o resultado objetivo a que quer chegar. “Existe uma menção à qualidade do serviço público para o cidadão e existe uma série de números do ponto de vista fiscal, mas esse diagnóstico é extremamente incompleto. Não está claro como a reforma vai gerar um serviço público melhor. O governo não respondeu ao ônus de comprovar que sua proposta vai agregar valor para a sociedade”, enfatizou.

O debatedor convidado, Rudolfo Lago, apontou que o serviço público possui discrepâncias na entrega de resultados e disparidades de salários. “Nós não temos uma situação uniforme no serviço público. Existem ilhas de excelência como na diplomacia, na Polícia Federal, nos auditores fiscais e a sensação é que outros setores não funcionam tão bem. Há diferença com relação ao vencimento também: professores ganham mal e outros servidores ganham muito bem. O início de uma boa reforma administrativa seria tentar trabalhar uma uniformidade melhor serviço público?”, questionou.

Pontual concordou que a disparidade dos salários causa uma série de problemas, como a falta de isonomia entre as carreiras. “Esse debate é necessário, mas a PEC não estabelece qualquer orientação ou parâmetro nesse sentido. O salário é um ponto a ser trabalhado, mas a gente precisa discutir aonde quer chegar e fazer um diagnóstico. Se existe uma distribuição inadequada com salários maiores num contexto e menores em outro isso precisa ser corrigido dentro da lógica para melhorar o serviço público. As opções estão chegando no grau de surrealismo em que se fala de salário como se fosse algo que o governo desse sem contrapartida dos servidores”, destacou.

Gabriela declarou que a questão reflete as desigualdades do Estado brasileiro e ficou de fora da reforma administrativa. “Esse é um tema que deveria ser atacado e não aparece no texto enviado pelo governo. Eu acredito que essa reforma tende a aumentar as desigualdades, especialmente por excluir os membros dos poderes onde está a elite burocrática que ganha os maiores salários e não vão ser, pelo menos nesse momento, abarcados pela reforma”, apontou.

O vice-presidente do Sindilegis Alison Souza ressaltou que a diretoria do Sindicato continuará lutando contra a reforma administrativa. “Essa reforma está posta de maneira genérica, não se compreende bem aonde ela quer chegar, é um cheque em branco, não sabemos para onde estamos sendo conduzidos. A probabilidade de nós voltamos a um cenário anterior ao da Constituição de 1988 é imenso”, afirmou ao destacar que as reformas política e tributária são as mais necessárias no momento para ajudar o Brasil a crescer e se desenvolver economicamente.

E o segundo episódio da série especial Café Política – Reforma Administrativa já tem data: será na próxima segunda-feira, 05/10, com o tema “Estabilidade e concurso público”. Não perca!

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Vice-presidente do Sindilegis se reúne com parlamentares para discutir reforma administrativa

O vice-presidente do Sindilegis Alison Souza participou de duas reuniões nesta quinta-feira, 24/09, com congressistas das frentes parlamentares que analisam mudanças no serviço público. O assunto em pauta foi a reforma administrativa.

Reunião de entidades com senadora Katia Abreu (PP-TO). Foto: Divulgação

O primeiro encontro foi uma audiência virtual com o deputado Professor Israel Batista (PV-DF), presidente da Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público. Já a segunda reunião foi com a senadora Katia Abreu (PP-TO), vice-presidente da Frente Parlamentar Mista da Reforma Administrativa, e teve a presença de representantes de entidades de servidores públicos.

“O Sindilegis vai defender o serviço público. Após a Constituição de 88 obtivemos significativos avanços de qualidade. Não podemos aceitar voltar à realidade anterior a ela”, afirmou Alison.

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Sindilegis esclarece: não há previsão de contratação de terceirizados para substituir servidores do TCU

Vice-presidente Alison Souza se reuniu com setor de administração da Casa para tratar do assunto

O vice-presidente para o TCU do Sindilegis, Alison Souza, e o auditor Evaldo Araújo se reuniram na terça-feira (11) com a equipe da Secretaria-Geral de Administração (SEGEDAM) do Tribunal para conversar sobre uma possível contratação de terceirizados para substituir técnicos do tribunal. A secretária de gestão de pessoas do órgão (SEGEP), Cláudia Gonçalves Mancebo, garantiu que não há previsão sobre a terceirização em atividades desempenhadas por técnicos no TCU.

“Não há previsão de contratação de terceirizados no momento. A implementação ainda depende de alteração da resolução que trata das competências dos diversos cargos que temos na Casa. É necessário que essas competências hoje previstas para os técnicos sejam revistas”, explicou Cláudia. “Quando isso for implementado, os terceirizados farão tarefas administrativas mais operacionais”, completou.

Segundo Alison, a conversa serviu para tranquilizar os servidores. “Não há nenhum estudo ou projeto da SEGEDAM no sentido de substituir os técnicos por terceirizados. Ao longo dos últimos anos houve um número de aposentadorias muito grande e não houve uma reposição integral dessas pessoas. Isso está afetando alguns trabalhos e na medida da necessidade estão fazendo algumas terceirizações”, afirmou.

De acordo com Evaldo Araújo, o Sindilegis está acompanhando de perto essa questão. “A redefinição das competências é importante para os técnicos e para os auditores porque não é só a terceirização que elimina algumas competências. O próprio avanço tecnológico vai fazendo com que um conjunto de atividades que nós realizávamos passem a ser executadas de forma automática”, ponderou.

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Ao lado de deputados e senadores, Sindilegis participará de lançamento de Frente Parlamentar em defesa do Serviço Público

Deputado professor Israel Batista (PV/DF), que está à frente da organização, acredita que “é necessário e urgente um debate contínuo sobre o papel do serviço público”

Cerca de 220 deputados e senadores vão integrar, a partir da próxima semana, a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público, que proporá um calendário de atuação com eventos, audiências e seminários em prol dos servidores públicos. O lançamento da Frente será no dia 3 de setembro, às 15h, no Salão Nobre da Câmara dos Deputados, e todos os servidores do Legislativo e do TCU estão convidados a participar.

A Frente atuará na solicitação de estudos à consultoria da Casa sobre os principais pontos da pauta prioritária dos servidores públicos: negociação coletiva, direito de greve, assédio moral na administração pública e, claro, Previdência dos servidores.

De acordo com o deputado professor Israel Batista (PV/DF), em função das inúmeras propostas de mudança nas legislações que dizem respeito diretamente ao conjunto de servidores e ao serviço público no Brasil, é necessário e urgente um debate contínuo sobre a prestação de serviços voltados para a sociedade. “Também é fundamental trazer à discussão iniciativas que podem configurar em patente ameaça aos direitos e garantias de milhões de servidores e servidoras”, argumentou.

O Sindilegis e o Fonacate, bem como outras entidades, acreditam que a união dos parlamentares, somado à atuação política contra os pacotes de maldade direcionados ao servidor público, promoverá a manutenção dos direitos de todos: “Estamos buscando nos articular melhor com os parlamentares e queremos aperfeiçoar a legislação atual referente ao serviço público. A partir da união entre a nossa categoria desenvolveremos políticas eficazes para a manutenção dos direitos dos servidores”.

De acordo com o estatuto, a Frente Parlamentar Mista em Defesa do Serviço Público terá como finalidades:

I – Promover debates, simpósios, seminários e outros eventos pertinentes ao exame da política de desenvolvimento do serviço público;
II – Promover o intercâmbio com instituições semelhantes e parlamentos de outros países, visando o aperfeiçoamento recíproco dos respectivos serviços públicos;
III – Procurar, de modo contínuo, o aperfeiçoamento da legislação referente ao serviço público, influindo no processo legislativo a partir das comissões temáticas nas duas Casas do Congresso Nacional; e,
IV – Conhecer e auxiliar na divulgação de novos métodos e processos que fomentem a eficiência do serviço público.