Créditos: Edy/ União Brasil na Câmara dos Deputados

Frente Parlamentar homenageia Tatiana Sampaio em sessão sobre mulheres na ciência e liderança no serviço público

A Frente Parlamentar da Ciência, Tecnologia, Pesquisa e Inovação (FPC&TPI) realizou, nessa quarta-feira (27), uma sessão especial no Senado Federal em homenagem às mulheres na ciência e à liderança feminina no serviço público. O encontro aconteceu no Plenário 6 da Ala Senador Nilo Coelho e reuniu pesquisadores, representantes de instituições de inovação, parlamentares e convidados.

A solenidade foi conduzida pelo deputado federal Carlos Henrique Gaguim (União-TO) e destacou a trajetória da professora e pesquisadora Tatiana Sampaio, responsável pelo desenvolvimento da polilaminina, biofármaco derivado da laminina projetado para estimular a regeneração de neurônios e promover a reconexão nervosa em casos de lesão grave da medula espinhal.

A pesquisa liderada por Tatiana representa um avanço promissor na medicina regenerativa. Lesões medulares graves estão entre as principais causas de perda permanente de movimentos e sensibilidade, afetando milhares de pessoas no Brasil e no mundo. A polilaminina surge como uma alternativa inovadora ao buscar estimular a recuperação neural e ampliar perspectivas terapêuticas para pacientes que hoje possuem opções limitadas de tratamento.

Durante a sessão, foi reforçado o papel do serviço público como motor da ciência e da inovação no Brasil. A homenagem à pesquisadora destacou a relevância das universidades públicas e dos institutos de pesquisa na produção científica nacional, além da necessidade de ampliar investimentos em ciência, tecnologia e inovação.

Em entrevista concedida ao Sindilegis durante o evento, Tatiana Sampaio destacou: “O mundo que a gente vive foi construído pelos homens. A gente não precisa só de espaço no mundo, a gente precisa mudar o mundo”, declarou.

Mulheres que transformam a ciência brasileira

O protagonismo feminino na ciência brasileira ganhou destaque durante a homenagem à pesquisadora Tatiana Sampaio no Senado Federal. Em um cenário historicamente marcado pela predominância masculina, cientistas brasileiras têm ocupado espaços estratégicos na produção de conhecimento, no desenvolvimento tecnológico e na liderança de pesquisas de impacto social.

A trajetória de Tatiana se soma à de outras mulheres que ajudaram a transformar a ciência nacional, como a geneticista Iris Ferrari, falecida em 2021. Vanguardista, a professora da Universidade de Brasília (UnB) trabalhou na instituição até os 89 anos e foi responsável pela criação do primeiro serviço de Genética Clínica do Distrito Federal, que já realizou atendimento gratuito a mais de seis mil famílias.

Iris também participou do desenvolvimento de técnicas utilizadas até hoje no diagnóstico de doenças hematológicas, como o mieloma múltiplo, além de atuar na implantação do serviço de transplante de medula óssea em Brasília. Sua atuação se tornou referência nacional na área biomédica e contribuiu diretamente para ampliar o acesso da população a tratamentos e diagnósticos especializados.

A homenagem promovida pela Frente Parlamentar reforçou ainda a importância das universidades públicas e dos institutos de pesquisa para a formação de mulheres cientistas e para o fortalecimento da produção científica brasileira.

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Participe do 2º Desafio de Inovação do Senado: inscrições vão até domingo (6)

O Senado Federal está com inscrições abertas para o 2º Desafio de Inovação, uma oportunidade para servidores, aposentados, terceirizados, estagiários e menores aprendizes apresentarem ideias e soluções que visam aprimorar o trabalho da instituição e os serviços prestados à população. O cadastro na competição pode ser feito até domingo, dia 6 de julho.

Os interessados em participar devem enviar suas propostas pela plataforma do Desafio de Inovação. É importante ressaltar que o acesso à plataforma deve ser feito pelo computador, utilizando o mesmo login e senha da rede do Senado. Para evitar imprevistos de última hora, o Núcleo de Apoio à Inovação (Nainova) está disponível para auxiliar em caso de dificuldades, pelos canais [email protected], ramal 4080 ou Teams (Falar com Porath).

Após o encerramento das inscrições, o Desafio de Inovação segue um cronograma rigoroso para a seleção e o desenvolvimento das ideias. Confira:

Classificação das ideias: de 7 a 8 de julho. Nesta etapa, as propostas serão verificadas quanto ao preenchimento completo, clareza, coerência e aderência à categoria escolhida.

Seleção das ideias finalistas: de 9 de julho a 6 de agosto. O Nainova, com o apoio de especialistas, escolherá até cinco ideias por categoria para a fase de prototipagem.

Divulgação das ideias selecionadas: em 6 de agosto. Os autores das ideias finalistas serão informados sobre a aprovação de suas propostas.

Prototipagem: de 15 de agosto a 12 de setembro. As equipes responsáveis pelas ideias selecionadas terão esse período para transformar suas propostas em modelos iniciais que demonstrem sua funcionalidade na prática, com o apoio e orientação do Nainova.

Mostra de protótipos: de 1 a 16 de outubro. Os protótipos serão apresentados à comunidade do Senado em um evento cujas datas, horários e locais serão divulgados futuramente.

Avaliação final e evento de premiação: as datas para essa etapa final ainda serão anunciadas. Uma Comissão Julgadora, com representantes de diversas áreas do Senado e dos patrocinadores, avaliará os protótipos para definir os vencedores.

As categorias do desafio são “IA Resolve”, focada no uso de inteligência artificial para melhoria de processos, e “Senado em Jogo Digital”, que busca a criação de um jogo educativo sobre o Senado, principalmente para estudantes do Ensino Médio. Os vencedores de cada categoria receberão R$ 10.000,00, e a categoria “IA Resolve” poderá conceder menções honrosas de R$ 1.000,00.

Saiba mais sobre o Desafio pelo link: https://sindilegis.org/2DesafioInovacao

Compartilhe sua proposta com o Sindilegis e amplifique a sua voz

Se você é servidor e filiado ao Sindilegis, queremos conhecer a sua ideia! Envie sua proposta em um vídeo de até 1 minuto e 30 segundos ou em um texto de até uma página para o e-mail [email protected].

Série

Bússola Tech, com apoio do Sindilegis, disponibiliza a maior série global sobre transformação digital em parlamentos

São mais de 40 horas de conteúdo gratuito que abordam o uso de tecnologias e soluções inovadoras com experiências de mais de 30 países

A Bússola Tech, em parceria com o Sindilegis, produziu a maior série sobre transformação digital em parlamentos ao redor do mundo.

Desde o dia 15 de março, é possível assistir aos primeiros episódios de “LegisTech – A transição para um legislativo pronto para o digital”, iniciativa inédita com diversos depoimentos e cases que vão desde a digitalização do processo legislativo até o uso de inteligência artificial.

Pensada para servidores e profissionais que atuam em parlamentos, a produção disponibiliza gratuitamente mais de 40 horas de conteúdo sobre soluções inovadoras que têm inspirado diversos países, além de fortalecer uma rede para a troca de experiências.

Para acessar os episódios, basta cadastrar-se na plataforma da startup pelo link: http://bussola-tech.co/. Caso queira ler mais informações sobre a iniciativa, acesse https://bussola-tech.co/br-serie.

Para Luís Kimaid, CEO da Bússola Tech, “o único caminho para a transformação digital efetiva do Poder Legislativo é por meio da colaboração e cooperação entre os departamentos internos e das Casas Legislativas, formando uma comunidade”.

Já foram disponibilizados dez episódios, incluindo um que conta com a participação do presidente do Sindilegis e servidor do Tribunal de Contas da União, Alison Souza, que aborda o tema “Recursos Humanos para a Transformação Digital do Legislativo”.

Clique na imagem acima para assistir ao episódio “Recursos Humanos para a Transformação Digital do Legislativo”, com o presidente do Sindilegis, Alison Souza.

“A transformação digital é muito pertinente para nós, do Sindicato. Não apenas porque representamos categorias que são os atores por trás desses processos na Administração Pública, mas por entendermos que é uma etapa importante para uma maior acessibilidade e democratização dos serviços, onde o foco sempre deve estar voltado para o público, o cidadão, mas sem perder de vista que quando abordamos gestão de recursos públicos, aí também se incluem trabalhadores, vidas humanas”, avalia.

Por meio da série, é possível conhecer e aprender mais sobre as experiências do Senado Federal e da Câmara dos Deputados do Brasil, bem como de parlamentos internacionais de 30 países, entre eles: Congresso Norte-Americano, Parlamento Europeu, Casa dos Comuns e Casa dos Lordes no Reino Unido; e organizações interparlamentares, como a União Interparlamentar e o Parlamericas.

Representando o Senado brasileiro, Ilana Trombka, Alessandro Albuquerque, Luis Fernando Machado, Alisson Bruno de Queiroz, Florian Madruga e Henrique Porath e Daniel Pandino; a Câmara conta com a participação de Patricia Almeida, Marcus Chevitarese, Eduardo Andrade, Rodolfo Vaz, Lincon Macario e Patricia Roedel.

Sobre a iniciativa, Alison Souza complementa: “Essa troca de experiências é muito rica porque quando analisamos nossas vivências a partir dessa necessidade comum de adaptação para os novos tempos, fica claro que temos muito mais em comum do que imaginávamos. Podemos, então, nos enxergar como iguais e nos ajudar a transpor desafios que já foram superados em outros lugares”.

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Sindilegis passa a utilizar Whatsapp para confirmações de agendamento jurídico

A valorização dos nossos servidores é a bússola do Sindilegis 5.0, o Sindicato mais moderno do País. A nossa meta é continuar revolucionando o relacionamento com os nossos filiados. Para isso, usamos a tecnologia em nosso favor. Com o objetivo de facilitar e estreitar a nossa comunicação, a Consultoria Jurídica fará a confirmação e o cancelamento dos agendamentos também via WhatsApp. O número é o (61) 99952-9516. Já salva aí no seu celular! Com o número salvo na lista de contatos do seu telefone, a nossa comunicação ficará ainda mais segura, transparente e moderna.

Os comunicados sobre agendamentos e cancelamentos continuarão sendo feitos também por e-mail.

Fique atento!

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“A tecnologia é uma arma e, por isso, devemos saber como usá-la em nosso favor”, afirmam debatedores no primeiro dia do fórum LegisTech

Sindilegis se uniu a representantes de instituições nacionais e internacionais para discutir a aplicação da tecnologia no Parlamento Brasileiro

Representantes de Casas Legislativas do Brasil – o Sindilegis entre eles – e do mundo traçaram um panorama da inovação e digitalização dos parlamentos durante o primeiro dia do LegisTech Forum 2020, nesta segunda-feira (26). O evento, organizado pela Bússola Tech, contou, em seu primeiro dia, com oito painéis, 12 horas de debate e vários mecanismos e estudos de casos que prometem modernizar os parlamentos tanto do Brasil quanto de outros países.

A Conferência Global em Transformação Digital no Legislativo trouxe experiências da Câmara dos Deputados, do Senado Federal, do Interlegis e da Assembleia Legislativa de São Paulo. O evento contou também com a participação de membros de instituições internacionais como Parlamento da Tunísia, ProCivis, Xcential e Rede Latino-Americana pela Transparência Legislativa. Os casos de sucesso, os desafios tecnológicos e as constantes transformações foram a tônica dos debates.

Unidos pela globalização – Entre as vantagens trazidas pelo home office, está a possibilidade de unir pessoas de vários cantos do mundo para debater assuntos correlatos. Esta é a segunda edição do LegisTech Forum – a primeira ocorreu em São Paulo, presencialmente, em outubro de 2019 –, realizada de forma totalmente online e gratuita, com a opção de tradução simultânea.

O CEO da Bússola Tech, Luís Kimaid, que realizou a mediação do primeiro momento do ciclo de painéis, ressaltou que o Poder Legislativo exerce papel fundamental na constituição de uma interação inovadora entre seus processos e na relação com o cidadão: “Ao trazermos nomes renomados tanto nacionais quanto internacionais para esse nível de discussão, ampliamos o impacto do LegisTech; ele deixa de se restringir apenas a atores de dentro do Poder Legislativo, já que há o potencial de ampla melhoria na eficiência na relação com outros poderes da República, assim como outras esferas”.

Filiados ao Sindilegis também participaram como debatedores trazendo ricas experiências implementadas na Câmara dos Deputados e no Senado Federal. O presidente, Petrus Elesbão, relembrou que vários servidores que se apresentaram tanto na primeira edição do LegisTech Forum, quanto nesta segunda foram agraciados por ideias inovadoras no projeto “Gente que Inspira”: “Ficou bastante claro pra mim que o Parlamento Brasileiro é um farol para tantos outros, modelo e referência de como utilizar a tecnologia para fortalecer o processo legislativo, ser cada vez mais transparente e promover a participação popular”.

Buscando trazer um novo olhar para o Legislativo brasileiro, Mark Stodder, presidente da start-up americana Xcential Technologies, apresentou o LegisPro, software de digitalização que permite automatizar procedimentos legislativos. “O LegisPro não é um programa de software comum para todos. Nosso objetivo é oferecer o controle do aplicativo, configurá-lo da maneira que melhor atenda às suas necessidades e aos usuários de órgãos legislativos ou governamentais e garantir que você nunca fique restrito a um produto do fornecedor”, explicou.

Construção colaborativa – O LegisTech deu o pontapé em seu ciclo de palestras com o suíço Rolf Rauschenbach, da ProCivis, conhecida pela busca do empoderamento digital da sociedade: “Queremos ser a ponte para preencher a lacuna entre os mundos digital e físico”.

Para debater a “Jornada da transformação digital aplicada ao processo legislativo”, tema do segundo painel do dia, o LegisTech contou com um time de peso composto pelos secretários-gerais da Mesa da Câmara e do Senado, Leonardo Barbosa e Luiz Fernando Bandeira de Mello, respectivamente; com María Baron, diretora-executiva global do Directorio Legislativo na Argentina; e Carol Venuto, da Associação Brasileira de Relações Institucionais e Governamentais (Abrig).

Bandeira relembrou as medidas tecnológicas implementadas no Senado no decorrer dos anos, que ocorreram de forma gradual, mas responsável. Entre as medidas recentes, citou a primeira votação remota da Casa, que ocorreu em março deste ano, logo após ser decretada a pandemia devido à Covid-19. “Representantes de parlamentos internacionais entraram em contato conosco para possíveis intercâmbios. O Parlamento não pode fechar e contamos com a tecnologia como grande aliada para sanar essa distância”.

Da mesma forma que pode ser usada para diminuir distâncias, organizar informações e agilizar a comunicação, a tecnologia também pode causar grandes estragos. Para Barbosa, é preciso ter cuidado e responsabilidade com a tecnologia, tendo em vista que ela por si só não garante democracia nem transparência. “Todo mundo tem ideias brilhantes, mas executá-las em instituições bicentenárias não é um processo simples”.

Os efeitos da pandemia também foram abordados pela palestrante internacional. Baron foi certeira ao afirmar que as transformações institucionais devem ocorrer de forma gradual nas instituições devido às complexidades da sociedade. “A participação é ferramenta importantíssima nessa construção. Um bom exemplo que podemos citar é a forma como o mundo conseguiu se conectar e manter o bom diálogo, mesmo à distância. Foi uma solução rápida e eficiente”, afirmou.


Intercâmbio de informações
– O vice-presidente do Sindilegis Alison Souza mediou o terceiro debate, que contou com figuras dos Estados Unidos (Leisel Bogan, do Tech Congress) e do Reino Unido (Ben Belward, do Apolitical), além do filiado e servidor do Senado Márcio Tancredi.

“A arquitetura de uma Casa Legislativa Digital” foi o mote para a discussão. “Este é o momento de pensarmos fora da caixa. Estar com organizações de fora possibilita uma troca de conexões ímpar, que só tem a somar com as experiências que acumulamos. E estamos vivendo um bom momento para a Tecnologia da Informação (TI). A tecnologia possibilita buscar melhores informações para as tomadas de decisão e reduz os custos dos seus processos. Como a necessidade de economizar é muito latente, isso traz ainda mais perspectivas para que possamos utilizar a tecnologia em nosso favor”, apontou Souza.

O vice-presidente questionou Bogan sobre quais metodologias e estratégias o poder público pode utilizar para levar informações de interesse ao cidadão de forma simples e atrativa. “É preciso que o Parlamento construa ferramentas que ampliem a participação social e possam engajar o cidadão a entender que, sim, ele tem uma responsabilidade nesse controle e nessa fiscalização tanto quanto o Congresso”, afirmou.

Para Tancredi, é importante lembrar também que alinhada à discussão sobre a tecnologia, é preciso debater também a interação humana nesse processo: “Estamos falando tanto de tecnologia, mas não podemos nos esquecer das pessoas. É importante que a nossa cultura interna esteja sendo trabalhada no sentido de entender melhor a missão da Casa Legislativa, e respeitar e utilizar essa missão como guia nos trabalhos do dia a dia”.

Legislativo como protagonista – O servidor do Senado Henrique Porath mediou o quarto debate, que tratou da “Experiência do usuário no Legislativo: como mapear as necessidades dos usuários internos e externos?”.
Patricia Roedel, servidora da Câmara e uma das painelistas, trouxe uma apresentação onde revelou uma pesquisa qualitativa feita com usuários a respeito do portal da Casa: “Foi um retorno interessante pois pudemos aferir onde estávamos acertando e onde podíamos melhorar”.

Waldir Bezerra Miranda, do Senado, afirmou que o Poder Legislativo no Brasil tem a oportunidade de ser protagonista na agenda de inovação pública. “É necessário que as Casas invistam em espaços de teste que gerem conhecimento e dialoguem ainda mais com empreendedores públicos e privados, empresas, outras esferas de governo e com o cidadão”, apontou. A discussão também contou com a participação de Vitor Fazio, servidor da Prefeitura Municipal de São Paulo; e Carol Ayres, da Humana.

Coronavírus em pauta – A diretora do Centro de Formação da Câmara (Cefor), Juliana Werneck, ressaltou que a escola atua no suporte à inovação. “Para inovar nós precisamos desenvolver capacidades e uma delas é o conhecimento. Tanto o saber de metodologias, quanto o saber cooperar, e, principalmente, saber escutar. A escuta do usuário é essencial para inovar. A gente ainda está no começo do processo de ouvir o cidadão. Esse é um grande desafio”, observou.

Tema amplamente debatido no período da manhã, o contexto da pandemia da Covid-19 não ficou de fora da discussão nos painéis seguintes. Werneck afirmou que apesar das dificuldades, o período trouxe possibilidades de experimentação: o projeto para oferecer disciplinas do mestrado de forma virtual saiu do papel. “Isso era pensado há meses, mas a gente tinha medo. E nesse momento de crise a gente se deu ao luxo de experimentar”, explicou. A diretora alertou que a inovação no setor público envolve uma série de desafios: “A experimentação vem com a questão do controle, do bom uso do dinheiro público. A empresa privada sabe que o dinheiro investido pode não ter retorno, no setor público não é assim”, declarou.

Segundo José Moulin, da Nexta, os fatores comportamentais são determinantes para facilitar o processo de inovação. “Eu acho que todo servidor ou pelo menos os tomadores de decisão, os definidores de políticas públicas deveriam ter conhecimento da ciência comportamental que está dominando o mundo, do que são os nudges, que podem ser de uma relação custo-benefício fantástica em termos de mudança de comportamento”, apontou.

Antonio Napole, da Kaiser Associates, ressaltou o impacto das mudanças no mundo digital. “A tecnologia muda mais rápido do que a gente. A gente deveria acompanhar essa velocidade de mudança de forma consciente, aceitando que ela pode trazer benefícios e malefícios”.

Vinicius Schurgelies, da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), destacou a relevância das escolas do Legislativo na construção de parlamentos digitais. “Esses espaços educacionais permitem a congregação de diferentes visões, reúnem pessoas que têm interesse pelo conhecimento, criam um fórum permanente de discussão com troca de experiências que permitem faíscas de inovação no Legislativo”.

Gente que Inspira – O fórum também trouxe um panorama do processo de digitalização nas Casas. Marcus Chevitarese, da Câmara e um dos agraciados com o prêmio Gente que Inspira 2019 do Sindilegis, destacou a importância do planejamento estratégico para os dados gerados pela atividade legislativa. “O rol de informações é muito amplo em termos tanto quantitativos quanto qualitativos. A estratégia de governança desses dados deve buscar um equilíbrio entre a transparência e a privacidade em respeito à Lei Geral de Proteção de Dados”, ressaltou.

Luís Fernando Pires Machado, do Interlegis, apresentou as dificuldades e cases de sucesso nas câmaras municipais. “Cerca de 90% das Casas quase não tem recursos ou proximidade com os grandes centros urbanos, o que as distancia da inclusão digital. O Interlegis realizou a capacitação dos servidores municipais e criou uma comunidade de prática utilizando programas como open source. Hoje chegamos a ter Casas com a certificação digital do prefeito ao encaminhar o processo legislativo digital de uma lei orçamentária para a Câmara Municipal sem papel”, enfatizou.

Transparência em voga – A transparência e o acesso à informação nas Casas Legislativas foi a temática do oitavo e último painel do LegisTech. Para Guilherme Brandão, do Senado, a transparência não deve se limitar à disponibilização de dados públicos. “A concepção contemporânea de transparência vai muito além de colocar as informações públicas de forma acessível para a população. Ela deve incluir além da participação, interação e processos educacionais. A transparência ativa apresenta muito mais oportunidades do que desafios; ela é um campo cheio de oportunidades de desenvolver novas funções e ir muito além do que divulgar textos e informações oficiais”, opinou.

Rodolfo Vaz, da Câmara, explicitou os desafios de tornar as informações do portal da Casa mais acessíveis para o cidadão. “Existem milhares de subgrupos dentro do grupo cidadão comum. Alguns têm muita intimidade com a tecnologia, mas falta de intimidade ou interesse pela política. Outros têm intimidade com a política, mas nem tanta intimidade com a tecnologia. Devido à diversidade e complexidade do processo legislativo, a principal forma que a gente vem buscando de alcançar esses grupos é traduzir para uma linguagem simplificada, que o cidadão consiga entender”.

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Troca de experiências entre parlamentos do mundo marcam segundo dia do LegisTech Forum 2020

No total, foram realizados sete painéis ao longo do dia, que promoveu debates ricos voltados sobre o uso de inteligências artificiais, uso de dados, cooperação interparlamentar e participação popular nos parlamentos

Em seu segundo dia de evento, o LegisTech Forum 2020 prosseguiu com debates de temas relacionados ao uso da tecnologia como aliada na transformação de parlamentos ao redor do mundo e promoveu a troca de experiências inspiradoras entre diferentes instituições legislativas, motivadas sobretudo pela crise social e sanitária provocada pela pandemia de Covid-19.

No dia 27 de outubro, o evento organizado pela Bússola Tech realizou sete painéis dedicados à digitalização dos processos legislativos, investimento em inteligência artificial, ampliação da participação popular e ao intercâmbio de soluções. No total, o fórum contabilizou 24h de discussão sobre inovação.

Cooperação interparlamentar para a transformação digital legislativa

“Cooperativismo” não é um termo estranho à população brasileira, pois permeia a realidade de diferentes setores do país, mas a organização coletiva não está restrita ao sindicalismo trabalhista e ao empreendedorismo econômico. A cooperação interparlamentar foi o fio condutor do primeiro debate da manhã, mediado pelo CEO da Bússola Tech, Luís Kimaid, e que reuniu especialistas de diferentes nacionalidades.

Alisha Todd, do Parlamericas (Toronto, Canadá) destacou o êxito da Câmara dos Deputados brasileira em adotar tão rapidamente o sistema de deliberação remoto. “Estamos impressionados com o que fizeram no Brasil. Eles ainda foram proativos ao ponto de compartilhar o conteúdo de sua experiência em quatro idiomas no Parlamericas, em inglês, espanhol, francês e português, para que outras Casas legislativas pudessem aprender com seu processo”, avaliou.

Para Andy Williamson, escocês representante da União Interparlamentar (Geneva, Suíça) o fato de que, salvas as particularidades culturais de cada país, a similaridade nas estruturas dos parlamentos por si só já possibilita o intercâmbio de experiências: “Não estamos inventando a roda. O parlamento é algo simples. Precisamos focar nas semelhanças que temos, compartilhar boas práticas e inovar”.

Tiago Peixoto, do Banco Mundial (Washington, Estados Unidos), lembrou que outro importante fator a ser observado é o momento político, uma vez que é necessário o engajamento dos parlamentares no processo de transformação digital. “Algumas instituições já iniciaram essa transição, mas a grande maioria foi pega desprevenida pela atual crise que vivemos. A necessidade criou a oportunidade para essa transformação”, pontuou. Luís Kimaid concordou e completou: “esta pandemia mostrou às sociedades de diferentes países que o seu parlamento é mais que um edifício, é um valor democrático”.

Os especialistas foram unânimes em pontuar uma maior participação da sociedade no parlamento como um dos ganhos da digitalização de processos. “No fim do dia, todas as nossas conversas se voltam para a confiança porque esse é um fator fundamental na representação popular. O uso de dispositivos como o E-Cidadania, onde a população não apenas tem acesso ao teor de um projeto, mas também pode opinar sobre ele, nos deixa ainda mais próximos do verdadeiro conceito de democracia”, refletiu Alisha Todd.

Papel das startups na transformação digital do Poder Legislativo

O desenvolvimento de novas tecnologias não é algo necessariamente rápido, e por isso, muitas instituições optam por adaptar e utilizar soluções disponibilizadas em empresas de serviços especializados. Esse contexto embasou o painel “Como as startups podem ajudar o Poder Legislativo em sua transformação digital”.

Bruno Freitas é parte do Dínamo, um movimento de articulação na área de políticas públicas focado no ecossistema de startups. Para o empreendedor, a contribuição das empresas às instituições legislativas vai além da oferta de ferramentas, perpassando inclusive pelo modelo de organização interno. “As startups trazem metodologias ágeis para o cotidiano de um parlamento, o que te ajuda a entender seus objetivos e também como você pretende alcançar esses resultados. Essas métricas dão celeridade ao processo. Já existem diversos mecanismos prontos para testes que permitem achar novos entendimentos em um mundo volátil e incerto”, explicou.

A criação e implantação de setores de pesquisa e inovação dentro de Casas Legislativas tende a facilitar o diálogo entre instituições públicas e as novas prestadoras de serviço. Daniel Pandino, servidor do Senado Federal, citou o exemplo do NaInova, o Núcleo de Apoio à Inovação do órgão: “Além de prestar apoio administrativo em trazer para discussões esses novos métodos, nós acompanhamos e analisamos essas promessas de transformação digital para que sejam adequadas para a nossa realidade”.

Maria Nazaré Lins Barbosa, representante da Câmara Municipal de São Paulo, órgão responsável por representar 12 milhões de paulistanos, explicou que um dos focos de trabalho da Casa foi o de comunicar as leis de forma simples e amigável à população e que, para isso, foi realizado um forte investimento em perfis em diferentes mídias sociais. A Câmara também realizou uma adequação regimental e treinou os parlamentares para o uso de ferramentas para deliberação e votação remotas. E, além de tudo isso, instituição tem financiado pesquisas de grupos acadêmicos interessados em desenvolver soluções para o Legislativo.

A servidora destacou que é necessária uma ruptura dentro da cultura organizacional do parlamento, mas ressaltou que isso não significa, necessariamente, um rompimento com a tradição. “Uma lição que fica para depois da pandemia é que existem propostas e projetos legislativos de baixa complexidade, que não necessitam serem discutidos em plenário presencial. A deliberação remota oferece agilidade para essas situações e possibilita que o parlamentar passe mais tempo ouvindo a população”, raciocinou.

A participação no processo legislativo

A participação da população nos processos legislativos também foi tema de um painel moderado pelo servidor da Câmara dos Deputados Fábio Almeida, que lembrou que um dos grandes desafios a ser vencido no Parlamento digital é necessidade de capacitação da população em geral para uso de determinadas tecnologias. “Temos que levar em consideração que a linguagem tecnológica ainda não é plenamente acessível e isso pode inibir parte da sociedade. Um cidadão pode se ver intimidado e desconfortável por acreditar que não tem capacidade para usar uma ferramenta institucional”, ponderou.

Para Alisson Bruno, do Senado Federal, a população não deve ser subestimada. “Quando olhamos os comentários no E-Cidadania, vemos feedbacks e análises profundas sobre as propostas apresentadas. No dispositivo, temos a possibilidade de mediar e censurar postagens agressivas, mas isso quase nunca ocorre. O cidadão sabe como se conduzir naquele ambiente. Conseguimos observar uma participação popular construtiva com efeito prático”, elucidou.

A participação digital popular no processo podem ter resultados transformadores. Alexandra Chandram, do CitizenLab (Bruxelas, Bélgica) citou o recente engajamento da sociedade chilena no plebiscito que decidiu pela reformulação da Constituição do País: “Vimos uma forte mobilização que deu voz a um clamor popular e o ajudou a ser atendido”.

A criação de fóruns virtuais para o livre debate de proposições legislativas também diminui os ecos da subrepresentatividade. Débora Albu, da ITS Rio, citou a forte presença feminina nos espaços de debate em comparação com a baixa representatividade do gênero nos parlamentos brasileiros, mas aponta a necessidade de as mulheres estarem ainda mais envolvidas nos debates sobre transformação digital: “Hoje ainda se vê muito essa discussão em voga entre homens brancos. Precisamos construir uma melhor compreensão do processo de decisão em todas as parcelas da sociedade, afinal os debates e iniciativas que nascem no parlamento têm impacto direto na vida de todos”, finalizou.

Premissas da Inteligência Artificial

Não é Robocop, nem Matrix, muito menos Exterminador do Futuro. Embora muita gente tivesse medo no passado de que as máquinas dominariam o mundo, hoje a tentativa de reproduzir o comportamento humano automatizada de forma sistêmica, em larga escala e organizada por meio da Inteligência Artificial (IA) tem revolucionado uma Era. E sua utilização na esfera dos negócios, na Administração Pública e no Legislativo está em expansão significativa.

Em um dos painéis do LegisTech Forum, sobre as premissas da IA, os convidados Eduardo Andrade, servidor da Câmara dos Deputados; Débora Albu, da ITS Rio; Glauco Arbix, da USP; Fábio Rua, da IBM; e Jean Garcia Periche, da La Genia, dos Estados Unidos, abordaram que a IA deve ser usada em benefício da sociedade e para o bem, em como estruturar os dados e gerenciá-los para que os governos possam melhorar os sistemas econômicos e sociais.

Fábio Rua citou um exemplo que mais parece filme dos Jetsons, mas uma realidade que a Inteligência Artificial vai proporcionar muito em breve. “Imagine a cena: você é convidada a ir a uma festa hoje à noite e quer comprar um vestido novo. Aí você se conecta com a sua assistente, por meio de um óculos digital, que lhe apresenta uma série de opções, com combinações e adereços. Você seleciona qual vai querer usar e compra por meio do cartão de crédito. A informação é repassada a uma loja próxima onde mora e o vestido é confeccionado em uma impressora 3D. Finalizado, um drone o deixa na porta da sua casa”.

Os painelistas salientaram, no entanto, alguns riscos que a IA pode trazer no futuro e da necessidade de amadurecimento do seu uso. O professor Glauco da USP foi enfático em dizer que o banco de dados carrega preconceitos – uma vez criado por humanos – e merece atenção: “O mundo de quem faz a Inteligência é branco e masculino. Raras as exceções de mulheres que se empoderam e se destacam nesse ramo. É necessário que haja uma diversidade, livre de crendices ou preferência de gêneros, incluir novas populações dentro da tecnologia”.

A precisão, a proteção de informações, a transparência e a confiança também foram pilares do bate-papo desse painel. “Os números possuem um grande potencial, seja para o bem, como pode ser um destruidor de empregos. É preciso uma adoção ética e ter uma responsabilidade algorítmica, uma autorregulação observando os riscos para a sociedade”, disse o norte-americano.

 

Uso de dados e inteligência artificial no processo legislativo

Do universo tecnológico para o cotidiano do parlamento brasileiro, os servidores da Câmara, Patrícia Almeida, e do Senado, Lauro César Araújo, comentaram sobre a complexidade de integração entre todas as áreas envolvidas na elaboração das leis. E como tornar o processo eficiente, uma vez que é preciso observar o ordenamento jurídico, méritos, opinião pública, entre outros aspectos.

Além disso, mais do que o processo legislativo em si, a decisão política jamais será substituída por ferramentas tecnológicas. “Temos 513 deputados, 81 senadores, líderes partidários, blocos partidários, presidentes, comissões… Por mais que existam soluções facilitadoras para a integração de informações, existe a autonomia do parlamentar”, ressaltou Patrícia.

Lauro também questionou a necessidade de definição de estratégias de fomento da tecnologia no país e disse que a discussão deve ser levada para o âmbito do Legislativo: “Importamos muitas ferramentas, mas estão longe da nossa realidade. Como vamos investir no nosso futuro? Precisamos de boas práticas de desenvolvimento, autenticações que atestam a segurança do usuário, ter ética. E precisamos de leis mais robustas nesse sentido”.

Raphael Caldas, do Inteligov – primeira plataforma digital de monitoramento e inteligência em dados do Governo, também participou do painel. Ele elogiou as iniciativas do Legislativo em comparação a outros poderes em termos de transparência, navegabilidade e acessibilidade. “Uma visão de comunidade de quem produz e de quem consome está evidenciada no Legislativo Federal. Observamos a necessidade de expandir essa ação para as esferas estaduais e municipais”.

Esse painel contou ainda com a participação internacional do servidor do EU Parliament, de Bruxelas (Bélgica), Ludovic Delepiné. Ele agradeceu o intercâmbio de informações e interrogou: “O que o Parlamento está fazendo pela população? Advertimos que somos reféns de prestadores de serviço no quesito tecnológico e subestimamos as consequências legais dessas decisões. É muito complexo confiar nos dados e o seu uso deve ser usado para atividades essenciais do Parlamento para tornar o trabalho dos parlamentares mais efetivo. A democracia deve estar sempre em primeiro lugar”.

Panorama da digitalização dos Tribunais de Contas

André Siqueira e Renata Passos, servidores do Tribunal de Contas da União, e Rita Santos, do Senado, protagonizaram o painel sobre o controle, a avaliação e fiscalização de políticas públicas, com base nos dados fornecidos pela Administração Pública Federal.

Renata lembrou que, desde 2017, quando se implementou a avaliação das políticas públicas pelo TCU, havia uma série de gargalos nos indicadores e projeções de cenários: “Que problemas queremos resolver? Quais são as causas? E as melhores soluções? Com o tempo, essas perguntas começaram a ter respostas mais aprimoradas e, assim, foi possível montar guias de avaliação, documentos de análise a longo prazo e possibilitar treinamentos para os agentes públicos”.

Já Rita complementou que as boas práticas devem ser baseadas nos princípios constitucionais e a digitalização colaborou na qualificação do processo decisório: “Estamos em um ciclo de um constante aprendizado. Com a integração de ações e informações, com impacto regulatório, fortalecimento do controle, a entrega de bons serviços para a sociedade é ainda maior”.

Uso de dados e Inteligência Artificial na fiscalização de políticas públicas 

O último painel do LegisTech trouxe exemplos práticos do controle social das políticas públicas e dos benefícios de plataformas digitais para essa missão. A Serenata de Amor, por exemplo, não é apenas um delicioso bombom. É também o nome dado a um projeto pioneiro de fiscalização do terceiro setor para analisar as cotas ou verbas parlamentares.

Mário Sérgio, da Open Knowledge Brasil, líder técnico da equipe que desenvolveu o Serenata de Amor, convida a população a fazer um trabalho investigativo. “Os cidadãos devem estar engajados nesse processo, pois trata-se de um investimento coletivo. Temos que saber para onde o nosso dinheiro está indo”, salientou.

Rodrigo Felisdório, secretário de TI do TCU, foi um dos integrantes desse debate. “O melhor caminho do serviço público é investir em pessoas, estratégia e tecnologia. O tribunal completará 130 anos e o grande desafio é colocar as pessoas no centro do processo, engajá-las a interagir de forma mais ativa. O uso de plataformas deve ser simples, útil e mensurável. E no caso do TCU, estamos investindo na fiscalização de pessoal e de infraestrutura, além do repasse de recursos a instituições de ensino”, ponderou.

Felipe Castro (La Genia, Estados Unidos) corroborou as iniciativas dos brasileiros: “O LegisTech Forum proporcionou uma troca incrível de experiências ao redor do mundo”.

 

 

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TCU é premiado por projeto de inovação que gerou economia de R$ 70 milhões aos cofres públicos

Solução desenvolvida pelo tribunal com uso de Inteligência Artificial garante mais rapidez na análise de processos

O Tribunal de Contas da União recebeu mais um prêmio por inovar na gestão por meio do uso da tecnologia. A Corte conquistou o 2º lugar no Prêmio Inovação do Judiciário Exponencial na categoria “Institucional”. A honraria foi concedida ao projeto de Instrução Assistida, que garantiu celeridade na análise dos processos e ainda gerou economia de R$ 70 milhões. A premiação reconhece iniciativas inovadoras na gestão, no uso de tecnologias emergentes e que modificaram os processos internos das instituições.

O secretário de Soluções de Tecnologia da Informação do TCU, Rodrigo Felisdório, explicou que a plataforma foi desenvolvida a fim de diminuir o tempo e o custo para a recuperação de danos causados aos cofres públicos. “A produtividade média aumentou 215%. Percebeu-se também uma redução expressiva de 45% no tempo de análise dos processos, possibilitando a diminuição do quantitativo de auditores dedicados à instrução de Tomadas de Contas Especiais e a realocação em outras atividades de fiscalização. Considerando o custo médio com servidores, a Plataforma permitiu uma economia de R$ 70 milhões/ano”, destacou.

O projeto do TCU concorreu com outros 107 projetos de mais de 40 instituições. A avaliação foi feita pela Fundação Instituto de Administração da Universidade de São Paulo (FIA-USP).

Para o servidor, a premiação sinaliza que o TCU está no caminho certo, utilizando a Tecnologia da Informação de forma estratégica e intensiva para transformar a atuação do controle em benefício da sociedade. “O reconhecimento é fruto da competência, comprometimento e ousadia de pessoas empenhadas em transformar a Administração Pública em prol do cidadão”, afirmou Felisdório.

LegisTech

Conferência reúne 23 Parlamentos do mundo para debater transformação digital

Casas vão compartilhar experiências dos projetos de deliberação remota que permitiram funcionamento do processo legislativo durante pandemia

O Dia Internacional da Democracia é celebrado nesta terça-feira, 15 de setembro. A data foi escolhida pela Bússola Tech para promover um evento digital global a fim de reconhecer o trabalho das diferentes Casas legislativas durante este período de transformação digital em seu processo legislativo. O LegisTech For Democracy vai reunir, pela primeira vez na história, representantes de 23 Parlamentos de diferentes países para compartilhar experiências do uso da tecnologia para a prestação de serviços públicos. Servidores das Casas vão contar como implementaram projetos de deliberação remota que os ajudaram a manter o funcionamento do Legislativo durante a pandemia de Covid-19. O LegisTech vai apresentar ideias inovadoras de países como Brasil, África do Sul, Canadá, Chile, Espanha, Estados Unidos, Equador, Israel, México, Reino Unido e Ucrânia, entre outros.

“Liderança Política na Transformação Legislativa Digital” é o tema do primeiro painel. Andy Williamson, da União Inter Parlamentar; Catarina Corrêa, da Patri; e Luiz Fernando Bandeira de Mello Filho, do Senado Federal são os painelistas. O debate será conduzido por Luís Kimaid, CEO da Bússola Tech.

Outro painel vai discutir “Transformação Legislativa Digital e Sistemas de Deliberação Remota”. Os participantes são Luís Kimaid, CEO da Bússola Tech; Mark Stodder, presidente da Xcential Legislative Technologies; Patricia Almeida, diretora da Coordenação de Inovação e Estratégia Digital da Câmara dos Deputados; e Victoria Alsina, da Univerdade de Harvard. O moderador do debate será Fábio Almeida Lopes, conselheiro da Bússola Tech.

O vice-presidente do Sindilegis Alison Souza participará da abertura do evento e destacou que o parlamento brasileiro foi pioneiro na realização de sessões virtuais completas, com discussão e votação. “O Congresso brasileiro inspirou o mundo todo graças ao brilhante trabalho dos servidores da Câmara e do Senado”.

A conferência, que conta com o apoio do Sindicato, será realizada nos dias 15 e 18 de setembro. O encontro é gratuito e terá tradução simultânea dos mais diversos idiomas para o português.

As inscrições podem ser feitas por meio do link: https://br.legistechfordemocracy.co/

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Benefícios trazidos pela tecnologia transformaram serviços prestados pelas Casas, afirmam diretores de TI

 

Durante a segunda live do Transforma discutiram-se os caminhos para a construção do serviço público digital; painelistas destacaram ferramentas adotadas pelo Congresso e pela Corte de Contas

 

Os impactos da transformação digital no dia a dia da Câmara, do Senado e do TCU nortearam o debate da segunda edição do projeto Transforma que foi ao ar nesta quinta-feira, 10/09. Os investimentos das Casas em tecnologia de informação, as ferramentas de inovação desenvolvidas pelos órgãos, as soluções tecnológicas adotadas e os desafios enfrentados para adaptar as rotinas de trabalho durante a pandemia foram alguns dos pontos abordados. Os painelistas convidados para a discussão foram Rodrigo Felisdório, secretário de Soluções de Tecnologia da Informação do TCU; Alessandro Albuquerque, diretor da Secretaria de Tecnologia da Informação do Senado – Prodasen; e Sebastião Neiva, da Diretoria de Inovação e Tecnologia da Informação da Câmara (DITEC). Na avaliação deles, a tecnologia contribui para a produtividade das Casas, otimiza a rotina de trabalho, traz transparência ao processo e impulsiona os resultados.

 

Para assistir a íntegra da transmissão acesse aqui.

 

Rodrigo Felisdório acredita que a tecnologia é um ativo estratégico para transformar as instituições e alavancar os resultados do TCU. Ele destacou que o tribunal comemora este ano a implantação do processo eletrônico, que foi um marco na instituição. “A partir daí surgiram várias oportunidades de evolução não só na questão de processualística, mas o tribunal começou a entender com profundidade quais são as suas áreas de atuação, de fiscalização para poder cumprir melhor a sua missão que é aprimorar a administração pública em benefício da sociedade”, destacou.

 

O secretário de Soluções de TI ressaltou que o TCU tem investido em plataformas tecnológicas para organizar e otimizar o fluxo de informação entre diversos órgão públicos. “Um exemplo dessa plataforma que está sendo implantada em toda a Administração Pública é o Conecta TCU. Hoje não há mais comunicação processual com outros órgãos por meio de expedição de comunicação pelos Correios. Hoje, com um clique, essa comunicação é expedida em tempo real e já está disponível aos órgãos para poderem interagirem junto com o tribunal”, disse.

 

Sebastião Neiva falou sobre o desafio da Câmara de tornar os serviços digitais mais acessíveis para o cidadão e para os servidores. “Nós temos um público gigante que precisa de trabalhos mais ágeis, com qualidade e precisão e que façam frente ao anseio de participação do cidadão”, exemplificou.

 

A Casa está em fase de digitalização do processo legislativo, de acordo com o servidor. A previsão é que a primeira etapa esteja em operação em fevereiro de 2021. “O objetivo, além da facilitação, é torná-lo mais transparente para os cidadãos, os deputados, as lideranças e os órgãos interessados. A informação fica mais organizada, o cidadão pode acompanhar toda a evolução da lei por meio de canais de participação e manifestar a concordância ou não com as propostas apresentadas”, explicou. “A partir do momento que as proposições são acatadas pela Secretaria Geral da Mesa é criada uma enquete que todos os cidadãos podem comentar. Outro canal é o E-democracia, que permite uma interação maior em que o cidadão pode fazer sugestões a algumas proposições”, completou.

 

Alessandro Albuquerque afirmou que o Prodasen ampliou o acesso a serviços como a Extranet e a VPN (Virtual Private Network) para viabilizar o teletrabalho dos servidores em razão da pandemia. “O objetivo foi abranger o maior número de colegas e permitir que eles acessassem os computadores de mesa que estão lá no Senado. Essa foi uma solução bem legal”, afirmou. “Além de flexibilizar esses acessos, nós fornecemos certificados digitais internos com tecnologias nossas e aceleramos um projeto de colaboração online com o uso de ferramentas como vídeo chamadas e edição simultânea de documentos”, acrescentou.

 

Para Sebastião e Alessandro, as atividades do Legislativo não foram prejudicadas e a produtividade das Casas está a pleno vapor.

 

 

 

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Segunda edição do Transforma traz a tecnologia nas Casas para o centro do debate

Sindilegis recebe os responsáveis por inovação tecnológica das Casas para falar sobre perspectivas para a construção do serviço público digital

A segunda live da série Transforma acontece na próxima quinta-feira, 10/09, às 17h. Desta vez o enfoque será o uso de ferramentas tecnológicas na Câmara dos Deputados, no Senado Federal e no Tribunal de Contas da União e as perspectivas para a existência de um serviço público digital. Com o isolamento social imposto pela pandemia de coronavírus, as Casas tiveram que se adaptar rapidamente aos novos modelos de trabalho, mas já contavam com soluções de ponta, desenvolvidas pelas próprias equipes, empregadas em diversas áreas. Quais ferramentas tecnológicas os órgãos adotaram para dar implementar novas rotinas de trabalho? Que tipo de adaptação foi necessária para a transição para novos modelos de tarefas? Quais os benefícios trazidos pela tecnologia transformaram o serviço dentro das Casas? Já podemos pensar em um serviço público digital em breve? Essas são algumas questões que serão discutidas com os diretores das áreas de tecnologia dos três órgãos. A transmissão ao vivo acontecerá pelo canal do Sindilegis no YouTube.

Os convidados do debate são:

– Rodrigo Felisdório, secretário de Soluções de TI do TCU, com 22 anos de experiência em gestão e governança de TI em diversas organizações públicas e privadas. O servidor é pós-Graduado em Governança de TI e Comunicação aplicada ao Setor Público pela UnB.

– Alessandro Albuquerque, diretor da Secretaria de Tecnologia da Informação do Senado – Prodasen, com experiência de quase 30 anos em eletrônica, informática e tecnologia da informação. O servidor é graduado em Ciência da Computação e Sistemas de Informação, e pós-graduado em Engenharia de Projetos de Sistemas de Informação.

– Sebastião Neiva, da Diretoria de Inovação e Tecnologia da Informação da Câmara dos Deputados (DITEC) – Sebastião Neiva Filhos, 28 anos de Câmara dos Deputados, 26 na TI, graduado em Administração, com especialização em Gestão de TI pela Católica e Desenvolvimento Gerencial pela UnB.

O fórum virtual será conduzido pelo vice-presidente do Sindilegis para o TCU, Alison Souza. “O TCU acumula uma experiência de 10 anos de uso de ferramentas para implementar trabalho remoto de controle externo, por exemplo. A Câmara e o Senado já desenvolveram ferramentas baseadas em Inteligência Artificial para ampliar a transparência das atividades nas Casas. Nesse debate vamos conversar sobre as soluções de tecnologia e inovação que os servidores estão utilizando diante dos desafios impostos pela pandemia e os projetos para implementar novas frentes de trabalho”, afirmou Alison.

Transforma
O projeto Transforma foi idealizado pelo Sindilegis como um espaço permanente de estudo, discussão e produção de conhecimento sobre assuntos de interesse dos servidores e da sociedade. A iniciativa prevê a constituição de grupos de trabalho multidisciplinares que acompanham projetos de leis, matérias, processos e estudos que possam afetar a vida do servidor ou da população em geral.

Serviço
Transforma
Tema: Caminhos para a construção do serviço público digital
Data: 10/09
Horário: 17h

legistech forum

Servidores da Câmara e do Senado exibem trabalhos de inovação e tecnologia em São Paulo

O futuro – ou presente – das instituições públicas está em dar voz e vez ao cidadão, foi o que ficou claro durante os três dias em que servidores e trabalhadores de várias partes do país se uniram para discutir inovação e tecnologia voltada para o Legislativo. Diante de uma sociedade cada vez mais digital, as tecnologias aproximam e até utilizam os cidadãos como um braço de esforço para fiscalizar ou propor soluções.

O Sindilegis, que está investindo em inovação e na valorização do trabalho dos servidores, participou do Legistech Fórum, que ocorreu no Google for Startups Campus em São Paulo (SP) entre os dias 30 de outubro e 1º de novembro. O evento contou com profissionais de áreas diversas, mas todos ligados ao trabalho legislativo em estados, municípios e a nível federal.

Diversos projetos, debates e cases foram exibidos nesse sentido. Nove servidores do Legislativo Federal (Câmara dos Deputados e Senado Federal) participaram, expondo suas experiências e compartilhando pesquisas e descobertas.

Dentre os servidores, estavam Cristiano Ferri e Marcus Chevitarese, que foram homenageados por seus trabalhos no dia 28 de outubro – Dia do Servidor Público, durante o lançamento do programa de valorização do Sindilegis, o Gente que Inspira.

Foram 45 palestrantes nacionais e internacionais, 27 horas de atividades, 20 organizações representadas e 18 palestras e atividades de 7 países representados durante os três dias de evento. O evento também contou com a presença de grandes referências na política mundial, como Nikita Agarwal, da Apolitical, que destacou experiências brasileiras de participação popular como o e-Democracia e o e-Cidadania como exemplos para o mundo.

Foram dias de aprendizado e ficamos orgulhosos de ver servidores da Câmara e do Senado como referências de inovação não apenas para o legislativo brasileiro, mas para o mundo todo. Além de buscar conhecer essas iniciativas, fizemos questão de participar do fórum para valorizar o trabalho dos nossos servidores e deixar claro o compromisso do Sindilegis em destacar o que eles estão fazendo pelo serviço público brasileiro e, claro, pelos cidadãos“, disse Petrus Elesbão, presidente do Sindilegis. Na foto, Petrus está ao lado de Cris Ferri e do secretário-geral da Mesa da Câmara dos Deputados, Wagner Soares Padilha.

 

 

Participaram também os servidores do Senado Federal Alisson Bruno (e-Cidadania), Daniel Pandino Werneck (NaInova), Matheus Carrion e Hermann Braga (coordenador de mandato do Senador Rodrigo Cunha). Da Câmara dos Deputados, participaram os servidores Patrícia Roedel (Labhacker), Sergio Mendes (Diretor de Operações da Liderança do Partido NOVO na Câmara dos Deputados), Isabela Messias ( Assessora Legislativa no gabinete do Deputado Felipe Rigoni) e Wagner Soares Padilha (secretário-geral da Mesa).

 

Confira alguns projetos que foram apresentados pelos servidores durante o evento:

Cristiano Ferri, servidor da Câmara dos Deputados falou sobre o Labhacker e mostrou uma simulação de nova tecnologia: o Câmara 360 graus. Em um futuro breve, a ideia é que qualquer cidadão possa ter acesso virtual ao Plenário, inclusive aos bastidores como a sala de cafézinho onde são tomadas decisões importantes.

Ele também mostrou a tecnologia “Me escuta”, que é uma atendente de inteligência artificial que exibe informações sobre os parlamentares, seus projetos, ações e até mesmo biografia, tudo isso via áudio.

Wagner Padilha, servidor da Câmara dos Deputados, mostrou o Infoleg, aplicativo que permite aos parlamentares e aos cidadãos acessar, por meio de tablets e smartphones, informações sobre o processo legislativo, como início e resultados das votações, composição das bancadas e comissões, biografias de parlamentares, tramitação de propostas, entre outras.

 

Marcus Chevitarese, servidor da Câmara dos Deputados apresentou o programa de inteligência artificial Ulysses, que além de outras funções, consegue inclusive reconhecer faces. O projeto foi realizado junto com os servidores da Diretoria de Inovação e Tecnologia da Informação (DITEC) reunindo vários algoritmos de inteligência artificial. O Ulysses nasceu com funcionalidades autônomas de tematização, tradução e identificação de orador pela voz.

Daniel Werneck, servidor do Senado Federal, falou um pouco sobre o projeto do Núcleo de Inovação do Senado Federal (NaInova), que é apoiado pelo Sindilegis. O objetivo é criar um ecossistema para que os servidores apresentem soluções cada vez mais inovadoras e práticas para os órgãos públicos.