O Sindilegis informa aos filiados que aguarda a divulgação dos atos normativos da Câmara dos Deputados a respeito das regras do retorno das atividades presenciais para se manifestar. O trabalho presencial será retomado na próxima segunda-feira (25) em regime de escalas de trabalho e com a cobrança da apresentação de comprovante de vacinação para deputados e servidores. Na última sexta-feira (15), o Sindicato enviou ofício ao presidente da Casa, Arthur Lira, solicitando o adiamento da retomada dos trabalhos in loco e reunião para tratar dos detalhes do retorno presencial.
Após assembleia, Sindilegis requer adiamento de retorno presencial na Câmara
Sindicato alegou que apesar do avanço da vacinação, a taxa de transmissão da doença continua crescendo no DF e indica contágio descontrolado
O Sindilegis enviou ofício ao presidente da Câmara, deputado Arthur Lira (PP-AL), nesta sexta-feira (15), em que solicita o adiamento do retorno às atividades presenciais na Casa, previsto para a próxima segunda-feira (18). A retomada do trabalho presencial ocorre no momento em que o Distrito Federal, na contramão do verificado no restante do país, enfrenta novamente o crescimento da taxa de transmissão da Covid-19.
No documento, o presidente do Sindicato, Alison Souza, ressalta que, apesar do avanço da vacinação, a taxa utilizada mundialmente para medir o perfil de uma doença quanto à sua disseminação na população chegou a 1,08 na última terça-feira (12), de acordo com o boletim epidemiológico da Secretaria de Saúde. Isso significa que 100 pessoas infectadas transmitiriam a Covid-19 para outras 108. Especialistas atribuem o avanço da doença no DF a uma série de fatores. Entre eles, o aumento das atividades presenciais de trabalho e a intensa circulação de pessoas de todos os estados devido à centralização político-administrativa na capital.
A situação é ainda mais grave na Câmara dos Deputados, que conta atualmente com 18.500 colaboradores, entre parlamentares, servidores efetivos, comissionados, estagiários e terceirizados. Além disso, a maior parte dos ambientes da Casa não conta com ventilação adequada, tampouco com espaço suficiente para a manutenção do distanciamento necessário entre as pessoas, ressalta Souza. “O retorno integral às atividades presenciais, nessas condições, é extremamente temerário por colocar em risco a saúde desses milhares de trabalhadores, especialmente no momento em que a Casa recebe o intenso fluxo de prefeitos e assessores que têm visitado os gabinetes em busca de emendas no Orçamento de 2022”, destaca o presidente do Sindilegis.
Além do adiamento, Souza solicitou uma reunião entre o Sindilegis, a Presidência da Câmara, a Primeira-Secretaria e a Diretoria-Geral, para tratar do retorno ao trabalho presencial; a regulamentação do teletrabalho; e a gestão por resultado.
Confira a íntegra do ofício aqui.
Nota do Sindilegis sobre morte de 21 trabalhadores da Câmara dos Deputados
Após semanas de negociações e articulações para a preservação da saúde e integridade física de seus filiados na defesa da manutenção do teletrabalho para os servidores do Legislativo, veio a público o levantamento realizado pelo Sindilegis sobre a grave situação sanitária nas dependências do Congresso Nacional, especialmente na Câmara dos Deputados, onde há maior circulação de pessoas. Já são 21 mortes de trabalhadores da Casa e, pelo menos, 482 infectados pelo novo coronavírus entre março de 2020 e fevereiro de 2021. Por isso, antes de tudo, o Sindilegis esclarece que esta não é apenas mais uma nota de repúdio. Quando o luto coletivo de um país soma a perda de mais de 260 mil pessoas, os únicos próximos passos moralmente aceitáveis são aqueles que levam a preservar as vidas que continuam ameaçadas.
É importante ressaltar que o número de pessoas infectadas cresce ao considerar também os casos registrados entre os servidores do Senado e também entre os parlamentares de ambos os órgãos legislativos. Apenas o senador Sérgio Petecão (PSD-AC) lamentou a morte de dois assessores na mesma semana em que a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, também testou positivo para Covid. Isso tudo em um contexto em que os sistemas de saúde público e privado do DF beiram o colapso com ocupação de leitos de UTI superior a 90% e com uma fila de espera que sequer sabe se vai receber atendimento, realçando ainda mais uma característica letal de uma doença que não escolhe idade, classe social ou gênero.
Os valorosos servidores da Câmara e do Senado, em tempo recorde e de maneira exemplar, deixaram claro que suas funções podem ser desempenhadas remotamente. Após um ano de pandemia, se o Brasil não estagnou foi graças ao empenho desses trabalhadores. Pelo bem de um país que não pode parar, queremos a segurança e garantia de que não sufocaremos com descaso e inércia ao servir à sociedade. O Sindilegis seguirá atento e vigilante, pois conforme já sinalizamos, vidas são inegociáveis e não mediremos esforços para proteger aqueles que são essenciais para o desenvolvimento da nação.
Trabalho remoto para todos os servidores já!




