Estênio Eduardo da Silva Santos, 20 anos, Maicon Lourenço de Oliveira, 18, e Ronilson Gabriel da Conceição, 19, têm uma história em comum: os três passaram pelo acolhimento institucional e encontraram no ‘Filhos da Nação’ um espaço de desenvolvimento e novas possibilidades. Hoje, eles integram a equipe do projeto como monitores e ajudam a conduzir atividades com crianças e adolescentes acolhidos e vinculados ao Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA).
A chegada ao mercado de trabalho é resultado de um processo que começou bem antes da contratação. Nas atividades do projeto, os jovens desenvolveram habilidades como comunicação, disciplina, cooperação, responsabilidade, liderança e confiança, além de aprenderem a lidar com desafios e trabalhar em equipe.

Histórias que voltam para o projeto
Estênio, conhecido como Edu, conheceu o ‘Filhos da Nação’ em 2025, quando acompanhava meninos de instituições de acolhimento nas atividades. A facilidade para dialogar e transformar experiências em reflexão chamou a atenção da equipe, que o convidou para atuar como monitor. Hoje, ele participa das rodas de conversa e das ações formativas do projeto. Fora dali, também atua como pesquisador social na Fiocruz e como articulador na defesa dos direitos de crianças, adolescentes e jovens.
A trajetória de Maicon está diretamente ligada ao esporte. Ele entrou no projeto em setembro de 2025 e, desde então, construiu uma trajetória como atleta de canoa havaiana. Pela equipe Júnior 19, conquistou a medalha de prata no Campeonato Brasileiro de Sprint e uma vaga para o Campeonato Mundial de Va’a, em Singapura. Também ficou em terceiro lugar na segunda etapa do Campeonato Brasiliense de Va’a Maratona, na categoria V1. Na primeira etapa, foi terceiro colocado na categoria Open e segundo na individual V1.
Agora, além de competir, Maicon também compartilha com outros jovens os aprendizados que acumulou dentro e fora da água.
Ronilson, que prefere ser chamado de Rone, conhece o projeto há ainda mais tempo. Ele participou da primeira atividade do ‘Filhos da Nação’, em 2017. Em alguns períodos, precisou se afastar por causa da distância da instituição onde vivia, mas manteve o projeto como uma referência em sua trajetória. Aos 18 anos, retomou a participação e passou a integrar a equipe como monitor.
Do esporte para a vida profissional
O trabalho dos três ajuda a traduzir uma das frentes do ‘Filhos da Nação’: preparar os jovens para a autonomia e para os desafios da vida adulta. Por meio de atividades como remo, stand up paddle e canoa havaiana, combinadas a rodas de conversa e princípios da psicologia junguiana, o projeto trabalha competências que também fazem parte do ambiente profissional.
“Na canoa, cada pessoa precisa assumir sua responsabilidade para que todos avancem. É uma experiência que ensina compromisso, confiança e trabalho em equipe. São aprendizados que esses jovens levam para a vida profissional”, explica Tiago Batista, cofundador do projeto.
A empregabilidade é parte desse processo. Para muitos adolescentes que vivem em acolhimento institucional, a chegada aos 18 anos representa o início de uma nova etapa, muitas vezes sem uma rede de apoio fortalecida e com o desafio de construir o próprio caminho. Por isso, o projeto também busca aproximar os jovens de oportunidades profissionais e desenvolver habilidades como colaboração, dedicação, resiliência, empatia, autorresponsabilidade, perseverança e manejo das emoções.
“A empregabilidade não começa na entrega de um currículo. Começa quando o jovem reconhece suas capacidades, percebe que sua presença tem valor e consegue imaginar um futuro para si. A contratação é resultado de um processo de vínculo, desenvolvimento e reconhecimento de potencialidades”, afirma Gabriela Speziali, idealizadora do ‘Filhos da Nação’.
’Filhos da Nação’
Criado em 2017, o projeto atende atualmente 308 crianças e adolescentes de instituições de acolhimento do Distrito Federal. A metodologia, chamada Remoterapia, utiliza os esportes a remo como ferramenta de desenvolvimento e busca fortalecer pertencimento, autonomia e perspectivas de futuro.
Em 2026, o ‘Filhos da Nação’ foi apresentado durante a Brazil Conference, realizada em Harvard e no MIT, após Gabriela Speziali ser escolhida embaixadora do evento. O projeto acontece na Ascade, é realizado pela Associação Brasil Melhor e conta com o apoio do Sindilegis.


