Pesquisa impacto psicolígico coronavírus

Estudo internacional, com a participação da USP, analisa consequências psicológicas do coronavírus

Pesquisa ouviu mais de 3 mil pessoas. Levantamento busca identificar como as pessoas estão enfrentando o isolamento social

 

Além da busca de vacinas e remédios que possam combater a Covid-19, o corpo acadêmico brasileiro está pesquisando os impactos na saúde mental provocados pela pandemia do novo coronavírus. A Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (FMRP-USP) realiza um estudo internacional em parceria com a Universidad Autónoma de Madrid (Espanha), a Fundación ICEERS (Espanha) e a Universidad Rovira i Virgili (Espanha), que estuda como a doença influencia o psicológico dos indivíduos.  A pesquisa ouviu mais de 3 mil pessoas no Brasil, na Espanha, nos Estados Unidos, no Reino Unido e em Portugal.

 

“O nosso objetivo é entender o impacto psicológico da pandemia. Tanto a população em geral quanto os profissionais de saúde estão sendo afetados. Além de avaliarmos os efeitos na saúde mental, estamos analisando quais estratégias as pessoas estão adotando para enfrentar esse período que pode gerar estresse agudo e sofrimento”, explicou o pesquisador do departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento da FMRP-USP, Rafael Guimarães.

 

O levantamento foi feito por meio de um questionário on-line. Os participantes responderam a questões relacionadas a crenças religiosas, prática de esportes e uso de drogas, entre outras atividades, durante a quarentena. “A partir das respostas a gente pode pensar em estratégias para tratamento e ferramentas para auxiliar as pessoas”, afirmou.

 

Rafael ressaltou o pioneirismo do levantamento no Brasil. “Estudos mostram um aumento nos casos de depressão, ansiedade, estresse e insônia na população em geral e em profissionais de saúde. Várias pesquisas analisam as consequências da Covid-19 na saúde mental dos chineses, mas no Brasil esses dados estão começando a serem levantados”, disse ao ressaltar a realização de pesquisas pela Universidade de São Paulo (USP), Universidade de Brasília (Unb) e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

 

A pesquisa, que segue o formato de estudo longitudinal, será refeita daqui a três meses e, novamente em seis meses para analisar os efeitos psicológicos na saúde mental dos participantes durante a quarentena. Estudo longitudinal é um método de pesquisa que visa analisar as variações nas caraterísticas dos mesmos elementos amostrais ao longo de um período mais largo de tempo. Os estudos longitudinais são muito usados na Psicologia, Medicina, e também na Economia e Sociologia.

 

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