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Filiado ao Sindilegis lança livro sobre regime militar brasileiro

Servidor aposentado da Câmara dos Deputados escreveu livro de contos ficcionais que busca refletir sobre os impactos da ditadura

O escritor, advogado e filiado ao Sindilegis Mauro Motta Burlamaqui lançou o seu novo livro, “Brasília Ainda Chora”. A obra é composta por 17 contos que misturam fatos históricos e ficção numa análise crítica dos cenários políticos vividos no Brasil durante os anos de chumbo até os dias de hoje.

O lançamento foi realizado no sábado (15) no segundo andar do Restaurante Estação do Sabor Grill, na Avenida Nossa Senhora de Copacabana. A tarde literária promoveu um ambiente intelectualmente estimulante, com música e declamação de poesias.

Mauro, que é servidor aposentado da Câmara dos Deputados, foi preso durante a ditadura, tendo os direitos políticos suspensos por dez anos e depois anistiado. Para o servidor, é fundamental estudar e discutir essa parte da história brasileira. “Já se passaram 50 anos, mas os impactos do AI-5 (Ato Institucional número cinco) emitido pelo regime militar em 13 de dezembro de 1968 ainda são visíveis. Ainda, depois de todo esse tempo, as mães dos desaparecidos políticos ainda choram”, analisa.

As tramas desenvolvidas pelo autor buscam levantar a reflexão de que o terror da época, inclusive crimes e violência aparentemente comuns, teriam sido superados, fazendo-se valer de personagens dinâmicos, que se movem pelo cotidiano e atravessam décadas. São heróis e  falsos heróis, vítimas, algozes,  estrangeiros, e agentes da  CIA que se misturam à pessoas comuns para retratar o drama vivido pelos que foram perseguidos pelo regime. As estórias são situadas em diversas cidades, como Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. “O livro é uma tentativa de retratar aquela “microfísica” do poder, impossível de ser apreeendida pela História ou teoria política em toda sua dimensão”, explicou.

Para o autor, os elementos ficcionais agregam valor literário. “Talvez nesse ponto e prestando um serviço à tecnologia política ou jurídica ou à História, a ficção seja importante, trazendo referências e permitindo inferências em certo contexto histórico”, conclui.

 

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