NOTA DE REPÚDIO ÀS DECLARAÇÕES DO MINISTRO PAULO GUEDES CONTRA OS SERVIDORES PÚBLICOS

O Sindicato dos Servidores do Poder Legislativo Federal e do Tribunal de Contas da União (Sindilegis) repudia veementemente as declarações do atual ministro da Economia, Paulo Guedes, proferidas durante audiência pública na Comissão Especial da reforma da Previdência na Câmara dos Deputados, nesta quarta-feira (8).

Com base em falácias e em argumentos baseados em puro senso comum, Guedes aproveitou sua fala para afirmar que parte da culpa pelos “desvios” e pela “roubalheira” que há muito ocorre no país é dos funcionários públicos. Ainda segundo ele, são os servidores os responsáveis por “tomar conta das coisas públicas”, mas que a categoria não “cumpriu o seu papel”.

É notório que há uma grande articulação do Governo e da mídia para escorraçarem os servidores públicos, culpando-os por todas as mazelas que acometem ao País. Imbuído de falácias e disseminando informações falsas, que só fomentam o ódio e a divisão de classes, a estratégia de Paulo Guedes é antiga: “dividir para conquistar”. A tática, mais uma vez, vem sendo usada instrumento do Governo para desviar os problemas reais que o Brasil enfrenta.

Em sua fala, o ministro Paulo Guedes, de forma espantosa, cruel e desumana, relega a importância que os servidores públicos exercem para um país. Desconhece o ministro que o servidor público concursado trabalha para acabar com a sonegação, trabalha para a concessão de aposentadorias, para garantir a assistência aos mais necessitados. É quem educa as crianças deste país, quem salva vidas em hospitais sem recursos, muitas vezes, para remédios básicos, quem dirá instrumentos e medicina mais avançada. É quem protege seus filhos, as fronteiras deste país e os cidadãos na eventualidade de um acidente. É quem realiza as pesquisas que podem garantir que nossa pais atinja um novo patamar de desenvolvimento.

Guedes também se esquece de que são os servidores públicos responsáveis por examinar as contas públicas; por investigar aqueles que cometeram desvios; por acusar e prender, após o devido contraditório e ampla defesa, os faltosos que conduziram todas as ações e operações que provocaram uma verdadeira revolução no combate à fraude e corrupção no país. Tudo isso porque o servidor público –  que está neste cargo porque jurou, no dia em que tomou posse, servir à Nação e ao País – tem sua atividade voltada para o Estado brasileiro, de forma contínua, e não ao Governo, cuja período é transitório.

O Sindilegis, em sintonia com os servidores públicos, não afasta a necessidade de realização de reformas. Ressalta, entretanto, que as reformas têm que ser realizadas de forma transparente e serem conduzidas em um amplo debate com a sociedade brasileira, respeitando, inclusive, as propostas realizadas durante a campanha eleitoral – entre as quais não se encontrava a proposta de reforma de previdência de tal jaez.

O Sindilegis também ressalta que os trabalhadores, nos últimos períodos, já deram seu contributo para a melhoria das finanças públicas, tendo seus regimes previdenciários sofrido alterações significativas. O caso dos servidores, inclusive, já se encontra em pleno equilíbrio, desde que sejam respeitados os pressupostos do regime de seguridade estabelecido em nossa Constituição, fruto da luta de todos os trabalhadores do país. Acima de tudo, ressalta que nenhum reforma a ser implantada deve atingir os setores mais necessitados do País.

Senhor Guedes, o Sindilegis refuta todas as suas colocações e reforça que os servidores públicos seguirão com seu trabalho diário a serviço do povo e do Estado brasileiros. Exige, por fim, que todos os servidores sejam, sempre, tratados com dignidade e, acima de tudo, respeito.

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