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Sindilegis une Esquerda e Direita no combate ao machismo e ao feminicídio

Em meio a debates acalorados no Congresso Nacional, governistas e oposição se unem em campanha apartidária em prol da defesa dos direitos da Mulher

“Acredito que o papel que as mulheres representam na sociedade brasileira precisa ser valorizado contra o preconceito e qualquer tipo de discriminação”

Davi Alcolumbre (DEM-AP), presidente do Senado Federal

 

Na quarta-feira, 28 de março de 2019, uma guerrilha se levantou na Câmara dos Deputados e no Senado Federal com o objetivo de abater um inimigo comum que assola a nossa sociedade: o machismo. As armas escolhidas pelos combatentes: os neurônios e a desconstrução de símbolos da opressão feminina.

Convidando deputados e senadores de diferentes posições ideológicas a se comprometerem com a causa e lutarem pela igualdade entre gêneros, o Sindilegis lançou a campanha “Armas Contra o Machismo”. O objetivo foi atingir especialmente os membros do Congresso que atuam como representantes da sociedade e têm em suas mãos o poder de propor, aprovar ou rejeitar projetos que podem impactar a vida de milhões de mulheres brasileiras. A campanha obteve uma massiva participação de parlamentares do governo e da oposição.

Petrus Elesbão, presidente do Sindilegis, refletiu sobre a necessidade de se pautar esse tema. “A realidade brasileira é muito dura e violenta para as mulheres. Os números de feminicídio divulgados pela imprensa diariamente são assustadores. É preciso agir e o Sindilegis, como entidade representativa de milhares de servidoras, organizou essa campanha para pautar o assunto no Congresso e integrar os parlamentares nessa luta”, explicou.

“A realidade brasileira é muito dura e violenta para as mulheres. Os números de feminicídio divulgados pela imprensa diariamente são assustadores. É preciso agir!”
Petrus Elesbão, presidente do Sindilegis

 

Parlamentares como a senadora Leila Barros (PSB-DF), primeira senadora do Distrito Federal, e deputadas federais como Érika Kokay (PT-DF), Celina Leão (PP-DF), Benedita da Silva (PT-RJ), e a deputada estadual Goretti Reis (PSD- SE) elogiaram e aderiram à iniciativa, mas o foco da campanha era mobilizar os representantes do sexo masculino. O próprio presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e deputados como Túlio Gadelha (PDT-PE) e Alexandre Frota (PSL-SP) engrossaram o coro contra a discriminação e usaram os bottons com os dizeres “Xô Machismo” e as camisetas da campanha, inclusive, em Plenário.

“O preconceito não é bom para a sociedade. Eu sou um pacificador e acredito que o papel que as mulheres representam na sociedade brasileira precisa ser valorizado contra o preconceito e qualquer tipo de discriminação”, defendeu o presidente do Senado.

A deputada Érika Kokay (PT-DF) foi incisiva ao destacar o cunho provocador e questionador da campanha: “Tem milhões de mulheres neste País que não querem voltar para casa ou que têm medo de voltar porque ali há uma imposição sobre seus corpos, suas falas, sobre a sua vontade, sobre o seu desejo. Por isso que essa campanha do Sindilegis, extremamente criativa,  diz que ‘a gente tem que se armar contra o machismo’. Não é essa arma que eles querem que todo cidadão porte em que possa  matar o outro. As nossas armas são os nossos neurônios, são as colheres que a gente mete na briga de marido e mulher. São as nossas vozes, é o nosso riso, é o nosso riso! Essas são as nossas armas”.

“As nossas armas são os nossos neurônios, são as colheres que a gente mete na briga de marido e mulher. São as nossas vozes, é o nosso riso, é o nosso riso”

Érika Kokay (PT-DF)

 

A deputada Benedita da Silva (PT-RJ) também parabenizou a iniciativa, convidou as mulheres para uma maior participação na política do País e fez um apelo: “Quando a nossa vizinha estiver apanhando do marido, não queremos ouvir que em ‘briga de marido e mulher ninguém mete a colher porque provavelmente haverá um funeral dessa mulher”.

O deputado Túlio Gadelha (PDT-PE) refletiu sobre a ainda escassa presença feminina nas cadeiras da Câmara e do Senado. “Infelizmente o Brasil tem hoje um dos governos com um dos menores índices de participação da mulher na política. Estamos em 149º num total de 188 países. Além disso, aqui no Congresso, apenas 15% das mulheres ocupam as vagas de representação de um País que tem majoritariamente mulheres eleitoras”, avaliou.


“Estamos em 149º num total de 188 países. Além disso, aqui no Congresso, apenas 15% das mulheres ocupam as vagas de representação de um país que tem majoritariamente mulheres eleitoras”

Túlio Gadelha (PDT-PE)

 

Armas Contra o Machismo

Usando o debate sobre o porte de armas como gancho, a campanha “Armas Contra o Machismo!” desconstruiu significados de objetos corriqueiros como colheres, vassouras e espanadores, empunhados nesta campanha pelos homens.

A escolha por elementos do cotidiano que carregam certo peso simbólico não foi à toa. A vassoura, por exemplo: antes um símbolo dos afazeres domésticos (estereótipo tipicamente machista de que apenas mulheres podem desempenhar tais tarefas), vira nesta campanha uma “arma para varrer a desigualdade para longe!” – uma desconstrução desses símbolos e do próprio significado da arma.

Outro exemplo é a colher.  Na campanha, ela se torna uma arma quando questionamos a máxima de que “em briga de marido e mulher ninguém mete a colher”, convidando aqueles que testemunharem agressões a se intrometer sim e evitar tragédias ainda maiores.

Além da ação no Congresso, o Sindilegis também lançou a campanha virtualmente em sua página do Facebook (Sindilegis Oficial) e no Instagram (@SindilegisOficial). Na quinta-feira (29), a ação continua no Tribunal de Contas da União, onde o sindicato irá convidar, também, os Ministros da Corte a endossarem a campanha.

Em 2018, o Sindilegis foi premiado pelo Lisbon Awards Group, no Prêmio Lusófonos de Criatividade com a campanha do mês da Mulher “Florzinha é bom, mas direitos iguais é melhor!”, que chamava atenção ao fato de que, apesar do Dia das Mulheres ser normalmente voltado para os mimos, a data é de debate e luta por direitos e avanços.

Este ano o convite da entidade foi de que todos gritassem juntos: Xô Machismo!

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