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Erraram: professor da Unicamp desmonta matéria da Folha sobre Brasil ser o país que mais expandiu gasto público

Publicado originalmente pela Revista Fórum

Para Pedro Rossi, jornal usou gráfico com dados que não mostram o dado correto e recalculou: aumento foi de 7,6%, e não de 10,4% em uma década

O professor da Unicamp Pedro Rossi publicou em seu Twitter que, ao analisar a matéria da Folha de São Paulo levou à manchete da edição de domingo (11), dando conta de que o Brasil foi o país que mais expandiu gastos públicos em uma década, encontrou uma série de erros que anulam a conclusão do enunciado.

 

O primeiro deles, segundo Rossi, é que a reportagem partiu de dados errados. Ele relata que o jornal usou um gráfico do Fundo Monetário Internacional (FMI) que traz os dados de “expense”, que exclui investimentos líquidos, quando deveria ter usado para sua comparação os números de “expenditure”. O economista publicou os gráficos com os dados, reproduzido no início desta matéria.

Embora as duas palavras possam ser livremente traduzidas como “despesas”, os dois conceitos são diferentes em economia e finanças. “Expenditure” significa o pagamento ou desembolso de dinheiro. Já “expense” é toda uma seção de um balanço. Em uma empresa, por exemplo, o conceito de “expense” inclui os custos de fabricação, depreciação, salários, aluguéis e outras despesas que a companhia tem para chegar ao produto final.

Rossi refez o cálculo tendo por base os dados que considerou corretos. Na série usada pela Folha, de “expense”, o aumento do gasto público no Brasil de 2008 a 2018 foi de 10,4%. Já com os números de “expenditure”, o economista calculou que o número seria de 7,6%.


Metodologias diferentes na mesma série

Outro erro encontrado pelo professor da Unicamp foi que, em sua análise, que a Folha não considerou que o FMI junta duas séries históricas do Tesouro Nacional que usam metodologias diferentes. Para explicar seu argumento, ele reproduz publicação do economista Sergio Gobetti no Facebook acerca do mesmo tema. Nela, Gobetti escreve que, depois de 2013, o Tesouro passou a adotar uma metodologia de estimação do gasto público que inclui na conta as chamadas “operações intraorçamentárias e outras meramente contábeis, como contribuições patronais para Previdência, além dos repasses do FGTS”.

Gobetti destaca que essas contas eram totalmente diferentes em 2008, ano usado pela Folha para início de sua análise, e que a série histórica que o Tesouro envia ao FMI não faz “nenhuma ressalva sobre a descontinuidade metodológica, induzindo a confusão”.

Pedro Rossi destaca ainda que, para comparar o tamanho do gasto público entre países, a boa análise econômica precisa levar em conta o que essas nações oferecem em termos de serviços públicos. E afirma: “Não faz sentido comparar o Brasil com países que não têm Previdência Social, SUS, ensino superior gratuito etc.”.

Professora da USP e ex-colunista da Folha, Laura Carvalho retuitou o fio de Pedro Rossi, avalizando-o, e escreveu: “Me parece um caso claro de publicar um Erramos, ainda mais sendo matéria de capa”.

Reunião com deputados

Diretores do Sindilegis se reúnem com deputados para tratar da reforma administrativa do governo e da Câmara

Dando continuidade ao trabalho de combate à proposta de reforma administrativa do governo, diretores do Sindilegis se reuniram nesta terça-feira (29/09) com o deputado André Figueiredo (PDT-CE), líder da oposição, e o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP). O presidente do Sindicato, Petrus Elesbão, e os vices, Alison Souza e Paulo Cezar, levaram dados e argumentos que apontam o alto risco de precarização do serviço público e de aumento da corrupção. Denunciaram, ainda, que as medidas trazidas na PEC 32/2020 não garantem maior eficiência para o serviço público. “Pelo contrário, a proposta é um atestado de incompetência da equipe econômica. Aliás, está se tornando comum o envio de péssimos projetos. Veja como estão conduzindo a reforma tributária. Fica claro que não entendem absolutamente nada de administração pública”, afirmou Alison Souza, vice-presidente para o TCU.

Petrus Elesbão, Alison Souza e Paulo Cézar Alves em audiência com o deputado Luiz Carlos Motta (PL-SP)

Os dirigentes também trataram da reforma administrativa da Câmara. Defenderam junto aos deputados que o Sindilegis tenha a oportunidade de contribuir efetivamente para a construção da nova estrutura da Casa e que a tabela de padrões e salário de entrada na carreira sejam discutidos com profundidade. “Queremos um prazo para poder debater com os servidores e trazer a nossa contraproposta. Só haverá melhoria, de fato, se houver engajamento dos servidores e, para isso, é preciso haver debate e construção coletiva”, ressaltou Alison.

O Sindicato continuará nas próximas semanas as visitas aos parlamentares, virtual ou presencialmente. Fique atento às comunicações sobre a reforma administrativa!