Live Anfip 1

Sindilegis discute soluções à reforma administrativa em debate da Anfip

Em transmissão ao vivo, debatedores esclareceram os mitos e as verdades contidos no texto da Proposta de Emenda à Constituição 32/2020

Na manhã desta quarta-feira (14), a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil (Anfip) promoveu a live “Reforma Administrativa: mitos e verdades” com o objetivo de desconstruir argumentos falaciosos utilizados na retórica governamental para embasar a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 32/20. Entre os debatedores, o consenso com relação aos objetivos da proposta foi unânime: essa definitivamente não é a reforma que o Brasil precisa.

Participaram da discussão os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ) e Érika Kokay (PT-DF); o presidente da Anfip, Délcio Bruno Lopes; o vice-presidente de Política de Classe e Política Salarial da entidade, José Arinaldo; o analista de consultor político do DIAP, Antonio Augusto de Queiroz; o economista e pesquisador do IPEA, Paulo Klias; e o presidente do Sindilegis, Alison Souza. A conversa foi moderada pelo jornalista Sérgio Lérrer que, junto ao presidente da Anfip, provocou os painelistas com questionamentos comuns sobre a PEC 32.

Para o deputado Alessandro Molon, a proposta já deveria ter sido rejeitada por não viabilizar um aumento na eficiência do serviço público, o que, segundo ele, é um dos objetivos centrais para justificar uma reforma administrativa: “Ela reduz a transparência do orçamento, prevê o fechamento de órgãos por decreto, permite a perseguição de servidores e mantém privilégios”.

E completou: É uma reforma para inglês ver e não para melhorar a qualidade do nosso Estado.”

Alison Souza, presidente do Sindilegis, reforçou a urgência do momento de crise vivido no país e cobrou uma agenda resolutiva mais positiva para as necessidades da população diante da crise social e sanitária provocada pela pandemia. “Falar de reforma da Constituição em um momento como esse é uma extrema covardia com a população brasileira, sobretudo com os servidores, especialmente aqueles que estão na linha de frente da batalha, ajudando a manter o país em pé. Nós queremos vacinação para acelerar a preservação das vidas e também a própria economia. Nós precisamos de um pacote de estímulo à manutenção dos empregos e das empresas, sobretudo das micro e pequenas empresas. O governo, no início da pandemia, tomou algumas medidas e injetou liquidez no sistema financeiro brasileiro na ordem de R$ 1 trilhão e 200 bilhões; onde está esse recurso? Onde está esse dinheiro? Por que não o fez por meio do BNDES, que é um banco público e com certeza conseguiria fazer isso com mais eficiência?”, questionou.

Para o analista e consultor político do Departamento Intersindical de Assessoria (DIAP), Antonio Augusto de Queiroz, a proposta foca apenas nas despesas, desconsiderando a receita, assim como outras propostas de cunho reformistas recentes, tal qual a Regra de Ouro e o Teto de Gastos, a reforma da Previdência e a PEC Emergencial, onde todas atuam para o engessamento fiscal e não possuem dispositivos para o enfrentamento de crises que o país passa atualmente. “Essa reforma tem o objetivo de transferir, para o setor privado, a ocupação de cargos técnicos, gerenciais e estratégicos e entregar a gestão da Administração Pública a instituições privadas. Além disso, ela parte de três suposições nada republicanas: a primeira é a suposição de superioridade do setor privado em relação ao Estado na prestação de serviços; a segunda é a suposição de que o serviço público é ineficiente e corrupto por natureza; e a terceira é de que o servidor público ganha muito e trabalha pouco, é preguiçoso e alguns até desonestos. Então, a motivação vem impregnada de natureza ideológica e interesses patrimonialistas de outros, deixando claro que essa reforma não atende aos interesses do país”, analisou.

A deputada Érika Kokay criticou o que chamou de “generalidades e temas problemáticos” no texto da PEC 32. Para ela, a flexibilização do regime jurídico dos servidores, o fim da estabilidade, a falta de objetivos claros para se definir as avaliações de desempenho dos trabalhadores públicos e a ausência de uma definição oficial sobre carreiras típicas e transversais criam uma insegurança que atrapalha a continuidade de políticas e serviços públicos.

Délcio Bruno Lopes, presidente da Anfip, concluiu a live com a reflexão de que o serviço público brasileiro possui espaço para melhorar sua eficiência. “Não estamos defendendo abstenção de punições para desvios de conduta de servidores. O que defendemos é que os dispositivos legais já existentes sejam utilizados para comedir essas práticas”.

Assista ao debate completo pelo link abaixo:

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Mês do Servidor: Em sessão solene, Câmara premia trabalhos voltados para boas práticas de gestão e sustentabilidade

O aplicativo de inteligência artificial Ulysses e o programa de tecnologia para racionalizar o uso de água na Casa foram escolhidos como os de maior destaque

Em sessão solene realizada na manhã desta quinta-feira (31), no plenário Ulysses Guimarães, a Câmara dos Deputados premiou 12 trabalhos de servidores da Casa que contribuíram para melhorar as boas práticas de gestão e sustentabilidade dentro do órgão. A premiação foi organizada pela Primeira-Secretária, Deputada Soraya Santos (PL-RJ), e faz parte das comemorações ao mês do servidor público.

Ao todo, 81 projetos concorreram ao prêmio e 12 chegaram à fase final do concurso. Mas dois garantiram grande destaque e receberam troféu: o aplicativo de inteligência artificial intitulado Ulysses, da Ditec, e o programa de tecnologia para racionalizar do uso da água, da Detec.

Logo no início da cerimônia, a Primeira-Secretária frisou a importância dos servidores da Câmara para o funcionamento da Administração Pública e para efetivação dos trabalhos da Casa em prol da sociedade brasileira. A Deputada também agradeceu todo o apoio que o Sindilegis tem ofertado na busca pela valorização dos servidores.

“O que nós estamos fazendo aqui é garantindo que essa gente traga um país mais justo, porque política vem de polis, que significa cidade. Então, que cidade nós queremos viver? Que modelo de país nós queremos ter? A Câmara dos Deputados é um dos pilares fortes, que precisa ter um corpo técnico que deve ser desafiado a cada dia para ver a mudança”, pontuou Soraya Santos.

O Diretor-Geral da Câmara, Sérgio Sampaio, avaliou que a premiação estimula o exercício cotidiano das nossas atividades, uma vez que é possível mostrar para a sociedade o que é feito no âmbito da Casa.

“O que traduz a atividade do servidor público é o bem comum. Servir ao público significa isso. O nosso ganho e o nosso lucro é fazer com que a sociedade cresça, evolua e se transforme em um país ainda melhor. Esse é o nosso capital. É por isso que nós trabalhamos”, definiu o Diretor-Geral.

Para o vice-presidente do Sindilegis para a Câmara, Paulo Cezar Alves, a iniciativa da Câmara de premiar os servidores reforça uma política de valorização que já vem sendo adotada pelo Sindilegis. “Precisamos premiar esses servidores que têm desempenhado um papel relevante para o desenvolvimento dos trabalhos dentro da Casa e mostrar para a sociedade os nossos talentos”, afirmou Alves.

A Deputada Erika Kokay (PT-DF) também participou do evento e lembrou que, embora os servidores não tenham muitos motivos para comemorar, é preciso celebrar a data lembrando que mandatos passam, mas os servidores públicos permanecem. A Deputada ainda rechaçou as tentativas de acabar com a estabilidade da categoria.

“Não podemos permitir a flexibilização da estabilidade. Nossa homenagem aos servidores públicos tem que ser o compromisso que iremos efetivar os seus direitos”, definiu a Kokay.

Confira abaixo a lista de premiados do evento

Do concurso Boas Práticas de Gestão

– Promoção da transparência ativa ou passiva: Virada Digital, o novo portal da Câmara com foco no cidadão e na transparência – Aproge

– Práticas de gestão de risco: Plano de gestão de riscos do processo de trabalho “Realizar Reuniões Deliberativas de Comissão” – Decom

– Fortalecimento dos controles internos da gestão: Repositório seguro de documentos sigilosos de CPI – Coordenação de Comissões Temporárias do Decom

– Inovação processual ou tecnológica: Ulysses, a inteligência artificial da Câmara – Serviço de Ciência de Dados da Ditec

Do prêmio Destaque Gestão Sustentável

– Água: Implantação de novos processos e tecnologias inovadoras para racionalizar o uso da água na Câmara dos Deputados – Serviço de Instalações Elétricas e Hidrossanitárias do Detec

– Arquitetura e construção sustentável: Construção de poço profundo semiartesiano para abastecer as atividades de irrigação, paisagismo e resfriamento de ar-condicionado no Edifício Principal e Anexo I – Coordenação de Engenharia de Obras do Detec

– Compras e contratações sustentáveis: Como usar requisitos ecologicamente sustentáveis para enriquecer a escolha de uma solução a ser contratada ou adquirida pela Administração – Seção de Especificação de Soluções de TIC da Ditec

– Materiais de consumo: Registro sustentável – Detaq

– Energia: Conjunto de boas práticas de eficiência energética nas áreas de manutenção e projetos de engenharia do Detec – Detec

– Gestão de resíduos: Gestão de resíduos sólidos nas unidades de alimentação da Câmara dos Deputados – Seção de Administração de Refeitórios e Orientação Nutricional do Detec

– Sensibilização e educação para sustentabilidade: Ações de educação nutricional para a promoção da sustentabilidade – Seção de Administração de Refeitórios e Orientação Nutricional do Detec

– Tecnologia da informação verde: Redução do parque de impressão da Câmara dos Deputados Federal – Seção de Logística e Fiscalização da Ditec

Da prática de gestão do ano e da iniciativa sustentável do ano