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Reta final da reforma da Previdência: o que ainda pode mudar

Nesta semana decisiva da votação da PEC 06/2019, alguns senadores já protocolaram emendas de redação que atingem a aposentadoria dos servidores

22 de outubro: data prevista para que o Senado Federal inicie o segundo turno da votação da PEC 06/2019 (reforma da Previdência) e, até o fim da semana, deve concluir a votação sobre a proposta. Nesta fase final, as mudanças ainda podem ocorrer por meio de emendas supressivas e de redação.

Até o fechamento desta edição, cinco senadores já haviam protocolado 11 emendas para discussão no Plenário, que se referem, entre elas, à pensão por morte; às regras para agentes expostos nocivos à saúde; ao cálculo da média para aposentadoria de servidoras; ao dispositivo sobre o rompimento do vínculo em caso de aposentadoria concedida com tempo de contribuição decorrente de cargo, emprego ou função pública, para explicitar que se trata do rompimento de vínculo ativo; a anulação de aposentadoria concedida sem tempo de contribuição.

Enquanto a Previdência estiver na pauta do Congresso Nacional, o Sindilegis continuará na luta para ajustar alguns equívocos da reforma, intensificando o diálogo com os senadores. Após a promulgação, os esforços serão concentrados na PEC paralela 133/2019.

PEC 06/2019 e PEC ‘paralela’ 133/2019 no radar constante do Sindilegis

Sindilegis tem acompanhado o andamento da reforma da Previdência e traçado estratégias de atuação para ajustar e tornar as propostas mais justas para os brasileiros

Como um dos maiores deveres como entidade sindical – o de defender os direitos e interesses dos seus filiados -, o Sindilegis continua buscando modificar o texto da reforma da Previdência, com a atuação junto aos senadores. O objetivo é fazer com que alguns artigos das duas propostas sobre o tema (PEC 06/2019 e PEC 133/2019) considerados prejudiciais para o futuro dos brasileiros sejam suprimidos ou alterados.

Entre as mudanças defendidas pelo Sindicato, estão a retirada das alíquotas progressivas e extraordinárias, as regras de acúmulo para os benefícios de aposentadoria e pensão por morte, a manutenção dos 80% dos maiores salários para os servidores que ingressaram entre 2004 e 2013 e a permanência do Regime Próprio de Previdência Social.

Fique por dentro do andamento das duas propostas:

PEC 6/2019

A votação, na CCJ do Senado, das emendas de Plenário da reforma da Previdência foi adiada para a próxima terça-feira, dia 1º de outubro, pela manhã. A votação em Plenário do primeiro turno acontecerá no dia 2 de outubro, no período vespertino. Já o segundo turno estava previsto para acontecer até o dia 10 de outubro, mas tudo indica que também será adiado.

  • Relator atual:

Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE)

  • Último local:

19/09/2019 – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado

  • Última tramitação:

19/09/2019 – Pedido de vista concedido

Retrospectiva

O Senado Federal concluiu na última semana as cinco sessões de discussão, em primeiro turno, da proposta de emenda à Constituição (PEC). Ao todo, os senadores apresentaram 77 emendas de plenário para tentar mudar o texto da reforma.

Entre elas, estavam propostas que visavam alterar o pedágio de 100% para trabalhadores próximos da aposentadoria; modificar as regras para aposentadorias especiais; e retirar alteração no pagamento anual do PIS/Pasep. O relator, Senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), acatou apenas uma emenda, a de nº 540, que suprime dispositivo que modifica o conceito de integralidade para servidores que recebem parcelas variáveis em sua remuneração.

O que foi alterado do texto original?

Na CCJ, foram aprovadas seis alterações principais em relação ao texto que veio da Câmara:

  • Pensão por morte não poderá ser inferior ao salário mínimo em nenhuma situação;
  • Requisito para concessão do BCP não será mais incluído na Constituição;
  • Suaviza transição para trabalhadores que lidam com atividades perigosas à saúde;
  • Retira restrição de acúmulo de benefícios para quem recebe indenização como anistiado político;
  • Cria alíquota menor de contribuição para trabalhadores informais
  • Inclui ex-congressistas nas novas regras. 

O que é a PEC Paralela (PEC 133/2019)

A PEC Paralela é uma proposta adicional à reforma da Previdência e ganhou o nº 133/2019 no Senado. Nela, foram incluídas pautas consideradas polêmicas e que demandariam maior tempo de discussão, como a inclusão de estados e municípios na reforma, por exemplo. 

O que a PEC Paralela altera

Estados e municípios

Na PEC paralela, está prevista a extensão a estados e municípios das mesmas regras da reforma.

Benefício a crianças pobres

O relator também prevê um benefício mensal para as crianças em situação de pobreza, com um complemento para aquelas que têm até cinco anos.

Pensão por morte

Modifica o sistema de cotas. Atualmente, o valor da pensão é igual ao benefício integral do segurando quando faleceu. Com a reforma, o pagamento é de 50% do valor mais 10% por dependente, respeitando o limite de 100%. Na PEC paralela, esse porcentual sobe para 20% para dependentes com até 18 anos de idade.

Tempo mínimo de contribuição para homens

O texto propõe que a carência, como é chamado o tempo mínimo de contribuição para pedir a aposentadoria, seja de 15 anos para todos os homens segurados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Pela reforma que veio da Câmara, o tempo é de 15 anos para quem já está no mercado de trabalho, mas para os novos trabalhadores a carência seria de 20 anos. O tempo de contribuição das mulheres não foi alterado e também continua nos 15 anos. As idades mínimas também não tiveram mudanças: continua a valer a regra de 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres.

Impostos

Como forma de compensar as mudanças feitas que devem diminuir a economia da reforma, em dez anos, a PEC paralela aumenta a incidência de impostos para alguns setores. Entre eles, estão entidades educacionais ou de saúde com capacidade financeira enquadradas como filantrópicas, com exceção para as santas casas e as entidades de assistência. Também será instituída uma cobrança gradual, durante cinco anos, de contribuições previdenciárias do agronegócio exportador; e no Simples Nacional – sistema tributário voltado para micro e pequenas empresas – destinada, segundo o relator, “a incentivar as micro e pequenas empresas a investirem em prevenção de acidentes de trabalho e proteção do trabalho”.

Regime complementar servidores

A PEC paralela também prevê a reabertura do prazo para opção pelo regime de previdência complementar dos servidores federais, em seis meses, a partir da data de publicação da emenda. O prazo previsto pelo governo se encerrou em 29 de março.

Mudança no cálculo para aposentadoria por invalidez

O texto prevê um bônus de 10% para aposentadorias por incapacidade resultantes de acidentes, que não tenham origem laboral. A PEC prevê que a aposentadoria por incapacidade seja de 60% para segurados que tiverem até 20 anos de contribuição, subindo 2% para o tempo a mais de 20 anos. O trabalhador só receberá 100% do benefício em caso de doenças ou acidentes decorrentes do trabalho.

Além disso, ainda dá direito a aposentadoria de 100% para as pessoas que se encaixem na aposentadoria por incapacidade, nos casos que gere deficiência ou decorrente de doença neurodegenerativa.

O texto também permite acúmulo de pensões ao cidadão que tiver dependente com deficiência intelectual, mental ou grave.

Mudanças processuais

O texto prevê a criação de um incidente de prevenção de litigiosidade. Ou seja, quando tiver uma demanda que o Judiciário já decidiu sobre a Previdência, não será possível recorrer contra essas ações.

Profissionais da segurança pública

O texto inclui a paridade (reajustes atribuídos aos servidores ativos) e a integralidade (aposentadoria com o último salário) para os servidores federais ocupantes de cargos de natureza policial (Polícia Civil do Distrito Federal, Polícias Legislativas do Senado e da Câmara dos Deputados, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Polícia Ferroviária Federal, Agentes Prisionais e Socioeducativos federais) que tenham ingressado na carreira até 31 de dezembro de 2003. A proposta também garante a idade mínima de 55 anos para homem e mulher nesses casos.

Cálculo dos servidores

O texto também prevê que o cálculo de aposentadoria dos servidores públicos leve em conta a média aritmética de vantagens pecuniárias, como bônus por desempenho ou produtividade, dos 10 anos anteriores à concessão do benefício. Na proposta enviada pelo Executivo, um servidor se aposentadoria apenas com a proporção do número de anos em que tenha recebido a vantagem.

Transição

Pedágio de 100% (para INSS e servidores)

Nesta regra, trabalhadores do setor privado e do setor público terão que cumprir os seguintes requisitos: idade mínima de 57 anos para mulheres e de 60 anos para homens, além um “pedágio” equivalente ao mesmo número de anos que faltar para cumprir o tempo mínimo de contribuição (30 anos se mulher e 35 anos se homem) na data em que a PEC entrar em vigor.

Por exemplo, um trabalhador que já tiver a idade mínima mas tiver 32 anos de contribuição quando a reforma entrar em vigor terá que trabalhar os 3 anos que faltam para completar os 35 anos, mais 3 de pedágio.

Nessa regra, a remuneração será de 100% da média de todos os salários. Para servidores, o valor da aposentadoria igual a 100% da média ou integral para quem ingressou até 31 de dezembro de 2003.

  • Relator atual:

Senador Tasso Jereissati

  • Último local:

19/09/2019 – Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado

  • Última tramitação:

19/09/2019 – Matéria com a relatoria para análise das Emendas de Plenário

 

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Em seminário, presidente do Sindilegis relata ameaças pelo trabalho contra a reforma da Previdência

 

De autoria do deputado professor Israel, o evento contou com a presença do presidente da Comissão Especial da PEC, Marcelo Ramos, e de entidades de vários segmentos

O presidente do Sindilegis, Petrus Elesbão, revelou que os dirigentes e funcionários do Sindicato vêm sofrendo ameaças devido à atuação do Sindicato contra o texto da reforma da Previdência (PEC 6/2019). Citou ainda que, das 10 emendas apresentadas pelo Fonacate, quatro foram parcialmente acatadas. A declaração foi proferida no debate sobre os impactos da reforma da Previdência Social que ocorreu nesta segunda-feira (17), em auditório da Câmara Legislativa do DF.

De iniciativa do deputado federal professor Israel (PV-DF), o encontro contou com a presença do presidente da Comissão Especial da PEC 06/19, deputado Marcelo Ramos (PR-AM), e do presidente da Câmara Legislativa do DF, deputado Rafael Prudente (MDB), além de representantes da sociedade civil e dirigentes de entidades dos mais variados segmentos.

Na ocasião, o professor Israel elogiou a retirada da capitalização e do BPC do texto substitutivo da reforma da Previdência, apresentado na última semana. O parlamentar também parabenizou o Sindilegis por sua atuação e repudiou as ameaças sofridas pela entidade: “As redes sociais vivem em guerra e esquecem o significado do que é uma democracia. Vivemos um momento onde atitudes como essa são banalizadas, mas repudio com veemência esses grupos extremistas. Queria parabenizar o Sindilegis pelo trabalho e dizer que é preciso continuar nesse caminho, independente dos obstáculos”, falou.

O presidente da Comissão Especial da PEC 06, deputado Marcelo Ramos, falou que é preciso combater o desequilíbrio fiscal, e que a reforma é apenas um dos mecanismos para garantir um equilíbrio nas contas públicas. Também sinalizou que os servidores públicos não podem ser vilanizados, tendo em vista que as regras atuais – duramente combatidas pelo Governo – já existiam no momento em que prestaram serviço público. “Todo mundo precisa fazer sua cota de sacrifício, mas não é razoável você demonizar o servidor por algo que já estava pronto quando ele entrou”, explicou.

O presidente do Sindilegis, Petrus Elesbão, compôs a mesa do debate com dirigentes do Fonacate, Sindjus, Anfip e outras entidades parceiras em busca de discutir o texto da reforma da Previdência. As diretoras do Sindilegis Magda Helena e Fátima Mosqueira também prestigiaram a discussão. “Estamos sofrendo ameaças pelo nosso trabalho e isso não vai nos parar. Nosso compromisso é com a sociedade, com o servidor. O ministro Paulo Guedes atribuiu algumas derrotas sofridas ao ‘lobby dos funcionários do Legislativo’”, afirmou.

Petrus complementou ainda que as principais mudanças no texto original da reforma não atingem os servidores: “É necessário lembrar que as emendas que apresentamos não passaram conforme queríamos. Somente quatro foram parcialmente levadas em consideração. Há muito que precisa ser feito”.

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Relator da reforma da Previdência discute sugestões de emendas com o Sindilegis e entidades

Encontro, que reuniu os deputados Samuel Moreira e professor Israel, teve como foco as medidas que mais afetam o servidor público, como as regras de transição e a pensão por morte

Nesta terça-feira (4), o Sindicato e outras entidades se reuniram com o relator da PEC 6/2019 na Comissão Especial, deputado Samuel Moreira (PSDB-SP), para discutir as sugestões de emendas e as demandas mais urgentes dos servidores, como a regra de transição e a pensão por morte.

Durante o encontro, o presidente do Sindilegis e vice-presidente da Federação Nacional dos Servidores dos Poderes Legislativo, Federal e Estadual (Fenale), Petrus Elesbão, evidenciou que os números com projeção de gastos do Regime Próprio da Previdência Social (RPPS) estão em queda permanente desde a criação da Funpresp, em 2013, e tendem à estabilidade das contas públicas.

“Já passamos por três reformas nos últimos 20 anos e sempre contribuímos para o equilíbrio das contas públicas. Somos a única categoria que, mesmo depois de se aposentar, continua com o desconto da previdência em folha e, após a nossa morte, nossos cônjuges continuam contribuindo”, disse Elesbão.

O presidente do Sindilegis também destacou que isso deve ser levado em consideração na hora da análise das propostas sugeridas. Moreira se mostrou aberto a ouvir o posicionamento das entidades e disse que analisará a fundo tudo que foi proposto.

Em seguida, o Sindicato também conversou com o deputado professor Israel (PV-DF), que reafirmou seu compromisso com as entidades e disse que a única forma de amenizar os efeitos da reforma sobre o servidor público é garantir uma proposta de transição razoável: “Os deputados, de forma geral, estão mais sensíveis aos nossos argumentos e estão buscando soluções”.

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Seminário Internacional mostra experiências em Previdência Social no mundo

Evento contou com a participação do Sindilegis e diversos especialistas em Economia e Seguridade Social

Quais são as experiências em Previdência Social no mundo? A fim de debater os modelos estrangeiros de aposentadoria, bem como suas reformas, a Comissão Especial da PEC 6/2019 organizou, nesta terça-feira (4), o Seminário Internacional “Experiências em Previdência Social”. O evento contou com a participação do Sindilegis e de diversos especialistas em Economia e Seguridade Social.

Uma das palestrantes, a pesquisadora da Fiocruz, Sônia Teixeira, evidenciou que dos 30 países que entraram no regime de capitalização, 18 voltaram atrás: “Essa reforma desconsidera o que aconteceu no mundo. E isso é evidência, não é ideologia”, salienta. Uma das principais críticas da professora se refere ao fato de o Governo não ter pensado em outras reformas necessárias antes de propor a mudança das regras de aposentadoria dos brasileiros.

“Não existe um projeto voltado para aumentar a taxa de empregabilidade. Tampouco existe uma reforma tributária, que é muito mais necessária que a previdenciária. Essa é uma reforma extremamente injusta que desconsidera outras possibilidades de resolver o déficit das contas públicas. Se esse texto passar, vamos ser o Chile de amanhã”, disse.

Maria Lúcia Fattorelli, coordenadora nacional da Auditoria Cidadã da Dívida, mostrou aos participantes dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT) que revelam questões-chave da privatização da Previdência: “Houve um custo elevadíssimo de transição que criou uma forte pressão fiscal nesses países, que se tornou inviável aos cofres públicos”, disse.

Além disso, Fattorelli salientou que o único e grande beneficiário tem sido o setor financeiro que recebe as contribuições, cobra taxas de administração exorbitantes e não se responsabiliza por qualquer benefício futuro, o que vai depender do mercado.

De acordo com Cláudio Andrés, professor da Universidade do Chile, o Brasil deve pensar num caminho contínuo de igualdade e bem-estar social: “Um sistema justo só é possível se existir uma relação entre contribuições e benefícios, com solidariedade explícita”, comentou.

Foram convidados para o Seminário: o diretor de Relações Internacionais do Instituto Brasileiro de Direito Previdenciário, Fábio Luiz dos Passos; o técnico em planejamento e pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Milko Matijascic; o especialista da divisão de mercados de trabalho do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Mariano Bosch Mossi; a presidente da Associação dos Aposentados e Pensionistas do Chile, Cristina Victoria Tapia Poblete; e o diretor do escritório da Organização Internacional do Trabalho para a ONU, Vinicius Carvalho Pinheiro.